sábado, janeiro 26, 2013

De que falam e pensam os Portugueses?



Parecem não ter fim à vista o mar de fatalidades para os Portugueses, se olharmos para as medidas que diariamente nos são apresentadas pelos governantes, nas diversas áreas de intervenção do Estado, medidas essas elaboradas e impostas do exterior, mostrando a demagogia política em que actualmente vivemos, numa prova de incapacidade dos nossos governantes em compreenderem e ouvirem as camadas mais excluídas da sociedade.
Privilegiam a voz das elites e classe média alta, aqueles que têm poder e influenciam a opinião pública, ou seja os seus eleitores mais poderosos, dando azo e facilitando o crescimento da extrema-direita de conformação populista, conquistando audiência entre as camadas mais desfavorecidas e desprotegidas da população.
Através de um discurso populista e intransigente, ao ponto de convencer os mais incautos, de que mais vale perder e trocar a liberdade pela segurança, ou seja, despoletando um monstro adormecido, o totalitarismo, onde o direito do contraditório e combate político-partidário se transformam numa guerra do Estado contra todos, como se a insegurança fosse o resultado e aceitação da violência política patrocinada pelo Estado sob a conjectura da democracia.
As sucessivas derrotas dos governos considerados e liderados por partidos de esquerda, na europa, só pode ser ou ter alguma fundamentação, na transfiguração da tão apregoada terceira-via, que praticamente se esfumou e deixou confundir com as políticas defendidas pelos partidos de direita, alguns casos em processos de verdadeira transmutação ideológica, que não conseguindo conquistar eleitores, confundem o eleitorado de esquerda, aumentando o descrédito a apatia e abstenção de algum eleitorado flutuante, não valendo a pena votar numa esquerda que não se assume como tal.
Quando as expectativas políticas alimentadas num sistema democrático, deixam de corresponder e expressar a possibilidade de, mesmo no âmbito de um sistema político-económico em recessão, como o que actualmente vivemos, garantir as condições para uma vida justa e melhor, quando a degradação se acentua, resultado das sucessivas eleições, numa alternância de governantes sem qualquer resultado à vista, quando se assiste ao cada vez maior enriquecimento e prosperidade dos mais ricos, e melhor instalados no sistema, onde o individualismo egoísta da classe média-alta da sociedade encobrem a verdadeira realidade social, se recusa e se deixa de partilhar o bem comum na sociedade, criam-se as condições ideais para o desabrochar da tirania, reduzindo-se a democracia apenas ao debate técnico e às habilidades para conquistar o poder, instalando-se na sua plenitude um autêntico horror e repúdio dos eleitores para com a política.
Esta crise de esquerda, este desencanto com a política e a ideologia partidária, não é de hoje. Esse desencanto e desmobilização vem-se sentindo de eleição para eleição, basta verificarmos os níveis de abstenção registados ao longo dos 38 anos de democracia em Portugal, numa autêntica prova de rejeição do eleitorado, criando uma maioria silenciosa em que se transformaram os descrentes da esquerda no sistema político vigente, e a dar origem a condições para que os extremos prevaleçam. Para contrariar esta avalanche corrosiva da democracia e dos seus valores, torna-se um dever e obrigação, que a esquerda se questione sobre quais os mecanismos que efectivamente devem desenvolver e defender, no sentido de uma maior e melhor prestação na gestão da coisa pública ao serviço dos cidadãos.
Um governo de esquerda que se confunda e não se diferencie por completo, das estratégias e políticas de direita, não passa de mais um governo que somos obrigados a suportar até que cheguem novas eleições, resultando em constantes alternativas esquerda-direita, de quatro em quatro anos, com as inevitáveis repercussões económicas, e de estratégia para o País, afundando-nos numa dívida que se transformou num drama para as populações, e as consequentes represálias dos credores externos, tal o desmando nas contas públicas, que governos atrás de governos vão deixando, sem que para tal sejam ou venham a ser responsabilizados os seus protagonistas.
Não existindo progresso, ou as mais-valias se concentrem cada vez mais na mão de poucos, aumentando assim o fosso entre ricos e pobres, a desigualdade e a miséria aumentam pelo mundo, deixando mazelas sociais que face à crise instalada a nível mundial, começa já a fazer-se sentir, até mesmo nos países com mais recursos e maior poder económico.
Acreditávamos que o fascínio da inteligência humana e das virtudes morais, pudessem enfrentar o poder desenfreado das elites governamentais corruptas, mas enganámo-nos redondamente, depois de confrontados com os valores políticos praticados nesta pobre democracia em que vivemos, deprimida e corrompida, envenenada pelos faustosos banquetes de uma casta política vendida e desfigurada, empurrando cada vez mais a sociedade portuguesa para a miséria, não passando de um mero pretexto para conquistar o poder e exercê-lo de forma cobarde e injusta.
Contestar ideias, analisar princípios e debater pontos de vista diferentes, para além de ser saudável e bom para uma verdadeira democracia, seria a perfeita combinação no reconhecimento de que todos podemos errar, tão necessária para contrariar a arrogância e o egoísmo de alguns, cujo único compromisso que reconhecem é para consigo mesmo, nem que para tal seja necessário sacrificar a ética e o bom senso.
Por isso, com a voz fraca de um cidadão que pouco poderá influenciar, ou induzir outros a opinar e influenciar muitos mais, sem a intenção de surpreender com palavras persuasivas, ou incentivar com qualquer outra razão que não sejam o de fazer acordar o sentimento de cidadão que existe dentro de cada um de nós, chamando a atenção para o facto de que, nunca como hoje, o peso do exercício pleno da cidadania, teve ou terá tanta importância na participação de cada um de nós.
A bem da verdade, muitos nunca se aperceberam de que a situação actual em que vivemos, foi o resultado da conquista e dos direitos que custaram o sangue, o esforço, suor e lágrimas e a luta de muitos que, no passado, não se acobardaram nem se pouparam a esforços para que as gerações futuras pudessem ter acesso e garantia à liberdade e dignidade enquanto pessoa humana no seu todo.
João Carlos Soares
Barreiro, 26 de Janeiro de 2013

terça-feira, janeiro 22, 2013

Reflexão sobre o passado presente pensando o futuro

O tempo passa depressa e, dentro de pouco tempo, acreditando nos indicadores e notícias a que vamos tendo acesso, a sociedade portuguesa irá ser chamada a escolher os seus governantes e representantes, mais cedo do que seria previsível, face a um descontentamento generalizado, tanta a pouca vergonha a que se assiste, pelo total desrespeito deste governo, ao ter induzido os eleitores a acreditar nas propostas apresentadas no último processo eleitoral, executando exactamente de forma contrária, mentindo e renegando tudo o que prometeu, contrariando o que à partida enunciou como bases programáticas para uma governação ao serviço e na defesa dos interesses dos cidadãos.
Os políticos que iremos escolher, através de sufrágio universal, serão os nossos representantes, aqueles que deverão decidir com base nos programas propostos e sufragados, que poderão beneficiar ou prejudicar a maioria da população, alterando e mudando as práticas e promulgando, por vezes a seu belo prazer, muitas vezes de forma arbitrária e injusta, mas que interferirão de forma directa no dia-a-dia da vida das famílias, no presente e no futuro, da já minguada economia doméstica e de pessoas honestas
Serão eles os responsáveis pela qualidade de vida das populações, como o são a educação, a segurança, justiça, saúde, transportes e restantes necessidades sociais.
Para que cumpram tão relevantes serviços, torna-se imprescindível que cada cidadão escolha os seus representantes de forma consciente, séria e madura, para que não nos voltemos a arrepender, frustrados e a lamentar, como de certeza todos nós já o fizemos, tendo escolhido de forma infeliz políticos e governantes sem o mínimo de deontologia para a função, os quais têm feito resvalar a economia e a situação financeira do país para um abismo, do qual não nos conseguirmos escapar e ao qual parece estarmos irremediavelmente condenados.
Perante a miséria moral, material e social em que nos encontramos, resultado dos níveis corrosivos de corrupção que tem alimentado toda a cadeia ininterrupta de alternância no poder, de autênticos burlões profissionalizados nas estruturas partidárias, começa a fazer escola a ideia de que será pouco provável podermos vir a encontrar candidatos com perfil à altura de tão importante desiderato.
Identificarmos-nos com os candidatos, passa por conhecermos a sua biografia, reconhecer a sua postura ética presente e no passado, antes de lhes concedermos a nossa confiança para que nos possam representar. Se o não fizermos, se nos deixarmos levar pela autêntica máquina trituradora propagandística dos partidos que os promovem, ficamos expostos a oportunistas, desonestos, ignorantes e incompetentes, que nada conhecem das necessidades e privações das populações, e estamos gradualmente a degradar a nossa própria consciência cívica, o futuro do país e dos nossos filhos e até o destino da própria sociedade.
O afastamento e a irresponsabilidade como, enquanto eleitores, deixamos a escolha dos nossos representantes na opção dos outros e na mão de máquinas publicitárias, mais raposas velhas e sanguessugas atraídos pela cobiça do poder sub-repticiamente aparecem nos corredores da política, numa total demonstração de decadência moral, social e política, onde tarde demais nos apercebemos que, com esse tipo de comportamento, estamos a contribuir para a perpetuação no poder de gente sem escrúpulos. Perante este quadro, o que podemos esperar e exigir deste tipo de governantes?
Por cada processo eleitoral a que somos sujeitos, mais uma oportunidade para resgatarmos a nossa honra, a nossa responsabilidade cívica, o nosso carácter e a nossa credibilidade, perdidas ao longo das muitas eleições passadas, onde nos escusámos a assumir a responsabilidade que a constituição na outorga de pleno direito.
É preciso estar atentos aos espertalhões e conhecidos corruptos que fazem da política um meio e fonte eterna de enriquecimento ilícito próprio, familiar e dos amigos. Sob a protecção da capa da imunidade parlamentar, vão garantindo de impunidade continuando a usufruir de privilégios e mordomias, escapando às malhas da justiça, sem serem responsabilizados nem chamados a responder publicamente sobre os crimes que ofendem e denigrem a pátria. Até parece que vivemos e alimentamos uma sociedade masoquista, escolhendo os seus próprios carrascos, gente sem envergadura moral e cívica, decência, compostura e competência.
É claro que há excepções à regra, e não podemos colocar todos os governantes e políticos no mesmo saco. Sabemos e temos conhecimento de honrosas excepções, mas esses não são alvo certamente das grandes manchetes, nem capa de revista ou jornais, porque desempenham as suas funções quase no anonimato, respeitando e sendo merecedores da confiança e respeito entre os seus pares.
Temos o direito e a obrigação de exigir aos políticos um mínimo de decência, compostura e competência, porque somos nós que os escolhemos para que conduzam os nossos destinos com zelo, decência, honestidade e competência, longe de qualquer tipo de estratagemas obscuros, sendo para isso compensados com mordomias sem paralelo e remunerados com salários que ultrapassam em muito o que o vulgar cidadão recebe, em compensação pelo trabalho e contributo para o desenvolvimento e progresso do país.
Um país que começa a apresentar números constrangedores de pobreza, criminalidade e corrupção, contrasta com a despesa despendida com os seus políticos, tornando-se num atentado contra trabalhadores e gente honesta que já hoje vivem no limiar da miséria.
Se soubermos votar e escolher melhor os nossos representantes, estaremos a contribuir para uma sociedade mais rica, mais justa e competente, condição fundamental para a criação de riqueza, que aposte prioritariamente no investimento para o desenvolvimento e progresso económico.
Não nos podemos esquecer que a nossa vida, o bem-estar de todos nós e o destino dos nossos filhos irão depender das escolhas que fizermos quando para isso formos chamados a nos pronunciar, através do voto, observando atentamente o passado na vida dos candidatos que se apresentarem a sufrágio.
Cada vez mais se nota a carência de pessoas justas, sensatas, humildes e integras nos meios políticos. O brilhar sob os holofotes da ribalta, transforma-se numa sedução pelo poder a que não conseguem renunciar, moldando os acontecimentos a seu belo prazer, esquecendo-se que estão a interferir na vida e no destino dos que os rodeiam e neles confiaram.
Por mais que nos crie indignação ver a mentira triunfar momentaneamente sobre a verdade e a transparência, não podemos esquecer que nos cabe a nós a liberdade e o direito inalienável de escolher, através do voto, separando o trigo do joio, um acto de liberdade do qual resultam consequências e efeitos, quer na qualidade de vida das populações, quer na consolidação de uma sociedade equilibrada e mais justa.
O uso do “quero posso e mando”, que se manifesta inequivocamente através das decisões cegas dos governos, evidenciam a falta de ética e reflectem a baixa qualidade moral de quem possui o poder de tomar decisões, manipulando os factos de forma indecente, violando os legítimos direitos dos cidadãos e desrespeitando os princípios programáticos com que se apresentaram ao eleitorado e da própria Constituição sobre a qual juraram, e que os conduziu à liderança do País.
Na maioria das vezes, os políticos não sabem lidar com o poder, esquecendo-se que devem representar o povo e não a si próprios. Ouvem-se discursos vazios ou sem sentido, mentiras que levam ao cepticismo e à descrença de que possam existir perspectivas no futuro para um país mais justo e solidário, num processo em permanente construção, pelo direito à cidadania e direitos.

João Carlos Soares
Barreiro, 21 de Janeiro de 2013

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Bando de Trafulhas à Solta



De governo em governo, a astúcia dos bandos no poder, uns com mais outros com menos, mas todos com responsabilidades que deveriam assumir, ou seja, os homens e mulheres que decidem e decidiram por todos nós, os donos do capital, dos grandes negócios e da manipulação social, têm sido beneficiados, e envolvidos por avalanches de escândalos de corrupção, ou a eles relacionados, que quando noticiados, causam um enorme estardalhaço, mas que, pouco tempo depois, passam ao esquecimento.


Até parecem aquelas dunas que se vão formando ao longo das praias, onde o vento vai depositando areias, camada sobre camada, ficando somente visível a última a ser depositada, mas só até que outra camada por cima dela se coloque.


É exactamente ao que assistimos durante quase quatro décadas, a uma sucessão de escândalos relacionados com corrupção activa, protagonizado por esses atores que aos olhos do grande público, conseguiram passar uma imagem convincente de gente decente e honesta. Quando apanhados e implicados nesses escândalos, são recompensados com a impunidade, porque por cima das suas trafulhices, outras entretanto já estavam sendo praticadas por outros que lhes sucederam, numa autêntica cultura político-económica perpetrada e oriunda de cérebros operacionais insaciáveis, que não respeitam qualquer limite legal, moral ou institucional.


No entanto, este tipo de comportamentos e procedimentos ilícitos, tal como a areia na praia, ao sair de um lado para outro destapa, e de escândalo em escândalo, de trafulhice em trafulhice, começa a faltar matéria para os vindouros, ou se quisermos continuar a fazer a analogia, começa a faltar areia para mover, e o que fica é um grande buraco, colocando a descoberto as patifarias a que o sistema económico esteve sujeito e sem remissão.


Alguns dos que se deixam apanhar com a mão na massa, ou conotados com negociatas que são autênticas patifarias financeiras, usando de uma racionalidade impressionante, recorrem a malabarismos e argumentação evasiva, contratando os melhores advogados da nossa praça, montando autênticas barricadas legais, usadas e instituídas em leis, muitas delas por eles próprios elaboradas, despistando os investigadores das falcatruas de que os seus constituintes são acusados, camuflando-os e encobrindo a realidade perante a opinião pública e os tribunais. 


Esta gente refinada, sofisticada e engravatada, que faz voltar à nossa memória o tempo do cheiro a mofo, das manifestações públicas do Estado Novo, usam o seu status social, quase de forma alienada, rompendo a dignidade que o desempenho de qualquer cargo público exige, a troco de vantagens económicas, perpetuando no tempo a continuidade destas elites pervertidas no poder. 


Até quando irá resistir esta frágil república de bananas em que transformaram um país com História, um país com Orgulho, um país que respeitava e se fazia respeitar?


A resposta não é nem será fácil, até porque se aproximam e interpõem no horizonte futuro, camadas de nuvens muito cinzentas, transformando num caos de sobrevivência a vida de cada cidadão, neste país devassado e envolto na turbulência de escândalos, corrupção e favorecimentos ilícitos, alimentando uma espiral de outros escândalos que se avizinham, até à alienação total do património da Nação Portuguesa.


É preciso prestar-se muita atenção às manobras de alguns sectores políticos, que conotados desde sempre com as políticas actuais, e não só, geradoras do descalabro e insolvência a que o país chegou, continuam através de manobras e falsos desentendimentos, neste nevoeiro cinzento de contradições, descartar-se com a inevitabilidade das suas decisões para a recuperação de algo em que nem eles próprios acreditam, tal o grau de inoperância e de gestão da ineficiência governamental, apoiada pelo Presidente da República, talvez senão, um dos principais responsáveis da situação de desmantelamento da máquina produtiva e de transformação operada neste país no tempo das vacas gordas.


Podem-se constatar diversos tipos de aldrabões compulsivos, nesta estrutura social recheada de contrastes, sentindo-se algum estardalhaço entre as facções das elites no poder, que não são mais do que pruridos morais e arrufos de namorados. A corrupção e ladroagem em alternância, entre comparsas e adversários, são meros trajectos de enriquecimento em que se transformou esta monarquia de manhosos, travestidos partidariamente, num sistema que apetece e se abastece.


Não poderá haver apelo à cidadania e à reflexão cívica sobre o real compromisso das populações, políticos e governantes, se aos caminhos a serem percorridos no futuro, às dificuldades a serem enfrentadas pelas populações, não forem apresentadas sem ilusões, com coerência e total transparência possíveis soluções para os nossos problemas.


Nunca será demais alertar para o carnaval eleitoral que se aproxima, onde os oportunistas vão estar de serviço, para fazerem prevalecer as suas ideias escondidas por detrás de modelos já defendidos por velhas raposas da política, apresentando-se como seus descendentes e cúmplices, numa tentativa de neutralização de políticos decentes e com provas dadas, e de comportamento oposto a esse sistema de opressão, corrupção e sabotagem.


Concluindo, podemos dizer que ao cidadão inconformado com esta triste realidade, colocado à margem do poder, se nada fizer no sentido de inverter este processo de desmantelamento das democracias participativas, ficarão manietados e subjugados a um modelo social pervertido, empobrecido e falido, em virtude de estarem a ser representados nas estâncias governamentais, por lacaios e oportunistas que representam uma economia capitalista liderada por saqueadores e predadores ao serviço do poder económico mundial.


João Carlos Soares

Barreiro, 04 de Janeiro de 2013

segunda-feira, dezembro 31, 2012

Até amanhã!



A Nação soberana e orgulhosa, que foi Portugal, transformou-se num autêntico colonato europeu enfraquecido, envergonhado e maltratado, parecendo-se mais a uma galeria de subterrâneos, da maioria das instituições deste país, entrecortada de buracos gigantescos, onde as víboras do sistema, se vão acoitando sedentas da próxima vítima.
Protegidos e imunes à justiça dos tribunais, submissa aos interesses instalados ao mais alto nível da governação, enriquecem e pavoneiam-se de forma perniciosa e com toda a desenvoltura e descaramento, em astutas negociatas, envolvidos com grupos constituídos por empresários de conduta duvidosa, como se pode constatar na trafulhice escondida, que era a privatização da TAP, sem quaisquer princípios morais, desvirtuando a suposta democracia.
Perante este cenário, onde alguns sectores dos media funcionam como correias de transmissão do Estado, ou de mercenários ao serviço do Estado, fazem acreditar os menos informados e esclarecidos, e por vezes, também, uma grande parte da população menos atenta, que não existem alternativas, e que o problema não está em quem dirige os destinos do país, mas só pelos erros do passado e do difícil e complexo contexto económico em toda a Europa.
Infelizmente para todos nós, a realidade dos factos é outra, bastante diferente daquela que nos pretendem fazer acreditar, mas sim neste sistema político repleto de ladrões, e subvertido a políticos carreiristas sob o poder sorrateiro do capitalismo internacional, que disfrutam ganhos ilícitos, surripiando e esvaziando os cofres públicos, assaltando e apossando-se de toda e qualquer estrutura rentável do Estado.
Agem seguindo uma conduta que contrasta com a transparência e decência, vindo diariamente à tona nos noticiários e jornais, um sem número de irregularidades institucionais, desrespeitando a Constituição Portuguesa, sobre a qual juraram servir com honra e dignidade na defesa dos interesses e direitos das populações, numa verdadeira investida de delapidação do património público, criando um ambiente de devaneio democrático, corrupção e rapinagem.
Neste devaneio de democracia em que vivemos, os verdadeiros predadores do sistema, faustosamente instalados no cimo da pirâmide social, constituindo-se como um poder obscuro, vão fazendo a festa, gozando das mordomias, da fuga aos impostos resultante de ganhos financeiros resultantes das suas tramóias, dos desvios de dinheiros públicos e de bens patrimoniais não declarados ao fisco, com toda a felicidade do mundo, enquanto impedem os outros de a usufruir.
Quando, por qualquer razão que lhes fuja ao controle, são acusados e apanhados com a mão na massa, escapam-se através do expediente de recursos jurídicos atrás de recursos, minando assim ainda alguma justiça que se pretenda fazer.
Por todas estas razões, qualquer cidadão que se mova por princípios humanitários e consciência revolucionária, terá muita dificuldade em conviver impávido perante este contexto social, onde nos pretendem encurralar, lesados, ameaçados e inconformados, permitindo a continuidade de autênticos escândalos por este país fora.   
Se nada for feito no sentido de acabar com este sistema, onde impera uma democracia farsante e perturbada, a corrupção e o carreirismo político oportunista tenderá a expandir-se.
O projecto iniciado em 1974 com base numa verdadeira sociedade democrática fracassou e desmoronou-se, aumentando de forma considerável o desequilíbrio da nossa sociedade, ficando totalmente à mercê das artimanhas golpistas desta corja de corruptos e da sua irrefreável ganância, numa degradação a olhos vistos da condição humana, do desenvolvimento sustentável, competitivo e solidário.
Como poderão os cidadãos desejar um Bom Ano Novo, se os sentimentos que corroem as suas entranhas, os deixam cada vez mais preocupados e descrentes?
João Carlos Soares
Barreiro, 31 de Dezembro de 2012  

sábado, dezembro 22, 2012

A guerra social está na ordem do dia



O governo desencadeou uma guerra social contra os trabalhadores deste País, hipotecando o futuro das novas gerações e a sobrevivência das classes sociais da população mais desprotegidas. Impondo um retrocesso de que não há memória, impondo de forma cega, vingativas medidas de uma virulência pandemónica, utilizando instrumentos políticos e económicos de cunho imperialista, colocando-se ao serviço dos bancos e dos grandes grupos económicos europeus.

Esta crise política imposta pelo imperialismo alemão e francês, aos países periféricos como Portugal, Espanha, Grécia, Itália, entre outros, têm como objectivo o despejar e diluir de responsabilidades e consequências do peso da crise por eles iniciada em 2007, com o único objectivo de salvaguardar e impedir que os seus próprios interesses fossem atingidos em cheio por essa crise, empurrando a economia mundial para o abismo, deitando por terra toda a estratégia de domínio orquestrado para uma unificação política da europa, numa formato de capitalismo desenvolvido sem um mínimo de condescendência e solidariedade pelos mais pobres, como resposta que só poderá ter paralelo com a Grande Depressão, cujo epicentro se situa exactamente na Europa.  

Desta forma, a política da União europeia, chefiada e comandada por lacaios da Srª Merkel, Durão Barroso e afins, não é mais do que um instrumento para consolidar a hegemonia burguesa da Alemanha sobre a Europa. Essa estratégia, numa primeira fase conseguida através dos diversos planos de saque sobre os Gregos, foram o alerta que a poucos incomodou de um drama, que alguns preconizaram mas não tiveram aliados, que se adivinhava e que viria a cair por toda a Europa periférica.

A única resposta séria e combate a essa estratégia, somente teve como protagonistas os trabalhadores e os sectores socialmente mais desprotegidos, aos cortes e reformas que começaram a ser impostas, que ganharam forma e algum destaque através das greves e manifestações que encheram os espaços públicos, divulgados através dos órgãos de comunicação social, em Portugal, Espanha e Itália.

Com a conivência do governo de Paços Coelho e do seu aliado Paulo Portas, ficaram escancaradas as portas para uma marcha organizada para atingir e varrer as conquistas alcançadas pela classe trabalhadora, alinhando com as técnicas imperialistas emergentes, na quota-parte do saque da riqueza nacional, num processo de ampliação, submissão e recolonização por parte, antes de mais, do capitalismo alemão.

Não sendo na sua génese, desde a sua criação, objectivo dos membros que o constituíram, o euro passou a ser um instrumento que se constata ter sido a arma fundamental para conseguir a hegemonia alemã sobre o resto da Europa, servindo ao mesmo tempo para afirmar a supremacia, em primeiro lugar, da indústria alemã, que multiplicou a exportação dos seus produtos para aos países, como Portugal, Espanha e Grécia, promovendo paralelamente a desindustrialização desses países, cujos prejuízos orçamentais foram sendo financiados com os excedentes de capital dos bancos alemães e franceses, que não tiveram dúvidas e alimentaram estes processos degenerativos da economia, como a especulação criada em torno da bolha imobiliária.

Ao mesmo tempo que este processo ganhava expressão, estes países afundavam-se num mar de dúvidas e dívidas, os bancos apresentavam produtos e soluções de crédito, com lucros consideráveis e afirmando-se cada vez mais junto dos sectores como a construção e energia, áreas sem qualquer importância e sem qualquer risco para o domínio exportador alemão. De países beneméritos aos olhos dos incautos são, nada mais nem menos do que autênticos agentes burgueses parasitas dos países esmagados e submetidos ao peso e consistência da máquina alemã, através da dependência e do financiamento da banca e das suas finanças.

Quando a partir da implantação do euro em 2000, e mais concretamente desde 2008, o endividamento das economias europeias, começaram a ter consequências dramáticas e reflectir a crise na superprodução capitalista, os Estados começaram a salvar os banqueiros e os grandes capitalistas e deram aqui o primeiro sinal de que tinha chegado o momento para se iniciar a maior guerra social contra a classe trabalhadora e sectores da população mais desprotegida.
Transformaram e aceitaram o endividamento dos bancos, que até então tinham embolsado grandes fortunas para os seus accionistas, em dívida pública, transformando aquilo que até então eram financiamentos e divida privada dos bancos, em endividamento público do Estado. 

Essa crise da então autodenominada dívida pública, converteu-se assim na grande justificação para que fossem abertas as hostilidades para uma guerra social sem precedentes, e instrumento privilegiado do capital financeiro para se apropriar da riqueza à custa do empobrecimento massivo das populações, e utilizado com o beneplácito dos governos e governantes desses países, incluindo Portugal, como arma para nos submeterem às vontades do sistema capitalista, e em particular da Alemanha, através de medidas restritivas e que colocam em causa a soberania do nosso País.

O autêntico atentado e medidas criminosas impostas com os cortes nos orçamentos públicos, os quais implicam o completo desmantelamento e privatização dos serviços públicos básicos de saúde, pensões, aumentando de forma vertiginosa a pobreza com o aumento de famílias inteiras no desemprego, as tentativas descaradas de ataque ao serviço público na área da educação, em conjunto com as tentativas e planos de privatização de todo o património nacional que ainda se mantem e permanece público, ajudam a liquidar em definitivo uma das maiores conquistas de Abril, a negociação colectiva, entregando os trabalhadores à arbitrariedade patronal, com todas as facilidades para despedir com custos ridículos,e meios para aplicar uma redução drástica e geral dos salários.

João Carlos Soares
Barreiro, 22 de Dezembro de 2012