A desacreditação nos políticos, uma vez alcançado o poder, provocada
pela falta de seriedade e incumprimento de promessas eleitorais,
aumentam a desilusão dos eleitores e desgastam ideologicamente o regime
democrático representativo.
Esta situação faz temer o pior dos
cenários, se entrarmos numa crise de regime, e se os agentes
progressistas deste país, não assumirem a responsabilidade de devolver e
renovar a confiança dessas pessoas nas instituições democráticas,
enfrentando este ataque desferido por forças ansiosas de regressar ao
passado, cavando o caminho para a tragédia, abdicando da defesa dos
direitos e interesses dos cidadãos.
Não podemos permitir o desvario
com que o atual governo, mostrando uma completa desorientação, com a
complacência de Cavaco Silva, escondendo dos portugueses a realidade
orçamental, os números preocupantes de desemprego, o crescendo da
dívida, contrariando as declarações públicas do ministro das finanças,
abdicando para uma entidade externa, a Troika, o direito constitucional
de sermos nós, a decidir no futuro, o que pretendemos para o país.
Este grupelho de idiotas, governantes sem um pingo de decência, sabem
perfeitamente que, o fardo com que pretendem sobrecarregar a classe
média, conduzi-la-á à ruina, numa sociedade, já de si, benevolente e
estigmatizada, sem condições de mercado nem oportunidades para usar a
sua condição empreendedora, conhecimento e orientação ideológica,
condicionando as condições de vida, num Estado mal gerido e
desorganizado, incapaz de reconhecer o mérito ao cidadão comum,
possibilitando e escancarando as portas para a expansão e crescimento de
forças totalitárias, garantido por um Estado de conveniência e um
Presidente da República à medida dos lobies europeus.
Por esta e
outras razões, devemos manter o discernimento das ideias, a nossa
capacidade e visão do futuro, sem nos deixarmos amedrontar nem
impressionar pela provocação musculada das polícias perante a nossa
contestação, atitude e pensamentos, mantendo-nos firmes na defesa
daquilo em que acreditamos, porque se assim não for, estaremos a abdicar
dos nossos direitos de cidadania e, dificilmente se compreenderá, no
futuro, a nossa atitude no presente.
A pujança de uma sociedade,
perante as grandes decisões, só poderá ser avaliada pela capacidade
inabalável e de unidade do seu povo, a elevação nos momentos difíceis,
sinalizando e compreendendo os princípios, objetivos e finalidade da
ação, por forma a garantir o sucesso, numa luta sem tréguas e dirigida
com convicção, como condição indispensável para se alcançarem
resultados.
A inversão de valores e a ação predatória de governos
hipotecados aos interesses económicos conduziram, de forma maquiavélica,
impiedosa e prepotente, num total desrespeito pelas regras, nas
relações entre o trabalho e o capital, oprimindo e chantageando os
trabalhadores, num momento único da nossa história, com o único
propósito de implementarem um modelo de desenvolvimento económico,
excludente, retirando e explorando as mais-valias do mercado de
trabalho, sem qualquer compromisso ético, nem moral, para a
sustentabilidade social das gerações futuras.
Perante um quadro tão
adverso e inquietante, há que pensar, com urgência, o custo social a
pagar pelos cidadãos, onde a tónica dos governantes, assenta na prática
de um exercício de poder impiedoso, associado à criação de desigualdades
e níveis de exploração de trabalho e pobreza cada vez mais
desumanizados.
Uma pergunta que fica quase sempre sem resposta, “porque chegaram a este ponto de endividamento?”.
A razão para a qual alguns países, como Portugal, Espanha, Irlanda,
Grécia, Itália, Chipre e outros, se endividaram a este ponto quase sem
retorno, deve-se essencialmente à política ideológica e expansionista de
nações com poder económico e tecnológico, muito superior a estes
países, que, na ânsia de dominar uma parte deste sistema, suportado por
uma génese capitalista, foram comprando a lealdade desses países,
através de créditos generosos, sem se preocuparem minimamente como esses
empréstimos estavam a ser utilizados.
O resultado desta atitude,
levou a que esses fundos, em vez se serem utilizados na renovação e
implementação das nossas indústrias, marinha mercante, agricultura e
pescas, construção naval, entre outras, servisse para o desmantelamento
de toda uma estrutura produtiva nacional, acabando com a frota
pesqueira, encerrando fábricas, pagando aos agricultores para deixarem
de cultivar os campos, colocando as necessidades primárias do país, à
mercê dos mercados internacionais, tendo por isso mesmo, que procurar na
importação, aquilo que se deixou de produzir e transformar em Portugal.
Resultado destas políticas suicidas, mas premeditadas, os recursos
financeiros dos cofres estatais, ficaram á mercê dos credores, para o
pagamento dos juros de empréstimo, não sobrando praticamente nada, para o
investimento. Não é preciso ter nenhum canudo universitário, para se
perceber quanto são dois vezes dois. Não pode haver desenvolvimento,
quando não existe capacidade financeira para o investimento, e assim, o
desequilíbrio da balança, penderá inevitavelmente para o lado dos mais
fracos..
O governo, vazio de ideias, continua a alimentar soluções
sem capacidade de autofinanciamento, onde as classes ricas e favorecidas
da sociedade, em conluio com o governo, mantém, alimenta e perpetua as
desigualdades, vendendo o país a retalho, aplicando impostos sobre
impostos, de cada vez menos contribuintes.
Celebrar o dia de
Portugal, mais parece um sofisma, quando a soberania do país se
desmorona como um castelo de cartas, ao peso dos desvarios financeiros
de diversos governos, num período de incertezas, onde os discursos,
pouco ou nada equilibrados face ao contexto atual do país, onde a pouca
assertividade das mensagens dos mais altos dignatários da nação e o
repúdio público, expresso pelas populações, deixam antever momentos
crispados num crescendo de contestação preocupante, num tempo de
dificuldades da população, perante os reais desafios que enfrentamos.
Os desafios que se nos deparam, são avassaladores e inquietantes, com
um agravamento constante da taxa de desemprego, onde pessoas excluídas
do mercado de trabalho, não possuem meios para se sustentar a si
próprios e aos seus familiares, naquilo que poderá ser já neste momento
um drama humano. Uma coisa temos que entender, nunca poderemos abdicar
da nossa responsabilidade e deixar que a estupidez e hipocrisia
voluntária dos nossos governantes, egoístas e moralmente cobardes, nos
impeçam de levar a efeito ações coletivas que visem a defesa dos nossos
direitos e valores consignados pela Constituição da República.
Conscientes que, na atual conjuntura do país, a greve, é o último e
único argumento ao dispor dos diversos setores de trabalho, necessária
neste momento para combater e confrontar o egocentrismo de governantes
que não respeitam os trabalhadores, nem a Constituição da República, a
greve representa, ao contrário do que dizem aqueles que estão ao serviço
e subjugados a este poder tirânico, um ato de coragem para quem a
decide e para quem a faz.
João Carlos Soares
Barreiro, 11 de Junho de 2013
Pretende-se neste Blog, escrever sem qualquer tipo de condicionantes, desde que os conteúdos não possam vir a ferir a susceptibilidade de cada um e de todos em geral.
quarta-feira, junho 12, 2013
quarta-feira, junho 05, 2013
A Esquerda Unida Jamais Será Vencida!
Passos
Coelho, com o seu discurso de raiz ideológica neoliberal e a determinação em
afundar o país numa crise económica de que não há memória, completamente afastado
das linhas de orientação, próprias de uma social-democracia europeia, virou à
direita, mostrando tiques esquizofrénicos e fascizantes, num total desrespeito
pelos direitos consignados pela Constituição Portuguesa, sobre a qual jurou
lealdade.
Que
esperar, portanto, de um governante que, não respeitando a Constituição do seu
País, se colocou de quatro, perante uma Alemanha que, a todo o custo, pretende
ver concretizado um sonho diabólico, por outro tentado, substituindo as armas
do terror Nazi, por outras armas, estas económicas que, com o mesmo objetivo, dilaceram
e destroem compulsivamente, o futuro de gerações subjugadas à tirania de uma
casta de magnatas que dominam o espetro económico em que estamos inseridos.
Esta
situação só foi possível, graças à luta desenfreada entre as forças progressistas
de esquerda que, nunca souberam deixar para trás as suas diferenças,
aproveitando aquilo que as podia unir, a defesa dos direitos daqueles que
representam, o Povo. É o que temos vindo a assistir ao longo de quase quatro
décadas de democracia, onde a apetência ditatorial da direita à espreita, aproveitando
essa fraqueza e ódio entre os partidos de esquerda, alimentaram uma direita
envergonhada e nunca assumida, disfarçada de social-democracia, que passadas
quatro décadas, aparece sem medo e pujante, numa autêntica compilação do que
Salazar fez quando subiu ao poder, instaurando uma ditadura predadora dos
direitos de cidadania, que os Portugueses não podem nem devem esquecer.
Torna-se
necessário e urgente, uma união progressiva dos partidos de esquerda, centrais
sindicais, movimentos progressistas independentes, militares e forças
policiais, em torno de um objetivo, a ação e rejeição incondicional da atitude ideológica
desta coligação no poder (PSD, CDS, Presidente da República), que contrariam a
vontade expressa dos homens e mulheres que lutaram e contribuíram na
clandestinidade, para que os militares de Abril libertassem o Povo das amarras
do fascismo.
O que
este governo prepara, e nos deve deixar apreensivos é, a quebra de unanimidade na
sociedade civil sobre os princípios basilares do regime, optando por uma guerra
ideológica desenfreada contra a Constituição, violando constantemente
princípios fundamentais, numa altura em que o consenso deveria ser a prioridade
para ultrapassarmos as dificuldades num contexto europeu.
No
meio desta tempestade financeira dos países mais carenciados, em que nos
encontramos, o 1º ministro, mostrando total falta de bom senso, ou então de
forma intencional, utiliza a crise instalada, como móbil para desencadear uma
guerra contra o regime, desrespeitando a Constituição e confrontando as
decisões do Tribunal Constitucional, exatamente o órgão responsável por fazer
cumprir os princípios e desígnios da nossa democracia.
O
resultado desta desgovernação e desmando constitucional, para além de ter mergulhado
o país numa enorme crise económica, sem fim à vista, parece estar a conseguir
fazer, aquilo que nenhum político ou governo conseguiu fazer em Portugal, desde
o 25 de Abril de 1974, que é, finalmente, colocar os partidos de esquerda e
centrais sindicais, todos do mesmo lado, esperando nós que, e na continuidade
desta ação, os líderes de esquerda consigam ultrapassar as suas diferenças, em
prol da defesa dos princípios elementares da Democracia, dos Cidadãos e de Portugal,
sem preocupação de quem a lidera, apostados sim na força que essa união
produzirá, que será derrotar este governo, déspota e reacionário.
Dia
17 de Junho, o Povo deve unir-se em torno dos professores, apoiando-os, naquele
que será o primeiro teste de avaliação ao ministro da educação e governo,
quanto ao respeito pelo direito à greve, consignado pela Constituição
Portuguesa, e que terá o seu ponto alto dia 27 de Junho, apelando-se, a todos
os Portugueses, que demonstrem a sua indignação e repúdio por este governo que
não os respeita.
João Carlos Soares
Barreiro, 05 de Junho de 2013
terça-feira, maio 14, 2013
Os meus olhos e os meus ouvidos em Medina Carreira
“Olhos nos Olhos”, um programa que, semanalmente
prende aos écrans da TVI 24, milhares de Portugueses, famintos e interessados
em tentar perceber toda uma panóplia de tristes episódios, no que às questões da
economia diz respeito, deveria ser um palco de informação esclarecedora aos
cidadãos, onde os diversos temas e questões apresentadas, deveriam ser abordadas
e discutidas com frontalidade e sem demagogias, citando um ditado popular; “chamando
os bois pelos seus nomes”.
Pelo contrário, constatamos que se tem
transformado, de programa para programa, numa autêntica telenovela, de enredo
em enredo, onde a principal figura, Medina Carreira, conhecedor dos meandros e
também ele responsável, enquanto ministro das finanças, antes e já depois do 25
de Abril, da situação a que conduziram as finanças e economia do país, se apresenta
como se fosse a única pessoa neste país, com inteligência e sabedoria.
Por triste sina a nossa, a inteligência e esperteza
com que os deuses dotaram este espécime rara, pouco ou nada sobrou para nós,
tal a petulância com que este senhor, perante as câmaras de televisão, rebaixa
a inteligência e o saber dos cidadãos.
Chegamos à conclusão que, esta sumidade dos
números, para além de ser um ser insensível ao sofrimento das populações mais
carenciadas, não passa de mais um entre tantos, a limpar a cara das suas
responsabilidades, atirando de uma forma vergonhosa, as culpas para cima daqueles
que menos culpa têm da atual situação a que o país chegou, mas que
infelizmente, vão ser aqueles a quem a fatura será apresentada.
Quando se pronuncia sobre as diversas
vigarices e atropelos do sistema, refere-se sempre aos outros, como se ele,
também não tivesse feito parte dos outros, enquanto ministro das finanças, durante
o período a que se refere.
No último programa, com todo o descaramento
do mundo, faz a seguinte afirmação: “Nunca ninguém foi preso ou condenado por
dívidas a credores”, até parece que é verdade, dito com esta espontaneidade, e
continua a sua dissecação; “essa conversa do estado dever aos contribuintes,
portanto não poder deixar de devolver aos contribuintes, através de reformas,
os dinheiros que os mesmos lhe entregaram, para as suas reformas, não vale a
pena exigir, porque o Estado não tem dinheiro para pagar”, e continuando o
raciocínio desta sumidade; “portanto o Estado se não tem não paga e pronto”.
É chocante, se não ofensivo para a
inteligência de qualquer um, este tipo de afirmações, ainda mais vindo da boca
de quem vem. Não é que este senhor, confrontando situações idênticas, consegue
ter um conceito bicéfalo, ao dar uma interpretação a uma e outra interpretação
completamente oposta a outra que, no fim de contas, são no seu todo a mesma
coisa? Credores, caro senhor, são credores em todo o lado, razão pela qual, não
conseguimos enxergar aonde vai parar a sua esperteza saloia.
Quando se refere aos compromissos do Estado
para com os cidadãos, a dívida só será paga se houver dinheiro, se não houver
não se paga e os cidadãos que se amanhem como puderem, vão roubar, matem-se,
façam o que entenderem. Por outro lado, quando os credores são os magnatas
capitalistas do FMI, BCE e outros que tal, o seu raciocínio sofre uma invejável
inversão, porque para pagar os compromissos com os senhores da tróica, a conversa
muda de figura, os direitos dos cidadãos deixam de existir e são completamente trucidados,
porque é preciso é pagar, seja de que maneira for, mesmo que para isso se ponha
a maioria da população na miséria.
Não caro senhor, nós não somos assim tão
burros e muito menos estúpidos, como pretende fazer-nos passar, nós sabemos
quem somos, o que queremos e para onde vamos, e uma coisa sabemos nós, não é
para onde o senhor e os senhores como você nos pretendem atirar.
Costuma dizer o povo, que “quem com fogo
mata, com fogo morre”, pois será com fogo que iremos retribuir.
Empenhou-se o país, através de fundos que
serviram para encher os cofres de uma série de oportunistas, que na refrega de
uma revolução onde as liberdades e os direitos foram repostos, de mansinho,
pé-ante-pé, foram metendo a mão até romper o fundo do saco, e agora que não têm
remendo para tapar o buraco, estão bem acomodados de barriga cheia, os
parvalhões que paguem a crise.
O problema deste país, não são os
trabalhadores, os reformados e os pensionistas, o problema está neste e noutros
governos recheados de suprassumos, gente de elite, que saindo encapotados da
sombra dos partidos, julgam-se superiores e mentalmente dotados, ao invés da
avaliação que fazem das pessoas, do povo em geral, que para eles não têm
inteligência, cultura ou saber.
Esses suprassumos consideram-se seres
superiores, pertencentes a uma casta privilegiada, num patamar de sabedoria,
inacessível para aqueles a quem subjugam, e exploram, como se fossemos
atrasados mentais, que mesmo que se esforcem nunca lá conseguirão chegar.
Alguns, como Medina Carreira, e são bastantes
para nossa desgraça, até parece que têm convulsões, tal o horror de ter de
partilhar a vida com o povo, que entendem ser “gente sem ponta por onde se lhe
pegue”, termo por ele muito utilizado.
Face a esta lamentável postura de sobranceria
e falta de valores de cidadania, estes iluminados, esta raça de privilegiados,
volta não volta, lá deixam escapar entre as portas do cinismo, o que na
realidade pensam do povo, mas que por se acharem superiores, ainda conseguem
reprimir durante uns tempos, mas que mais tarde ou mais cedo, não aguentam e
por uma vez dizem o que sentem.
Esta casta de gente, sente um enorme desdém e
repulsa pelo povo que os enfrenta e confronta com a triste realidade, porque
acham que os seus cérebros pensam mais rápido que todos nós, acusando-nos de
preguiçosos, achando até que, o desemprego poderia ser uma excelente oportunidade
para o normal cidadão mudar de vida, como afirmou outro iluminado, António
Borges e bem mais recentemente outra sumidade, Belmiro de Azevedo que afirmou, "Não
sei porque não deve haver economia baseada em mão de obra barata. Senão não há
emprego para ninguém.", Pergunto eu: porque não, baixar os lucros?
Usando um termo popular, “pelo andar da
carroça”, qualquer dia serão mais os burros, que as mentes privilegiadas, tal o
crescendo de contestação de alguns que, até há bem pouco tempo, também eles se
achavam génios, Manuela Ferreira Leite, Carlos Abreu Amorim, Bagão Félix,
Ferreira do Amaral, Pacheco Pereira, entre outros, mas que se pode vir a
transformar no mais inacreditável dos milagres, a transformação de génios em
burros.
Vamos acreditar que perante tão grande afronta
ao povo, possamos assistir ao completo repúdio e rejeição, desta elite insidiosa
e vil, pelos cidadãos enganados e explorados deste país.
João Carlos Soares
Barreiro, 14 de Maio de 2013
domingo, maio 12, 2013
O Sistema Político está em coma!
Estamos na altura, em
que todos quantos ambicionam viver numa sociedade livre, no respeito pelos
princípios da igualdade de oportunidades, se devem unir, assumindo esta trabalhosa
e esgotante batalha pela liberdade de expor as suas ideias, manifestar e
discutir os seus pontos de vista, através de movimentos organizados, defendendo
o direito ao trabalho, ser livres e soberanos no destino das nossas vidas e, não
ser impedidos de alcançar os seus objectivos, seja por que razão for, podendo
escolher a forma de governo sob a qual pretende viver.
Disfrutar desse
princípio de liberdade, para qualquer sociedade, significa que todos os
cidadãos devem ter a oportunidade no direito ao trabalho, poder manter os seus
direitos, cumprindo com as suas obrigações, em total reciprocidade com os
deveres Estado.
As sociedades contemporâneas, construídas sobre o
sustentáculo do capitalismo, num sistema de organização social baseado na
propriedade privada e apoiado na divisão de trabalho, têm alimentado a ideia de
que qualquer outra forma de organização, como o socialismo, será impossível de
se enquadrar num contexto de civilização moderna, estratificada em conceitos de
conveniência económica, tão do agrado da propriedade privada e dos grupos
económicos internacionais, que dominam as economias e as trocas comerciais
entre países.
Por causa da exploração e desigualdades resultantes do
sistema capitalista, começam a surgir de forma maciça, movimentos que de certa
forma, ao longo de décadas começaram a fustigar o sistema, pela razão de que o
capitalismo gera monopólios, contribuem para o desemprego e para o desperdício,
pela falta e ausência de mecanismos que assegurem o pleno emprego.
Nos últimos anos de democracia, temos estado a
assistir à decomposição e falência do sistema produtivo capitalista. Por essa
razão, assistimos a um crescendo de contestação nos mais diversos sectores da
sociedade, porque esta crise apresenta-se como o fim de uma época de expansão
capitalista, criando-se condições para um novo ciclo, se não à escala mundial,
pelo menos numa Europa completamente dominada economicamente pelos lobbies de
mercado, com principal incidência da Alemanha.
Manifestação após manifestação, são cada vez mais as
vozes em uníssono, que se fazem ouvir, reclamando um novo rumo político para o
país, pondo termo a uma autoridade imposta pelos desmandos e desvarios de
governantes irresponsáveis, que não são responsabilizados e criminalizados
pelos seus actos, na justiça, e que continuam a alimentar a ilusão das
populações contribuintes, de que são necessários mais sacrifícios em nome do
futuro, um futuro que continuando neste rumo, não passará de uma tormenta para
várias gerações.
Para suster a pilhagem, a que estamos sujeitos, para
por termo aos privilégios dos grandes patrões, dos gestores, banqueiros e da
pandilha de políticos que os servem, para por fim e acabar com a acção dos
especuladores e corruptos, garantindo a independência das instituições, e
assegurar emprego e dignidade às populações, é preciso derrubar as barreiras
que dividem e travam as aspirações entre os diversos movimentos organizados,
partidos cuja base ideológica e raízes, deveriam defender as populações e o
direito à igualdade de oportunidades, seja qual for a sua condição social, centrais
sindicais, associações, para fazer frente aos desafios da actual situação,
contrariando a ideia que não há alternativas à força cega do capitalismo.
Temos que compreender que esta crise em que vivemos,
contrariamente à mensagem que pretendem passar, não se trata apenas de uma
quebra nas diversas economias ou negócios, mas o que se passa é a putrefacção
deste sistema político, na falência total de uma civilização assente nos
mercados especulativos, razão pela qual esse novo ciclo que se pretende ver
implementado a nível mundial, desenrolar-se-á num patamar de desenvolvimento
muito superior, onde será preponderante o apoio e a participação de uma classe
trabalhadora muito mais abrangente e instruída, que no passado.
Face ao actual estado a que as nações chegaram, onde a
violação de direitos constitucionalmente consignados são constantemente desrespeitados,
onde o Estado deixou de ser considerado pessoa de bem, pelos cidadãos,
proporcionam condições para o sucesso de um estádio de igualdade mais avançado,
capaz de derrubar relações sociais que provocam incompatibilidades, fracturas e
desigualdade.
Uma crise, como a que a Europa está a viver, espelha a
decadência deste tipo de organização suportada por um sistema capitalista, que
se arrasta penosamente, sobrecarregando com impostos sobre impostos os
trabalhadores, reformados e pensionistas, sem um fim à vista, vendo-se a forma
descarada como os governantes, coniventes com este sistema, se deixam corromper
pelos senhores dos grandes grupos económicos, numa transferência brutal e
acelerada de riqueza para o capital, através do empobrecimento dos mais
desfavorecidos, o Povo.
Estamos envolvidos numa batalha, desencadeada por uma
burguesia faminta de protagonismo, num confronto de classes, onde as
expectativas de bem-estar e progresso desapareceram. O pacto-social não passa
já de letra morta no papel, com um ataque desenfreado à classe trabalhadora,
através de uma exploração baseada no medo, retirando-lhe direitos laborais e
sociais, numa aposta de empobrecimento da população, através do desemprego
maciço.
Através de medidas inconstitucionais, tentam aplicar o
golpe de misericórdia e colocar trabalhadores contra trabalhadores, como está a
acontecer em Portugal, colocando funcionários públicos contra trabalhadores do
sector privado, com a desculpa de implementarem políticas de equidade entre os
dois sistemas de segurança contratualmente em vigor.
Nos partidos onde os trabalhadores mais politizados
ainda vêem uma trincheira de defesa e contestação, perdem de dia para dia influência
e, por vezes, assumem com resignação e sem meios, qualquer capacidade de
intervenção para impedir o rumo dos acontecimentos.
Neste momento ninguém acredita na possibilidade de
derrubar ou substituir as classes actualmente no poder, através de uma
revolução social e pacífica, muito menos mudar os administradores do actual poder,
arrastando irremediavelmente para o fundo a economia do país, e a nossa própria
soberania, sem que algo aconteça da parte de quem deve estar ao lado dos mais
desfavorecidos, e que se deve colocar ao lado do Povo, no cumprimento dos
desígnios que ditaram o fim do Estado Novo.
Num país onde a nossa soberania está cada vez mais dependente,
só podemos contar com um dia de amanhã pior que o de hoje, portanto uma geração
desiludida e frustrada, uma sociedade comprometida, uma sociedade que caminha a
passos largos para o abismo social e económico.
O sistema político vigente, nesta democracia enferma, de
tal forma enredado em permanentes contradições, já não consegue resolver por si
só, os problemas por ele criado, pelo que está na hora de um corte total e ao
apelo para um movimento de sublevação nacional, colocando um ponto final nestas
relações promíscuas dos governantes com o sistema capitalista que grassa pela
Europa.
João Carlos Soares
Barreiro, 12 de Maio de 2013
quinta-feira, maio 02, 2013
1º de Maio - Uma tragico-comédia Vicentina
Este 1º de Maio, esperado e desejado como um dia
de contestação e luta, não passou de mais um dia entre tantos outros,
confirmando uma triste realidade de que poucos se deram conta, que poucos
comentaram, talvez mais triste que a própria morte, no entanto o facto é que se
sentiu um frio arrepiante a percorrer-nos a espinha, num sentimento difícil de
aceitar e acreditar, porque no essencial a contestação pública, se não morreu,
está moribunda.
Morreu a contestação pública contra a voracidade
fiscal do Estado, morreu a contestação pública contra as promessas, e para que
não pairem dúvidas sobre isto, afirmo que a contestação pública perdeu toda a
importância e oportunidade ao optar por deixar de exercer pressão direta sobre
aqueles que, usando e desviando fundos ou manipulando o destino de instituições
públicas, transformaram este país, desvirtuando uma identidade respeitável, de
nação, construída ao longo de nove séculos.
Morreu a contestação pública contra a falta de justiça,
para repor as aspirações das relações de direito privadas e entre particulares,
individuais ou coletivas, consignadas pela Constituição Portuguesa, sob a capa
de uma crise instalada e provocada exatamente pelos interesses de uma Alemanha
apostada em dar o abraço de urso aos países com menos capacidade de regeneração
económica, como Portugal, colocando uma guilhotina sobre as nossas cabeças que,
ao primeiro movimento de afrontamento, poderá provocar uma ferida na nossa
soberania e independência, que muito dificilmente conseguirão estancar.
As empresas portuguesas vivem descapitalizadas, num
ambiente pouco ou nada favorável, onde a abertura dos mercados, uma moeda forte
e o desenvolvimento das infraestruturas e dos meios de comunicação e
transporte, a inovação tecnológica e a concorrência, criam um embaraço a
países, como Portugal, que em vez de utilizar e aplicar os fundos europeus no
desenvolvimento e incremento das nossas atividades produtivas e de
transformação, preferiu capitalizar a banca, seguindo o caminho do
desmantelamento da nossa economia, a troco de alguns tostões.
As medidas recentemente apresentadas pelo
ministro das finanças, qual trágico-comédia Vicentina, supostamente
provisórias, nada têm de provisórias, pelo contrário, elas são um veículo de
empobrecimento da população, através do desmantelamento de toda uma estrutura
económica e financeira do Estado, e na entrega das mais-valias aos
capitalistas, que durante quarenta anos de democracia, se foram impondo com o
beneplácito dos diferentes governos, num atentado contra a natureza humana,
explorando a mão-de-obra, retirando-lhe capacidade reivindicativa, deslocalizando
empresas rentáveis, para países onde subsiste a mão-de-obra sem qualquer
capacidade reivindicativa e barata, e subjugando o trabalho à força do capital,
arrasando por completo o já precário Estado Social em que vivemos.
No dia em que políticos irresponsáveis forem
chamados à justiça e processados criminalmente por obras mal planeadas, mal
conduzidas e, sobretudo, sem projetos sérios e de interesse público, poderemos
ter esperança que a corrupção não mais será objeto de impunidade.
Dar-se-á início ao ajuste de contas com os
políticos corruptos, que governaram ou tomaram decisões que vieram a prejudicar
o património de toda uma nação, levando-os perante as barras dos tribunais e,
subsequentemente, depois de julgados e incriminados, expropriados dos bens e
valores considerados prova dos seus atos reprováveis, na gestão da coisa
pública e colocados atrás das barras da cadeia, onde é o seu lugar.
A nível europeu, parece que as soluções
encontradas, a médio e curto prazo, para a recuperação e estabilidade dos
países intervencionados, se resumem a um conjunto de teorias e fórmulas,
aplicadas a esses países, esquecendo-se de que essas medidas, aplicadas sem
levar em consideração a vida das pessoas, numa total inconsciência e irresponsabilidade
dos governantes, de que não se dão conta, quando a verdadeira crise não é esta
que discutem, mas a insustentabilidade e incapacidade desses países reporem os
seus recursos e serviços necessários para um equilíbrio sustentável das
comunidades.
Com este tipo de atitude, assistimos à
degradação do crescimento económico nesses países, transformando-se num
paradigma de desenvolvimento sustentável enganador, de acumulação de riqueza
mundial de uns quantos, que levará em pouco tempo a humanidade à fome e à
ruína, porque na implementação dessas políticas, em primeiro lugar o que conta
são os mercados, os bancos, o sistema financeiro e só por último se leva em
consideração a condição de vida das pessoas.
Receio que, com a complacência dos governos e
alguma acomodação das populações, daqui a alguns anos, olhando para o passado,
os nossos filhos e netos tenham motivos de sobra para nos amaldiçoar, e de nos castigarem
com um enorme desprezo, porque não intervimos quando o deveríamos ter feito.
Sabendo os riscos que corríamos, preferimos
mantermo-nos no Euro, para continuarmos a receber o bónus pela integração numa
federação europeia que se afundava a olhos vistos, liderada pelos interesses
Alemães, preferindo hipotecar e arrastar e as gerações futuras para o abismo.
Tal resultado advém de uma crença quase
religiosa de que a solução da atual crise sistémica se encontra no mesmo veneno
que lhe deu origem, a economia. Não se trata da economia que garante as bases
materiais da vida, mas daquela que nos últimos tempos, de uma vez só, deu um
golpe de misericórdia na política, na cultura e na ética, e se instalou de
forma soberana, como único motor capaz de fazer evoluir as sociedades.
Este tipo de solução tem, como único objetivo, o
acumular de riqueza até à exaustão, regendo-se por uma feroz concorrência e
desequilibrando as relações e oportunidade entre os povos.
João Carlos Soares
Barreiro, 02 de Maio de 2013
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