segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Os Poderes Ocultos


Democracia sem a participação efectiva de cidadãos na vida do país, não é democracia. Na nossa democracia, optou-se e definiu-se que essa participação fosse exercida através dos partidos políticos. O que não se avaliou, foi se teriam igualmente sido definidas regras estritas sobre o conceito democrático interno nos partidos, por forma a garantir a livre participação no combate de ideias concretas, onde os interesses e o bem estar dos cidadãos estejam sempre em primeiro lugar.
Não podemos, nem devemos sustentar a promoção pessoal de quem quer que seja, nem deixar passar tentativas de branqueamento da História.
Os partidos políticos, têm-se vindo a transformar em autênticos aparelhos burocráticos fechados que contribuem para o esvaziamento da participação dos cidadãos, permitindo a ascensão das elites e o endeusamento de figuras cujo desempenho e transparência deixam muito a desejar, mas que não são mais que funcionários políticos às ordens de forças ocultas que dividem entre si a liderança do poder político.
Prova disso, a ascensão de António Guterres a Secretário Geral do PS, que identificando-se como discípulo de Zenha, teve que abandonar as suas teses moralistas, convertendo-se à doutrina Soarista, definindo de forma incontornável no futuro do PS a opção de lideranças, onde a consciência moral deram lugar à proeminência da sucessão absolutista, que temos vindo a assistir nas últimas décadas.
O poder dos tribunais, nunca por nunca perdoará e estará atento ao passado do políticos, tal como o fez em tempos idos, se nos recordarmos o que se passou com o caso do “fax de Macau”, e como os ciclos se repetem, estamos neste momento no ponto exacto de viragem, onde estes não hesitarão um minuto para colocarem em causa a figura e credibilidade da classe política, impondo-se como um Estado dentro doutro Estado, onde as dúvidas e a instabilidade constitucional será implantada e posta em causa.
A Europa transformou-se numa amálgama de culturas e conflitos, numa visão ocidental da sociedade, onde nunca conseguiu apresentar e consolidar um modelo perfeito de democracia, a qual garantisse igualdade, educação, saúde, trabalho e justiça aos seus cidadãos, com base numa consistente e considerável evolução do conceito de respeito pelos direitos humanos e ambientais.
Para o comum dos mortais, torna-se cada vez mais difícil discernir quem fala verdade, e quem pretende dividir para reinar. Chega ao conhecimento público a mais diversa informação, oriunda das mais diversas fontes, permitindo que a confusão e descrença se instalem no raciocínio de cada um.
Aparecem os jornais, e cá vai uma série de denúncias, desconfianças e afirmações a colocar em causa o comportamento moral dos nossos governantes. Os nossos governantes recorrem-se desses mesmos meios de comunicação e cá vai mais um arremesso de esclarecimentos que em vez de clarificarem, põem a nu e cru a fragilidade do nosso sistema, onde a promiscuidade leviana das elites instaladas é mais por demais denunciadora que andam a jogar com a vida e o futuro dos cidadãos a troco de influências e lucros pessoais, no maior desrespeito e desconsideração por quem não passa de simples joguetes nas suas mãos.
Quem tinha o direito de superiormente se opor e colocar na defesa dos nossos direitos, a Procuradoria Geral da República, remete contradições atrás de contradições, conforme vais sendo confrontada com provas públicas, que desacreditam anteriores afirmações da PGR.
Então no final de contas em que ficamos?
Se não podemos acreditar na justiça deste País, se não podemos acreditar nos nossos governantes, senão podemos acreditar nos meios de comunicação social, senão podemos acreditar naquilo que os nossos olhos vêm, então perguntamos;
Em quem deveremos acreditar?
Seria bom que nos lembrássemos o exemplo da nossa Revolução de Abril, a qual recolheu praticamente de todas as forças democráticas internacionais os mais elevados elogios, não permitindo que esta geração venha a ser recordada no futuro, exactamente pelos motivos contrários que nos projectaram e fomos invejados nessa década dourada, onde fomos exemplo na defesa e consolidação de valores e sentimentos de grandeza ética e moral inquestionáveis.


João Carlos Soares

1 comentário:

Anónimo disse...

Em vez de se referir a forças ocultas, porque não refere claramente, Ópus Dei e Maçonaria?
Ou será que não lhe interessa?

O Bilas