Pretende-se neste Blog, escrever sem qualquer tipo de condicionantes, desde que os conteúdos não possam vir a ferir a susceptibilidade de cada um e de todos em geral.
sexta-feira, janeiro 03, 2014
O Custo da Nossa Indiferença.
domingo, janeiro 24, 2010
É PRECISO MUDAR

A corrupção dos políticos é de entre outras, o tipo de corrupção mais próxima do conhecimento público. Contudo, a corrupção dos políticos, não se inicia, nem termina na sua denúncia e “afastamento”, retirando-lhe oficialmente o acesso directo às comissões públicas, ao poder para tirar vantagens próprias, para enriquecimento pessoal, ou de favorecimentos de determinados grupos ou elites, transformando-se e dando origem a uma doença com níveis preocupantes.
Existe um outro tipo de corrupção instalado na política, com ramificações e tentáculos muito mais difíceis de detectar e sanar, do qual ninguém fala, a qual se propaga e instala no sistema político.
Não estamos a falar de privar ao bem público os seus direitos, mas diante de influências questionáveis tomarem-se decisões em proveito de grupos instalados e não com vista ao que deveria ser do interesse para a resolução dos problemas que o País enferma. Trata-se pois, de um sistema corrompido por influências para favorecer determinadas facções elitistas da sociedade, em vez de nos representar para criar melhores condições de vida a todos nós.
Não estamos a falar só de procedimentos ilegais, agora nas primeiras páginas do tablóide nacional e que daí não passa, mas também de dar provimento a decisões, algumas até certo ponto sem lógica aparente, por vezes com algum grau de estupidez e mesmo contraproducentes numa democracia participativa que se exige.
É pelo contrário a destruição e adulteração de um sonho que não deixaram evoluir, que já não nos representa e que está a ser construído para não funcionar.
O estado calamitoso incrementado pelas franjas da governança instituída que teimamos em permitir, consentido com o nosso voto o acesso aos órgãos de poder de gente sem um mínimo de clarividência de ideias nem experiência de vida, os quais se desconhece ou nunca deram algum contributo cívico para o merecerem, fazem com que esta doença epidémica atinja foros de pandemia, da qual não se vislumbra fim à vista.
Não é possível atribuir um qualquer certificado de qualidade aos políticos, para os diferenciar, apresentando uns como mais ou menos qualificados que outros para a função. No entanto, para se aceder a patamares de decisão, que vão influenciar e ditar num futuro o desenvolvimento de um país, alimentar a esperança ou não de geração em geração, devemos exigir dos líderes partidários, independentemente dos partidos no poder, uma escolha efectiva de gente que tenha capacidade para governar, decidindo, respeitando e garantindo os direitos dos seus eleitores, não os usando para moeda de troca para negócios de poder, quando deveriam preocupar-se em dedicar algum tempo a arrumar soluções contra a corrupção do sistema político, de que são responsáveis.
Esse compromisso deveria ser assumido pelos líderes deste país, numa postura efectiva de apoio a uma série de medidas que contribuíssem para aumentar eficazmente a transparência nas decisões de estado.
O Estado tem que de uma vez por todas fazer um esforço no sentido de diminuir a influência dos patrocinadores económicos partidários nas decisões fundamentais e estruturais do país, fazendo com que os políticos e as políticas defendam, como grupo de representantes da sociedade, a discussão de ideias para uma solução da crise em que vivemos, melhorando a condição de vida das famílias, e não um bando de vendedores profanos ideológicos, cuja intenção se resume a pensar em votos e a agradar os seus financiadores.
Quer queiram entender, ou não, as alterações a este sistema corrompido têm que ter alguma solução e rápida para a mudança, porque o cinismo como a questão é assumida por alguns e a relação nas possibilidades de mudança, só parecem interessar a quem gosta e lhe interessa continuar a chafurdar na lama em que vive.
O sistema político, além da corrupção que diariamente chega ao conhecimento público, começa a ser de uma ineficácia por vezes surreal, baseado num modelo ultrapassado e nada actual com a realidade e novas necessidades das gerações futuras.
Está na hora de sermos muito mais ambiciosos connosco próprios, começando para já a pensar na necessidade urgente de refundar um sistema político, consertando os problemas que o afligem, onde os políticos malandros não tenham lugar nem hipótese de manter o seu tráfico de influências.
João Carlos Soares
domingo, dezembro 06, 2009
Preocupações

Neste processo corrosivo e perigoso, as instituições que deveriam pugnar para expurgar estas santas alianças, elas próprias se vêm condicionadas e agrilhoadas por uma panóplia de segredos de justiça, com os expedientes só possíveis num sistema onde, a hierarquia de clãs com base político partidária, quase sempre conotadas a esses grupos económicos, procuram perpetuar nos diversos níveis de poder e decisão, uma elite de privilegiados, em proveito próprio.
Sendo os partidos políticos os agentes de um poder democraticamente constituído, disputando a sua manutenção e liderança, tornam-se, nessas disputas, os alvos privilegiados dessas elites, sedentas por manter no poder ligações a executivos que lhes facultem e concedam acessos às grandes negociatas do regime, mesmo que para o efeito tenham que abrir de mão a quantias volumosas e outros favores.
A forma descarada como os lugares de administração desses grupos são preenchidas, quer por quadros de forças partidárias, quer por ex-membros do Governo ou Instituições públicas, levam a que a promiscuidade do tratamento entre o público e o privado, que deveria ser da maior transparência, enverede por caminhos nebulosos e lamacentos, como aqueles a que nos últimos anos temos vindo a assistir.
Perante este cenário de total falta de controle e fraude na máquina administrativa do Estado, as dificuldades com que o acompanhamento da sua gestão é feito, ou lhe é permitido nos diversos órgãos de soberania, será possível alguma vez podermos responsabilizar e fazer pagar a todos esses senhores os prejuízos que causaram à Nação?
A reforma política do Estado exige rapidamente mudanças na forma de gestão da coisa pública, através da necessidade de uma maior avaliação de desempenho dos governos, quer central quer local, na implementação dos orçamentos participativos e movimentos de cidadania, em função das promessas que os partidos fazem quando em campanha eleitoral, em função e defesa do interesse público.
Independentemente dos partidos que estiverem no poder, a opção recai sempre no planeamento e controle centralizado nas tomadas de decisão, em contraponto e oposição às verdadeiras políticas de descentralização e autonomia, quase sempre com a justificação que os conflitos de interesses e de valores podem e devem ser resolvidos pela via da decisão técnica e jurídica.
As dúvidas quanto ao futuro e desenvolvimento sustentável, só poderão deixar de existir na mente de todos nós, quando as organizações, as instituições públicas e os políticos, estiverem comprometidos na defesa da igualdade de valores na sociedade, no cumprimento das suas responsabilidades perante o respeito dos cidadãos, defendendo e apresentando alternativas para as questões que afectam a segurança e bem-estar de todos e em particular dos mais carentes, contribuindo de forma solidária na construção de uma sociedade justa.