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sexta-feira, janeiro 03, 2014

O Custo da Nossa Indiferença.



O país está em guerra, uma guerra injusta e penalizadora dos mais desprotegidos da sociedade, uma guerra surda e perigosa que, se a maioria dos Portugueses teimarem em manter o seu desinteresse pelos assuntos públicos, precipitará e conduzirá ao individualismo egoísta, à submissão às leis do mercado e consumo, perdendo-se o sentido do que deve ser comunitário, perdendo-se por completo a participação dos cidadãos na vida colectiva.
Se não assumirmos, neste contexto, que o desinteresse na participação activa e defesa do bem público, pode colocar em causa a sustentabilidade de toda a sociedade, aparecerão os oportunistas do costume, grupos que se movem por obscuras ambições e paixões particulares, que apropriando-se e saqueando a seu belo prazer, o que é de todos, traçam a negro os destinos de um povo.
Para além dos que não participam, por desconhecerem o seu papel no processo político, existem também os que, indiferentes conscientes, compreendem a situação, mas não tomam partido e encaram a vida política com cepticismo e desconfiança.
Esta apatia, por parte dos cidadãos, é quase sempre propiciadora a que surjam políticas autoritárias, e salvadores da pátria, falta de transparência, arrogância e falta de vergonha de alguns políticos, que têm o desplante de afirmar que, em campanha eleitoral não se pode falar verdade aos cidadãos, e que depois, são estes mesmos protagonistas, chamados a ocupar altos cargos governamentais.
Com estes actores políticos, assistimos ao crescendo da corrupção e desmandos, onde a ausência de controlo e de penalização, dos seus actos ocorrem, em grande parte, porque muitos renunciam aos seus deveres, enquanto cidadãos, tornam-se apáticos e assim impedem qualquer hipótese de se criarem diferentes alternativas de intervenção política.
Quando confrontados com a triste realidade social do país, os indiferentes, aqueles que se recusam a participar nas escolhas, esquivam-se das responsabilidades, porque não participaram de forma activa, com o seu voto, nessas mesmas escolhas, esquecendo-se que a ausência e a omissão também são formas de participação e que por isso, também são coniventes e estão implicados.
A vida deve ser feita de participação, através da tomada de partido de cada cidadão sobre as questões que a todos diz respeito, porque quem verdadeiramente vive, não pode deixar de ser cidadão e partidário. Por outro lado, a indiferença é a negação a um direito, tal como o parasitismo e a cobardia, não são formas nem a melhor opção de vivermos com responsabilidade e coerência.
A indiferença dos cidadãos, tem marcado a história e deixado tenebrosos testemunhos, com consequências devastadoras, engolindo nos seus abismos de lama os seus opositores e manipulando de acordo com visões limitadas e fins imediatos, a ambição desmedida e paixões pessoais de privilegiados grupos na sociedade.
Sentimos a revolta do Povo, perante as consequências, ouvimos os queixumes e os insultos, mas não ouvimos vozes a questionar-se, porque não cumpriram com o seu dever, quando deveriam ter procurado fazer valer a sua vontade.
O tempo é de unir convicções, ideais e militância cidadã, o tempo é de confronto, numa sociedade que não desejámos, submersa de lama até ao pescoço na perversidade, na corrupção, e como apregoam os governantes, à sombra de uma crise que irá servir para aperfeiçoar a nossa democracia.
Ataca-se o sector laboral, público e privado, através de leis selvagens que cada vez mais precarizam as condições de trabalho dos portugueses, enquanto os escândalos da alta finança, ficam impunes e são recompensados, enquanto os trabalhadores, presas fáceis, se deixam seduzir pelos apelos publicitários das campanhas políticas milionárias, financiadas com o desvio das nossas contribuições.
Para inverter toda esta amálgama de contradições, urge que os cidadãos se esclareçam, se identifiquem com os seus candidatos, avaliando o seu passado e o seu compromisso de vida com a sociedade, e que fundamentalmente se revejam, na prática, com a defesa do bem comum.   
Entrámos em 2014, ano de eleições Europeias, iremos por isso, assistir a um período de promessas e palavras de esperança, através de slogans elaborados por máquinas publicitárias contratadas para travestir os candidatos, com as melhores roupagens e discursos inflamados. Gostaríamos que os seus nomes não fossem esquecidos nem ignorados, independentemente das suas bandeiras, pois a cidadania exige a participação de cada um de nós e não poderá continuar a merecer mais a nossa indiferença.
João Carlos Soares
Barreiro, 02 de Janeiro de 2014



domingo, janeiro 24, 2010

É PRECISO MUDAR


A corrupção dos políticos é de entre outras, o tipo de corrupção mais próxima do conhecimento público. Contudo, a corrupção dos políticos, não se inicia, nem termina na sua denúncia e “afastamento”, retirando-lhe oficialmente o acesso directo às comissões públicas, ao poder para tirar vantagens próprias, para enriquecimento pessoal, ou de favorecimentos de determinados grupos ou elites, transformando-se e dando origem a uma doença com níveis preocupantes.

Existe um outro tipo de corrupção instalado na política, com ramificações e tentáculos muito mais difíceis de detectar e sanar, do qual ninguém fala, a qual se propaga e instala no sistema político.

Não estamos a falar de privar ao bem público os seus direitos, mas diante de influências questionáveis tomarem-se decisões em proveito de grupos instalados e não com vista ao que deveria ser do interesse para a resolução dos problemas que o País enferma. Trata-se pois, de um sistema corrompido por influências para favorecer determinadas facções elitistas da sociedade, em vez de nos representar para criar melhores condições de vida a todos nós.

Não estamos a falar só de procedimentos ilegais, agora nas primeiras páginas do tablóide nacional e que daí não passa, mas também de dar provimento a decisões, algumas até certo ponto sem lógica aparente, por vezes com algum grau de estupidez e mesmo contraproducentes numa democracia participativa que se exige.

É pelo contrário a destruição e adulteração de um sonho que não deixaram evoluir, que já não nos representa e que está a ser construído para não funcionar.

O estado calamitoso incrementado pelas franjas da governança instituída que teimamos em permitir, consentido com o nosso voto o acesso aos órgãos de poder de gente sem um mínimo de clarividência de ideias nem experiência de vida, os quais se desconhece ou nunca deram algum contributo cívico para o merecerem, fazem com que esta doença epidémica atinja foros de pandemia, da qual não se vislumbra fim à vista.

Não é possível atribuir um qualquer certificado de qualidade aos políticos, para os diferenciar, apresentando uns como mais ou menos qualificados que outros para a função. No entanto, para se aceder a patamares de decisão, que vão influenciar e ditar num futuro o desenvolvimento de um país, alimentar a esperança ou não de geração em geração, devemos exigir dos líderes partidários, independentemente dos partidos no poder, uma escolha efectiva de gente que tenha capacidade para governar, decidindo, respeitando e garantindo os direitos dos seus eleitores, não os usando para moeda de troca para negócios de poder, quando deveriam preocupar-se em dedicar algum tempo a arrumar soluções contra a corrupção do sistema político, de que são responsáveis.

Esse compromisso deveria ser assumido pelos líderes deste país, numa postura efectiva de apoio a uma série de medidas que contribuíssem para aumentar eficazmente a transparência nas decisões de estado.

O Estado tem que de uma vez por todas fazer um esforço no sentido de diminuir a influência dos patrocinadores económicos partidários nas decisões fundamentais e estruturais do país, fazendo com que os políticos e as políticas defendam, como grupo de representantes da sociedade, a discussão de ideias para uma solução da crise em que vivemos, melhorando a condição de vida das famílias, e não um bando de vendedores profanos ideológicos, cuja intenção se resume a pensar em votos e a agradar os seus financiadores.

Quer queiram entender, ou não, as alterações a este sistema corrompido têm que ter alguma solução e rápida para a mudança, porque o cinismo como a questão é assumida por alguns e a relação nas possibilidades de mudança, só parecem interessar a quem gosta e lhe interessa continuar a chafurdar na lama em que vive.

O sistema político, além da corrupção que diariamente chega ao conhecimento público, começa a ser de uma ineficácia por vezes surreal, baseado num modelo ultrapassado e nada actual com a realidade e novas necessidades das gerações futuras.

Está na hora de sermos muito mais ambiciosos connosco próprios, começando para já a pensar na necessidade urgente de refundar um sistema político, consertando os problemas que o afligem, onde os políticos malandros não tenham lugar nem hipótese de manter o seu tráfico de influências.

João Carlos Soares

domingo, dezembro 06, 2009

Preocupações


Perante os factos de corrupção chegados ao conhecimento público, como poderemos fazer prevalecer a vontade popular, para que efectivamente possamos fiscalizar a administração pública, pondo termo de uma forma efectiva aos flagrantes casos que são denunciados e chegam ao nosso conhecimento?
A necessidade que os partidos têm para fazer frente e custear toda uma máquina de propaganda eleitoral demasiado pesada, aquando dos processos eleitorais, abrem espaço e criam a oportunidade a gestores e administradores corruptos e incompetentes sem qualquer pudor nem escrúpulos, que se deixam aliciar por poderosos grupos económicos, através de contrapartidas em suportes financeiros volumosos, viciando-se assim o resultado sufragado pelas populações, através de um processo eleitoral próprio de qualquer democracia participativa.
Neste processo corrosivo e perigoso, as instituições que deveriam pugnar para expurgar estas santas alianças, elas próprias se vêm condicionadas e agrilhoadas por uma panóplia de segredos de justiça, com os expedientes só possíveis num sistema onde, a hierarquia de clãs com base político partidária, quase sempre conotadas a esses grupos económicos, procuram perpetuar nos diversos níveis de poder e decisão, uma elite de privilegiados, em proveito próprio.
Sendo os partidos políticos os agentes de um poder democraticamente constituído, disputando a sua manutenção e liderança, tornam-se, nessas disputas, os alvos privilegiados dessas elites, sedentas por manter no poder ligações a executivos que lhes facultem e concedam acessos às grandes negociatas do regime, mesmo que para o efeito tenham que abrir de mão a quantias volumosas e outros favores.
A forma descarada como os lugares de administração desses grupos são preenchidas, quer por quadros de forças partidárias, quer por ex-membros do Governo ou Instituições públicas, levam a que a promiscuidade do tratamento entre o público e o privado, que deveria ser da maior transparência, enverede por caminhos nebulosos e lamacentos, como aqueles a que nos últimos anos temos vindo a assistir.
Perante este cenário de total falta de controle e fraude na máquina administrativa do Estado, as dificuldades com que o acompanhamento da sua gestão é feito, ou lhe é permitido nos diversos órgãos de soberania, será possível alguma vez podermos responsabilizar e fazer pagar a todos esses senhores os prejuízos que causaram à Nação?
A reforma política do Estado exige rapidamente mudanças na forma de gestão da coisa pública, através da necessidade de uma maior avaliação de desempenho dos governos, quer central quer local, na implementação dos orçamentos participativos e movimentos de cidadania, em função das promessas que os partidos fazem quando em campanha eleitoral, em função e defesa do interesse público.
Independentemente dos partidos que estiverem no poder, a opção recai sempre no planeamento e controle centralizado nas tomadas de decisão, em contraponto e oposição às verdadeiras políticas de descentralização e autonomia, quase sempre com a justificação que os conflitos de interesses e de valores podem e devem ser resolvidos pela via da decisão técnica e jurídica.
As dúvidas quanto ao futuro e desenvolvimento sustentável, só poderão deixar de existir na mente de todos nós, quando as organizações, as instituições públicas e os políticos, estiverem comprometidos na defesa da igualdade de valores na sociedade, no cumprimento das suas responsabilidades perante o respeito dos cidadãos, defendendo e apresentando alternativas para as questões que afectam a segurança e bem-estar de todos e em particular dos mais carentes, contribuindo de forma solidária na construção de uma sociedade justa.
João Carlos Soares