segunda-feira, dezembro 01, 2008

O Crime não pode nem deve ser compensado


Com todas as pretensões de liderança, à esquerda, apetece-me dizer:Para a p.q.p.
Não poderei dizer nem considerar resposta politicamente correcta, nem aceitável, até podendo ser interpretado de forma errónea, com ideias e pensamentos ideologicamente de direita. Mas não, e como pode ser constatado na selva política em que nos movimentamos, o que não falta por aí, são necrófagos e hienas que de forma tola, se vão rindo, por enquanto, um riso hipócrita escondendo e encobrindo o ranger dos dentes de raiva, contra tudo e contra todos os que questionem os seus privilégios, que consideram como direitos naturais. Neste contexto, não nos podemos esquecer dos ressabiados oportunistas de última hora.
Parece até que os partidos se envergonham, e de forma lesta se apressam a despir as vestes e sentimentos que os nortearam, com o simples objectivo de agarrar uma única oportunidade que seja, para se constituírem como símbolos do nada, numa sobrevivência continuada e adiada, sustentada por mera retórica saudosista, tendo como único objectivo içar a bandeira da esquerda no altares da política.
Continua a ser o mitigar do amigo e do inimigo político a manter a sobrevivência da política e de alguns políticos, no meio de alguma perplexidade dos mais atentos e informados, ao sabor de um gosto e numa época em que as críticas não são bem vindas nem aceites, sintoma e característica de quem faz o jogo preferido da direita, utilizando alguma inocência útil dos agitadores, mesmo que não objectiva, muito menos intencional.
De forma contínua, contribuímos e alimentamos um ciclo pendular de mentes assaltadas por fantasmas do passado que continuam a ensombrar o presente com dúvidas e receios.
Quando se fala em crise, a mesma crise que contribuiu para o colapso financeiro e económico das sociedades, através da trafulhice e compadrio ultimamente conhecidos dos portugueses, através dos escândalos tornado públicos, é a mesma, e são os mesmos os responsáveis pelo fracasso do sistema político que os tolera e protege.
O mundo do faz de conta, em que nos têm envolvido e enganado, cobra de todos nós uma factura que tenho dúvidas os portugueses estejam dispostos a pagar, sem que para tal, os responsáveis, alguns deles já identificados, sem apelo venham a pagar e sentir as consequências da sua perversa acção, descaramento e falta de respeito para com todos os que acreditaram na transparência do sistema bancário, e nas garantias dos sistema político, garante do respeito pelos mais elementares valores de um País, na plena defesa da sua Constituição, são exactamente os mesmos que, hoje estão no Governo e amanhã nos lugares de administração de interesses particulares.
A actual crise internacional, coincidente e resultado da falta de confiança dos mercados bolsistas de referência, na subida descontrolada e inflaccionada dos combustíveis pelos mercados accionistas de títulos, calculados em previsões por sofisticados sistemas de engenharia financeira ao sabor dos interesses instalados na alta finança capitalista, transformando e condicionando cada vez mais a actividade política, já de si vinculada à institucionalidade cada vez mais estranha e alheia à realidade social.
Esta crise potencializada pelo descrédito, desconfiança e falência do próprio sistema político, representa a necessidade e preocupação que nos deve unir, no sentido dos cidadãos reagirem à falta de ética e desmando da vida pública, por forma a garantir que a corrupção e os actos fraudulentos apurados e desmascarados, não venham uma vez mais a ficar impunes.
O crime não pode nem deve ser compensado.

João Carlos Soares

sábado, novembro 29, 2008

Terceira Travessia sobre o Tejo – Participação Pública




No âmbito da consulta pública do processo a uma avaliação de Impacto Ambiental referente à ligação de Alta Velocidade entre Lisboa e Madrid e à construção da Terceira Travessia do Tejo, exercendo há longos anos a minha actividade profissional no Concelho do Barreiro e desde há sete anos como eleito na autarquia do Barreiro, venho, por este meio, manifestar a minha total concordância com a realização desta obra, considerando que a solução a adoptar deve incorporar as valências ferroviária e rodoviária, tal como se encontra definida no Corredor (B) Poente.

Considero ainda que a construção desta importante obra representará um contributo indispensável para o melhor funcionamento da Área Metropolitana, numa perspectiva futura de progressiva redução dos movimentos pendulares entre as duas margens, e permitindo o desenvolvimento económico, empresarial e sociocultural não só do Concelho do Barreiro, mas também de outros concelhos da margem Sul do Tejo, em particular da Moita e do Seixal.

A não realização deste projecto reflectir-se-ia uma vez mais, assim sendo, no abandono a que a nossa região e os interesses nacionais seriam vetados, o que não quero acreditar.

A construção da terceira travessia do Tejo, ligando as duas margens Barreiro e Chelas, deve ser assumida inequivocamente pelo Governo, como uma necessidade inadiável, fundamental no plano de escoamento de tráfego da Ponte 25 de Abril, no desenvolvimento do plano económico nacional, potenciando consequentemente o desenvolvimento dos Concelhos do Barreiro, Seixal e da Moita.

Acima de tudo, transformando o Distrito de Setúbal num pólo de atracção, desenvolvimento e interesse ao investimento nacional, dotando este distrito das condições indispensáveis e adequadas à fixação, por conseguinte, do sector económico, bem como das populações no distrito onde vivem e trabalham. contribuindo para o equilíbrio do tecido urbano, resultante das perspectivas criadas em torno de mais emprego.

Há alguns anos atrás, como poderá ser facilmente constatado, o Governo então do PSD, apresentou em conferência de imprensa, em São Bento, através do seu Grupo Parlamentar, por absurdo que pareça, proposta que viria a ser votada, onde era anulada a verba de um milhão de euros para finalizar os estudos da Ponte Barreiro-Chelas.

Esses estudos seriam a base que levariam à conclusão de fazer ou não a ponte e com que características. Esta forma hipócrita e enviesada engendrada pela maioria parlamentar de então, retirou ao seu próprio Governo, as condições técnicas indispensáveis para uma decisão, que tendo sido tomada como foi, adiou e pôs em causa o interesse regional e nacional, que agora não poderemos permitir seja novamente posto em causa.

Será com preocupação mas acima de tudo com coerência, verdade e responsabilidade, impedindo quaisquer tentativas de actividade política, transformada num jogo ao sabor dos ventos, que nos devemos mobilizar e estar atentos a quaisquer práticas ou tentativas de políticas imobilistas de direita.

João Soares

Vereador Independente na C.M.Barreiro

quinta-feira, março 13, 2008

A uma só Voz - Ponte Barreiro/Chelas

Dia 14 pelas 18 horas, nas instalações do Mercado 1º de Maio, actualmente em desactivação para obras, encontro e posição oficial do Município relativamente à opção da Ponte Barreiro/Chelas.

A presença de cada um será importante na afirmação de uma causa que entendemos pertencer a todos.


O Barreiro e os Barreirense Unidos, Convictos e Determinados pela PONTE.

domingo, fevereiro 10, 2008

NÃO VAMOS FICAR A VER PASSAR O COMBÓIO!........


“O PS defendeu Alcochete e Ponte Barreiro Chelas." “Estas razões, se outras não houvesse são suficientes para que sob a minha presidência, na Federação de Setúbal, em Junho de 2007 tenha convidado o Prof. Ernâni Lopes para nos vir falar sobre estas vantagens, assumindo eu próprio a defesa de Alcochete, tal como a Ponte Chelas-Barreiro, na sua versão rodo-ferroviária” –

Foi com estas palavras que Vitor Ramalho recebeu e apoiou a decisão do Governo sobre a escolha dos locais para a instalação de tão importantes equipamentos colectivos, indispensáveis e necessários para o País e para o Distrito de Setúbal, sobre o ponto de vista de uma lógica estratégica e do reforço e afirmação de Portugal no Mundo.
Perante esta posição assumida pelo deputado e representante dos socialistas do distrito, não ficarão quaisquer dúvidas, no presente e no futuro, sobre a atitude que o mesmo com toda a certeza irá protagonizar, mantendo como certa, a sua intervenção perante o poder central, na defesa e consolidação desses dois grandes objectivos.
Não conceberei outra, que não essa atitude, porque, sinceramente, se o não fizer, criará entre os socialistas barreirenses um batalhão de opositores que não se acomodarão com outra atitude, que não seja a da confirmação da decisão tomada recentemente pelo Sr. Primeiro Ministro, e secretário geral do Partido Socialista, de finalmente, como fez questão de realçar, dar ao Barreiro o equipamento que há muito reclama e merece.
É pois, com muita preocupação e desencanto, que vimos assistindo a notícias vindas a público sobre medidas e estudos encomendados pelo ministro das obras públicas ao LNEC, para a ponte recentemente anunciada para o Barreiro.
Perguntamos, como decidiu o governo as localizações anunciadas, se agora vem questionar as mesmas solicitando pareceres técnicos a um organismo como o LNEC.
Estaremos todos doidos?; querem-nos endoidecer?; ou será o governo através de ministros equivocados, que começa a perder as estribeiras e a passar das marcas, no que à decência se exige de um Governo da Nação, quando toda a gente está farta de saber, que neste momento a decisão é mais política do que técnica?.
Não quero sequer pensar em tal, porque se assim acontecer, vamos assistir a um confronto sem tréguas, porque não acredito que haja barreirense que não se sinta ofendido e responda de forma contundente e esclarecida, mostrando da fibra de que somos feitos, e de uma memória que continuamos a ter, não aceitando que brinquem com os nossos sentimentos, nem ponham em causa o futuro que pretendemos, temos direito e estamos a construir.
Ficamos à espera Dr. Vitor Ramalho, mas não vai ter muito tempo para vir a terreiro, e da mesma forma como assumiu publicamente na altura da decisão do governo como suas e do PS Setúbal essas decisões, juntar-se a todos os barreirenses e exigir aos governantes deste País, honestidade, coerência e decoro.


João Carlos Soares

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Consentimento ..... ou resignação?





No PS, contrariando afirmações de José Sócrates no Congresso em 2006, estamos hoje, perante um problema de identidade, definição doutrinária e ideológica.

Nas sociedades mais competitivas no processo de globalização europeu, tomando como referência as sociedades escandinavas, quer o forte peso do sector público, quer a existência de fortíssimos sindicatos, vêm desmentir e evidenciar, no mínimo, não existir relação ou incompatibilidades entre essas variáveis.
Por essa razão, leva-nos a concluir que, afinal, existe uma correlação positiva entre a robustez do sindicalismo e o nível de desenvolvimento económico, social e político.
O problema nasce e acontece de uma forma tradicional na Europa, quando se cultiva e defende uma forte ligação e subserviência dos sindicatos aos partidos políticos, contudo, torna-se por vezes incómodo e inoportuno à independência sindical.
Por outro lado, essa ligação, cria e proporciona uma maior representatividade social dos partidos, evitando, dessa forma, uma desacreditação e desmobilização na filiação partidária, consequência do abandono e afastamento dos eleitos às suas bases representativas, dos programas sufragados e do reposicionamento ideológico a que os partidos são sujeitos, sempre que se acercam do poder, ou quando se desencadeiam processos internos de sucessão e liderança.
Prova do que atrás se refere, talvez seja o processo iniciado e ensaiado por Ferro Rodrigues, numa aproximação declarada aos sindicatos, nomeadamente à CGTP, procurando dessa forma reconstruir e fortalecer essas relações.
Quando se refere que José Sócrates, sem esconder as suas intenções bem definidas no seu programa à liderança do PS, se apresentava como o candidato à direita no partido, defendendo uma estratégia política essencialmente neoliberal, começa por se perceber sem qualquer dificuldade a retórica anti-sindical a que o governo, através dos seus ministros e secretários de estado utiliza frequentemente, quando o diálogo, a tolerância e acima de tudo o discernimento nas políticas sociais desaparecem.
Como defendem, e muito bem, militantes de base e alguns parlamentares do partido de José Sócrates, para que se seja de esquerda, num contexto em que são necessários sacrifícios e ajustamentos dolorosos, deve ser a capacidade de negociação destes ajustamentos, nomeadamente com os sindicatos, e a oferta de contrapartidas, essa marca que define e faz a diferença entre a esquerda e a direita.
Ao que assistimos, ilustra infelizmente para todos os que acreditam numa sociedade solidária, ao afastamento gradual das políticas de esquerda do Partido Socialista no governo, num maximalismo dos sindicatos e na ausência de uma estratégia do governo para o relacionamento com eles, evitando-se a todo o custo a hostilização e a apresentação de propostas sem contrapartidas minimamente aceitáveis.
Globalmente, a dualidade de critérios a que assistimos por parte do governo, em matéria dos ajustamentos e sacrifícios que está a pedir aos Portugueses, além de não ser honesto do ponto de vista da igualdade, legitima cada vez mais a revolta daqueles a quem mais ajustamentos e sacrifícios são pedidos.
Uma coisa é o Partido Socialista nunca ter tido uma forte ligação ao mundo do trabalho, outra bem diferente é prosseguir uma estratégia de hostilização dos sindicatos.
Não faltarão, com certeza, vozes discordantes e impacientes no seio do partido, só que, perante o mandato inequívoco que os Portugueses colocaram nas mãos de José Sócrates, e face aos acordos internos com que alguns círculos se encontram comprometidos e às clientelas nas elites instaladas e instituídas, não acredito haver actualmente coragem política no interior do PS, para hostilizar e combater a liderança neoliberal do partido, a que José Sócrates se propõe conduzir.

João Carlos Soares

sábado, janeiro 05, 2008

Intenções...........!


A transformação, no rumo a uma sociedade justa, exige seriedade num processo de profundas mudanças, implicando a participação de todos e a actualização de conceitos e ideias.

Desde o início, na corrida à liderança do PS se começaram a descortinar divergências acentuadas nas candidaturas de Manuel Alegre e João Soares, numa clara escolha de uma esquerda participada, em contraponto a uma atitude centro/direita neoliberal representada por José Sócrates, o que à partida anunciava, desde logo, um trajecto partidário ideológico de afastamento e negação das suas raízes.
Tendo os primeiros anunciado a sua intenção de lutarem por maiorias absolutas do PS, no caso de o não conseguirem, privilegiariam acordos com os partidos situados à sua esquerda. Pelo contrário, José Sócrates e a sua candidatura sempre defenderam e afirmaram que a simples probalidade de aceitar uma vitória sem maioria, enfraqueceria a posição do PS na luta pela maioria política.
Perante estas candidaturas, não desfazendo as credenciais apresentadas pelos seus adversários, José Sócrates, pela sua juventude, a sua capacidade de comunicação, a firmeza nas suas convicções, o excelente desempenho que exibiu nas pastas ministeriais a que esteve ligado no governo de António Guterres, em contraste com a hesitação, a falta de coragem e a paralisia que caracterizou o final do guterrismo, reuniu indiscutivelmente a seu favor indicadores de confiança partidário, que lhe viriam a proporcionar uma vitória sem contestação.
Sendo um dos trunfos de José Sócrates o seu indiscutível perfil para candidato a primeiro-ministro em conjunto com a ideia central que apresentava para o desenvolvimento do País, fizeram dele um líder partidário indiscutível, e proporcionar-lhe-ia inevitavelmente, o que veio a acontecer, a conquista das eleições legislativas em 2005.
Porém, cedo se constatou que a especialização em mensagens vagas e ambíguas, tal como a não assunção clara e premeditada do património de esquerda, desmobilizaram o seu eleitorado, provocando uma desilusão colectiva, perdendo-se a hipótese de levar por diante um projecto capaz de galvanizar o núcleo da esquerda e, simultaneamente, conseguir um apoio maioritário na sociedade.
Tendo sido, no meu entender, o ministro mais positivo do governo de António Guterres, não reteve e não aprendeu a grande lição a retirar nessa altura, a vertigem de tentar agradar a todos, é o caminho mais curto para não se agradar a ninguém.
O peso da despesa pública no nosso País atingiu níveis extremamente elevados e insustentáveis, se considerados, na devida proporção, com os nossos parceiros da comunidade europeia. Considerando-se o desnível na protecção social em relação à média da comunidade, o ritmo de crescimento dessas despesas começa a levantar sérias dúvidas e causar graves problemas de sustentabilidade futura num estado providência, como o pretendido e prometido.
Portanto, para além de se exigirem políticas capazes de estimular o crescimento económico do estado, depreende-se também daí, que serão necessários sacrifícios para o País poder atingir os objectivos e equilibrar as finanças públicas e promover a sustentabilidade financeira do estado.
No entanto, um ponto essencial a ser ponderado e nunca esquecido, é que o povo é justo e exige dos seus eleitos justiça e equidade relativa na forma e distribuição desses mesmos sacrifícios.
Nesse sentido, o governo de José Sócrates tem passado a mensagem de que, contrariamente a governos anteriores, os sacrifícios, agora, são para todos sem excepção.
Nesse sentido, será oportuno relembrar e equacionar algumas dessas decisões, porque à mulher de César para além de sê-lo tem que parecê-lo.
Uma das primeiras medidas foi o aumento em 2% do IVA, medida essa que atingiu indiferentemente todos os segmentos sociais e, por isso, penalizou e castigou sobretudo os mais desfavorecidos.
Anunciou o congelamento das carreiras na função pública e, tem mantido um braço de ferro com as centrais sindicais, o que tem motivado o descontentamento e dado origem às maiores manifestações de trabalhadores nas duas últimas décadas, após o 25 de Abril.
Aumentou a idade para a reforma dos funcionários públicos para 65 anos, convergindo com a idade de aposentação que já se verifica no sector privado.
Em contrapartida, no que concerne à tão anunciada distribuição de sacrifícios, apresentou o fim a algumas regalias excepcionais da classe política, fim das subvenções vitalícias e dos subsídios de reintegração dos deputados, o fim da contagem a dobrar na contabilização das reformas para os autarcas, o estabelecimento de limites à acumulação de vencimentos com reformas ou mais do que um vencimento , no caso dos autarcas nas empresas municipais, etc,etc...
Sendo de louvar estas medidas, até porque eram de há muito exigidas pela maioria da população e nunca nenhuma força política tenha tido ousado tocar-lhes, a verdade é que os ditos e anunciados sacrifícios têm poupado muita gente. Em matéria da idade de reforma, o fim dos regimes de excepção deixa de fora vários segmentos da população. Nas instituições como o Banco de Portugal, a Caixa Geral de Depósitos, ....etc., o Governo não teve a coragem de acabar com as reformas douradas, muitíssimo antes da idade legal de reforma da generalidade das pessoas.
Em algumas situações como a situação das forças da ordem, GNR, PSP..etc, houve um recuo, e assumiu que vai permitir a reforma dos polícias aos 60 anos, no entanto não se entende este tipo de equidade, que o governo diz ter, senão vejamos; Se os professores podem mudar de função quando chegam aos 60 anos, segundo dizem a bem da qualidade no ensino, porque razão não poderão igualmente os polícias passar a executar tarefas administrativas, se agora já as fazem?
Não quero acreditar que, tal decisão, se prenda pela simples razão de que as suas manifestações sejam mais ruidosas........
Outra das grandes promessas, chumbada recentemente na Assembleia da República, a luta contra a corrupção, fraude e evasão fiscais, legislação essa, por acaso apresentada e defendida por prestigiados economistas da mesma área ideológica, privando a administração pública de um eficaz instrumento para o efeito.
É verdade que são necessários alguns sacrifícios para o País poder atingir os objectivos e equilibrar as finanças públicas e de promover a sustentabilidade num estado providência que se exige. Há que reconhecer que o governo tem demonstrado uma grande coragem e determinação na sua atitude reformista do estado, defendendo-se e reafirmando de que esses sacrifícios desta vez têm sido para todos, mas na realidade o que se tem passado, é numa cada vez maior desigualdade na forma como esse sacrifício se exige e controla a nível dos contribuintes cumpridores, e dos outros, aqueles que continuam a ser privilegiados, como sejam a banca e toda uma panóplia de interesses economicistas.
O governo parece confundir firmeza e determinação com desrespeito pelos interesses sociais organizados. Entende-se e até se aceita que o governo, seja ele qual for, deve ser firme e determinado nos seus propósitos, no entanto, os interesses sociais organizados sempre foram e continuarão a ser um pilar fundamental e indispensável de uma sociedade democrática e, a negociação colectiva tem que continuar a ser um princípio fundamental da democracia.


João Carlos Soares

quinta-feira, novembro 22, 2007

Agitação ou Metamorfose?


Para que a vida se não venha a transformar numa coisa sem sentido, até mesmo absurda, as corporações em consonância com os interesses privados, terão que se colocar ao serviço de uma vida com qualidade para os cidadãos, e não exclusivamente ao serviço das suas necessidades de acumulação de riqueza, ainda sugerindo que nos devemos sentir gratos e reconhecidos pelos empregos que nos proporcionam.
Contudo, não podemos simplesmente levar a mal, ou julgar negativamente, todos aqueles que procuram a maximização dos seus capitais, rentabilizando as competências técnicas e desprezando ou descurando por completo a inteligência da vida. A nossa acção tem que se centralizar, enquanto membros de uma sociedade, na organização e racionalização de conceitos e valores, assumindo as rédeas do processo, de forma a construirmos um futuro menos comprometido e hipotecado, num universo menos violento, menos ignorante e mais humanizado.
Os idosos na nossa sociedade, membros da chamada terceira idade ou seniores, para outros, os quais muitas vezes se confinam isolados nos seus lares, começam a despertar para uma actividade organizada em grupos e associações, passando a utilizar e tirar proveito de décadas de vida útil que têm pela frente, ajudando a revitalizar a comunidade a que pertencem, animando espaços de lazer e de cultura, a exemplo da UTIB (Universidade da Terceira Idade do Barreiro), organizando o enraizamento comunitário, contribuindo com o seu imenso conhecimento humano, que é o que mais falta, em conjunto com o seu inestimável e formidável capital de tempo disponível.
Tudo isto e muito mais se poderá começar a elencar, num universo que pouco a pouco se vai descortinando, a partir do momento em que as pessoas descobrem e se apercebem de que são pessoas, de que são cidadãos e não apenas clientes de uma sociedade de consumo, como tal, são parte da sociedade e têm direitos.
Quem tiver interesse e vontade, poderá associar-se a iniciativas que existem e vão aparecendo por toda parte. O comum cidadão, já não se pode considerar necessariamente impotente, podendo utilizar o voto como factor de decisão nas suas opções de liderança, com as suas poupanças nos actos de uma qualquer aplicação financeira, com o seu trabalho voluntário no serviço e apoio a organizações da sociedade civil, as quais começam a despertar para uma realidade incontestável. É incontornável e impressionante o número de pessoas que pretendem constituir-se como agentes cívicos socialmente úteis, em contra ponto com aqueles que preferem passar a vida ostentando um sucesso individual fora de contexto, descaracterizado e vazio.
Esta análise e este mal estar que por vezes sentimos, não poderá de forma alguma ser necessariamente imputada à esquerda ou à direita, não será necessariamente apanágio do rico ou do pobre, fazer-se sentir em países desenvolvidos ou não. Este mal estar deve ser considerado mais como um mal estar resultante dos males da nossa civilização, ou cultura no sentido mais amplo deste termo.
A imaginação humana sem limites conhecidos, a sua inteligência ao serviço da inovação, através das tecnologias entretanto desenvolvidas e disponibilizadas, os imensos avanços científicos na descoberta das nossas origens, são e tornam-se insignificantes, quando comparados com as suas necessidades humanas triviais.
Sendo uma tarefa simples mas imensamente complexa, o maior desafio com que nos confrontamos actualmente, prende-se com a nossa capacidade de conseguirmos, ou não, adaptar as tecnologias e o potencial económico, ao serviço das necessidades humanas.
Torna-se necessário reencontrar algum equilíbrio, porque os sistemas, ao longo dos tempos, conseguiram gerar uma realidade desconforme, através de segmentações doentias de classes.
Perante a globalização e o universo por si gerado, dominado pela vertente mercantil vocacionada exclusivamente para o lucro, torna-se e exige-se, dos nossos dirigentes, alguma contenção na teoria exclusiva da vertente económica, de forma a ser encontrado um eixo condutor de primazia nas políticas sociais, impedindo a utilização, instrumentalização e manipulação obscena e injustificada de interesses absurdos, para voltar a colocá-la ao serviço da humanidade.
Os tempos do espectro levantado pela especulação e manipulação dos seus suportes políticos, torna-se numa rejeição cultural, transformando-se num imenso saco cheio de uma sociedade que pretende outra coisa, a qual começa já a arregaçar as mangas.
Enquanto não construirmos pela base uma sociedade que se articule entre todas as camadas sociais e assuma as rédeas do seu desenvolvimento, não poderemos esperar, nem fazer depender do surgimento ou da chegada ao poder de uma qualquer personagem redentora, para o cumprimento desta tarefa, exigindo de todos nós mais iniciativa e organização, consciência e inteligência social.


João Carlos Soares

sexta-feira, novembro 02, 2007

Violência Política ..... Social



Desde os fatídicos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 e das guerras no Afeganistão e no Iraque, existe a sensação de que o mundo se encontra mergulhado num banho de violência política e dominado, de uma forma assustadora, pelo terrorismo.
As imagens e os testemunhos alucinantes e perturbadores, alimentados por uma fome de protagonismo e liderança mediática, lançando o pavor entre as populações, relatando medonhos e reprováveis atentados e explosões homicidas, espalhando o horror e a insegurança, dando tudo isto a impressão de que o mundo estaria a ser varrido pelo furacão de uma espécie de novo conflito mundial, tendo como protagonistas o terrorismo internacional, de uma forma mais atroz que os anteriores.
Esta impressão não pode de forma alguma ser considerada falsa. Em contra ponto contrariando as aparências, a violência política nunca foi tão débil. As revoltas e insurreições de ordem política, as guerras e os conflitos raramente foram em tão pouco número. Por mais espantoso que isto possa parecer, e a despeito dos media, o mundo social está calmo, tranquilo, podendo até afirmar-se que se encontra em grande medida pacificado.
Para se perceber e reconhecer esta realidade, temos que retroceder vinte ou trinta anos, quando quase todos os grupos de protesto radicais adeptos da luta armada desapareceram, ou se foram extinguindo.
Salvo algumas excepções, onde uma nova forma de confronto social vem ganhando adeptos através da crença islâmica, ocupando agora a parte mais visível da cena mediática. Contudo as suas acções, por mais espectaculares que se apresentem, não conseguem disfarçar o essencial: a luta política perdeu força, e rarefez-se.
Quererá esta situação reflectir a ideia de que não existem neste momento outras formas de violência em acção?
É claro que existem, começando pela violência económica dos agentes poderosos do capital estimulados pela globalização liberal, que exercem sobre os povos dominados.
Esta pressão económica, visando o enriquecimento dos ricos, que se vão tornando cada vez mais ricos, aumentando as desigualdades com uma dimensão nunca antes vista.
Torna-se revoltante e inquietante os níveis atingidos pela pobreza, traduzidos em cerca de metade da humanidade, onde mais de um terço atingiram o limiar da miséria, cerca de 800 milhões sofrem de má nutrição, etc.etc.etc...
Por mais incrível que pareça, todos estes milhões de condenados continuam emudecidos, controlados e politicamente acomodados, tornando-se num paradoxo do nosso tempo, havendo mais pobres do que nunca e, em contrapartida, nunca ter havido ou fazerem-se sentir tão poucos revoltados.
Torna-se pouco provável que esta situação assim possa permanecer por muito mais tempo, afigurando-se a médio prazo, o regresso ao combate dos oprimidos contra os opressores, e em especial, a luta dos pobres contra os ricos, com alguma expressão actualmente, através do aumento da delinquência, da criminalidade, da insegurança, e que, um pouco por toda a parte, venham a adquirir características de uma autêntica guerra social.
Há uns anos atrás, um qualquer cidadão na posse de uma arma, aderia a uma organização de luta armada para mudar o destino da humanidade, defendendo os ideais em que acreditava. Hoje em dia, na posse de uma arma, pensa primeiro na sua própria pessoa e, por se sentir vítima da ruptura da estrutura social dominada pelos agentes económicos, irá romper com os seus compromissos de cidadania, atacando bancos, assaltando ourivesarias e gasolineiras.
Perante esta vaga ascensional de conflitos, originando como tal uma cada vez maior onda de insegurança, faz com que em muitos países a despesa orçamental utilizada nesta guerra social, ultrapasse as verbas destinadas à sua própria defesa nacional, no sentido de proteger os ricos do desespero dos pobres, reprimindo e recalcando os mais desfavorecidos com políticas de contenção nas áreas da saúde, educação e direito ao trabalho.
Não nos podemos permitir e encarar os factos como dados adquiridos. Perante o agravamento das desigualdades, os cidadãos acabam sempre por se revoltar. O actual aumento da criminalidade e delinquência, que muitas vezes não passam de formas primitivas e arcaicas de agitação social, começam por se constituir como um sinal preocupante e indiscutível do desespero dos mais pobres perante a injustiça do mundo. Ainda não se poderá designar este tipo de acção como actos de violência política, mas temos a consciência e o pressentimento que não passa de mais um adiar, que não sabemos até quando e de que forma o vamos conseguir deter.

João Carlos Soares

sábado, outubro 27, 2007

Os anti-corpos na Democracia



Ninguém deve, nem pode, em democracia, duvidar da real eficácia exercida pela oposição organizada contra a concentração do poder na governança, devendo ter a percepção do seu exercício bem apurada, retirando os necessários dividendos como resultado da fraqueza na dispersão do poder e na diferença entre a ilusão e o efeito prático.
Torna-se necessário julgar o exercício do poder, independentemente de se ter ou não uma opinião totalmente imparcial e independente na sua análise.
O exercício do poder pode trazer sofrimento, indignidade e infelicidade à sociedade, mas a ausência desse exercício, não são garante nem impedimento para que esse sofrimento, indignidade e infelicidade não se façam igualmente sentir.
Acima de tudo, deve existir um sentido razoavelmente sólido sobre a natureza e estrutura do poder, as suas fontes e premissas, instrumentos com os quais é exercido, sobre as várias associações entre as fontes e os instrumentos do poder, sobre a sua mudança no decorrer dos tempos e sobre o seu efeito sobre a comunidade.
Tem que haver um entendimento e conhecimento profundo do exercício do poder nos tempos modernos, o qual apresenta índices de eficácia extremamente elevados, face à forma ostensivamente inocente como permitimos o seu exercício, porque entendemos e acreditamos estar a responder a uma convicção aparentemente normal e a uma virtude aparentemente natural e aceite pela comunidade.
Torna-se necessário reconhecer que também na oposição a consolidação do poder, a difusão e a competição entre muitas organizações opostas, constituem um elemento importante e fundamental, na defesa da verdade, como factor imprescindível e essencial para a consolidação de um estado democrático.
Fundamentalmente, cidadão atento que se preze, terá que ter em atenção de uma forma geral, um sentido crítico, prático e persistente de como e do que está por detrás das nossas referências diárias com o poder e do nosso constante envolvimento com ele.
Os que outrora eram obrigados a aceitar o exercício do poder através da coacção organizam-se agora automaticamente para lhe resistirem, numa prova irrefutável de resistência, reacção que era então vista noutros tempos como subversiva, e que agora numa atitude pela afirmação dos mais altos valores da sociedade, retiram, senão por completo toda ou qualquer imunidade aos que o exercem.
Escusado será dizer que o avanço das intervenções de cidadania, a aposta consciente nas ideias e conceitos inquestionáveis na decisão do interesse público, poderão vir a reduzir consideravelmente a ambição desmesurada, por vezes até criminosa, de apego ao poder, desacreditando as avalanches populistas de políticos enfeudados e coagidos por estruturas complexas e sinistras de contra poder, as quais dissimuladas e encapotadas em algumas estruturas partidárias, fazem capitular os ideais da sua génese.
As ideias que comandam a visão e o expansionismo liberal que começa a dominar o mundo, são o exemplo de como se não deve confundir a eficácia social com a eficácia económica e esta com a rentabilidade financeira do capital, funcionando como denominador comum, que em cadeia, traduzem o domínio do económico atrofiando o pensamento social, condicionando e aniquilando a sustentabilidade social das sociedades progressistas e contribuindo com esse factor para assegurar cada vez mais a implementação e consolidação das tendências capitalistas.
Por outro lado, com a premissividade a que nos vamos adaptando, fruto de uma atitude colectiva desmobilizada e descrente, sujeitamo-nos e aceitamos um sistema o qual designamos de democracia, que, ao fim e ao cabo, não passa de um sistema de funcionamento estatal e governamental, que se constitui por eternos eleitos, acumulando ou alternando funções municipais, regionais, legislativas ou ministeriais, simplesmente agarrados à população pelo essencial da representação dos interesses locais.
Esta situação traduz-se numa roda viva de ministros ou colaboradores de ministros recolocados em empresas públicas ou semi-públicas, homens de negócios ou socialmente bem instalados e apadrinhados, na procura de mandatos eleitorais que lhes venham a proporcionar através dos seus desempenhos públicos, benesses e privilégios, que de outra forma alguma vez teriam hipóteses de vir a concretizar, numa sociedade justa e equilibrada.


João Carlos Soares

domingo, outubro 14, 2007

Personalidade......Liderança.......Poder

Na eminência de se poderem vir a afirmar como líderes no futuro, a tendência actual dos políticos é exagerar o papel da sua personalidade, conjugado com a vaidade no exercício da sua actividade, transformando este binómio como factor fundamental e indispensável para a sua afirmação.
Prova disso, é a forma como acreditam dispor, de maneira excepcional, das qualidades de liderança resultantes da inteligência, encanto ou capacidade retórica confirmada, a qual os motiva a crer e fazer acreditar os outros também.
O que poderemos chamar de efeito bajulador, é outra das razões que contribuem efectivamente para o engrandecimento da personalidade como fonte de poder ambicionado.
Os instrumentos de poder disponibilizados e a que os lideres têm acesso, tal como as influências que passam a ter nos diversos meios e órgãos de decisão, conferidos pela sua condição perante o poder, são em certa medida uma atracção natural para todos aqueles que desejam partilhar e usufruir o poder dessas influências, vivendo à sua sombra.
Nesse contexto, constará para memória futura, que o poder concedido resulta, isso sim, do facto de integrar uma organização, à sua personalidade, às suas qualidades como líder, fazendo na insistência de tal constatação, o acreditar e fazer acreditar, de quem o rodeia, tal presunção.
Faz parte da natureza, naquilo que se convenciona chamar de contexto social, dramatizar também o papel da personalidade. Uma grande parte das relações sociais está relacionada com quem exerce o poder, por outras palavras, com quem está a impor os seus objectivos aos outros. Grande parte do esforço social despendido nas comunidades, consiste em procurar ligações com os que são considerados como poderosos. Este tipo de atitude, é muito apreciado pelos que a recebem e, por isso, políticos, funcionários públicos, jornalistas e outros cultivam e alimentam uma atitude pública que sugere poder ou dá a entendê-lo como omnipresente. Na forma como agem, vestem e no seu próprio comportamento social em geral, mostram um aspecto bem elaborado e estudado de liderança e comando.
As conversas e os temas desenvolvidos, centram-se frequentemente, e muitas vezes de maneira ostensiva, na forma como a vontade do orador se está a impor aos outros, o que, diga-se, resulta frequentemente de forma bastante convincente.
Os rituais utilizados na política, reuniões, plenários, assistências e aplausos, também conduzem a um equívoco sobre a personalidade como fonte de poder, isto porque os oradores falam regularmente para públicos já totalmente condicionados às suas convicções, adaptando por isso o seu pensamento automaticamente, àquilo que sabe ser essa convicção.
A descrição de um líder, tal como vulgarmente a sociedade o concebe, sofre de uma certa ambiguidade e como tal assim deve ser encarada. O líder pode ser brilhante a obter a submissão dos outros ao seu objectivo, mas na referência que lhe é feita no dia-a-dia não passa de um perito em se identificar com a vontade condicionada da comunidade em que se insere e na sua capacidade de identificar para essa mesma comunidade os seus próprios projectos.
O poder de um líder pode-se avaliar pela forma como consegue convencer os seus seguidores a aceitar as suas soluções para os problemas deles e, consequentemente, o seu caminho na concretização dos seus objectivos.
Quando esses objectivos são conseguidos, quando a sua personalidade entra em associação de proximidade com o seu eleitorado, poder-se-á desenvolver uma estrutura, que dotada de organização, se transformará numa verdadeira e eficiente máquina política.

João Carlos Soares