quarta-feira, julho 06, 2011

CONTRA OS CANHÕES MARCHAR MARCHAR!...


A crise financeira instalada um pouco por todo Planeta, não é mais nem menos do que o resultado da perigosa dinâmica de dominó que facilmente é aceite e manobrada pelos especuladores financeiros, onde os grandes bancos e lobbys da cadeia de produção mundial se associaram na ganância do ganho fácil.

Como resultado desta atitude, numa situação de abastança de grupos económicos privados, provocaram ao longo dos anos de enquadramento na União Europeia, buracos financeiros desses grupos privados, portanto déficite privado, que protegidos por governantes sem escrúpulos, têm transformado o que era privado e com responsabilidade da má gestão de privados em deficit público a ser pago por todos nós.

Como é sabido, o deficit público tem que ser de alguma maneira coberto pelo Estado, pelo que com todo o descaramento se transfere uma responsabilidade privada em pública, quando com coerência e transparência deveriam ser dos sectores responsáveis pela dívida, a responsabilidade na procura de soluções, através de uma redução dos privilégios que continuam a ter, acumulando lucros e bónus faraónicos, mas isto iria mexer com o clientelismo e interesses desses mesmos grupos económicos instalados.

Portanto, neste contexto miserável de interesses do Poder e lobbys seus patrocinadores, é mais fácil para os governantes dos países em crise, transferir os recursos públicos para os especuladores, sobrecarregando as populações com a pesada factura de cumprir com as obrigações que não sendo suas, a elas são obrigadas e submetidas.

Este esquema laboriosamente elaborado, no essencial, resume-se a um estratagema ardiloso de fazer recair o pagamento da dívida dos outros aos politicamente mais fragilizados, ou seja, como desde sempre estamos habituados, os de camadas sociais mais baixas, através da redução dos poucos benefícios sociais que ainda até agora nos permitiam ter.

Este esquema tem a perversidade de transformar o que antes eram dívidas de biliões de responsabilidades de determinados grupos financeiros, por pequenos deficits que terão que ser pagos e distribuídos por milhões de famílias, que em nada contribuíram para este estado calamitoso das finanças públicas.

A isto chamam os cérebros iluminados da nossa sociedade, austeridade de políticas responsáveis, através de tomada de medidas duras pelos Governos, as quais se resumem e são sempre dirigidas para os mesmos, sacrificando as populações mais desprotegidas e carenciadas, justificando as mesmas como uma atitude patriótica na defesa e em prol das necessidades urgentes da Nação.

Este tipo de discurso começa a fazer escola por toda a Europa, fazendo acreditar que por esta ordem de pensamento universal instalado, dentro de pouco tempo o efeito de contágio alastrará com toda a certeza a outros continentes, efeito da globalização.

Como se escuta nos comentários à crise, proferidos por respeitáveis analistas de todo o Mundo, este processo não é mais do que uma tentativa ardilosamente orquestrada dos senhores instalados no poder transferirem escandalosamente o impacto da crise dos seus verdadeiros e únicos responsáveis, para quem nada teve a ver com as causas que lhe deram origem.

O efeito deste tipo de atitude, começa a sentir-se de uma forma devastadora no aumento descontrolado de desemprego em todas as faixas etárias, mas em especial e de forma mais visível nas camadas jovens, a qual tem um efeito de contágio em todos os sectores da sociedade, aumentando as dificuldades de sobrevivência das classes mais expostas e desprotegidas, adiando a discussão das causas e ao mesmo descomprometendo e desresponsabilizando os responsáveis.

Se este efeito não fosse já suficiente para a tendência de aumentar a depressão sentida internacionalmente e em especial nos países mais dependentes, também o orgulho e cobiçado reduto dos Estados de bem-estar social começa a ser alvo de ataques colocando-se em causa as faixas etárias contribuintes mais velhas, através do adiamento da idade de aposentação, o fim de alguns serviços de assistência e sobrevivência, e o mais que ainda está para se dar a conhecer.

O bode expiatório da Europa centralizou-se na Grécia, tendo a Alemanha da Srª Merkel tido um papel de protagonista interessado e decisivo na imagem que criou na economia grega perante os seus credores entre eles a Alemanha, usando o argumento de que os Gregos viviam para além das suas capacidades e, contrariamente ao que deveria ser o seu papel, afirmando que tinham que ser disciplinados, ou então seriam forçados a seguir as directrizes que a Alemanha quer levar os seus súbditos económicos na Europa a por em prática, o que veio a acontecer, com as consequências que temos assistido dia após dia, afundando cada vez mais uma economia sem estrutura e em decadência.

Deste facto não podemos alhear-nos, pois as consequências de imediato se fizeram reflectir nos que se perfilavam na fila, Portugal, Irlanda e agora, tudo leva a crer, a Espanha, que caminham para o crescendo da desconfiança criado em torno destas frágeis economias subsidiárias do BCE e FMI, culminando ainda hoje, 06 de Julho, com a afirmação das agências de rating interessadas no descalabro da economia no nosso país, afirmando que a nossa dívida neste momento vale tanto como lixo.

Ao ponto que isto chegou, à pouca vergonha que invadiu toda a novela das dívidas soberanas dos países, que a própria União Europeia, através dos seus dirigentes sentiram a obrigação de sair à praça pública, ameaçando da necessidade de terem que criar regulamentação adequada sobre as agências de rating, palavras de Durão Barroso.

Resultado de toda esta despudorada acção dos grandes grupos económicos através dos seus interlocutores, as agências de rating, como não poderia deixar de ser, os juros da dívida colocada no mercado, tornaram a atingir limites nunca antes admitidos, penalizando e colocando a situação dos devedores cada vez mais difícil e insuportável de satisfazer os compromissos.

Tal como já acontecera em situações de crise anteriores, as principais medidas foram adoptadas simplesmente, sem nenhum debate real entre as sociedades ou mesmo discutidas nos Parlamentos. Com uma maioria de governos de direita e centro-direita dominando o espectro político europeu, não houve hesitação de espécie alguma em adoptarem medidas penalizadoras dos mais desfavorecidos, agindo indiscriminadamente contra os serviços públicos e os direitos sociais adquiridos, exigindo-se contrapartidas ultra rigorosas inéditas até então na Europa.

Contudo, de forma mascarada, toda esta vingança das elites, advém de algo mais que vai para além da ideologia, e que se esconde por detrás da ofensiva contra os direitos sociais e serviços públicos, como tentativa de fazer esquecer a série de derrotas económicas e políticas sofridas desde 2008, nos dois primeiros anos de crise, numa manobra clara para salvaguardar os interesses das grandes instituições que fizeram aplicações consideráveis, e que agora, estão confrontadas com a redução dos seus lucros, em virtude da garantia oferecida pela União Europeia e o FMI na cobertura destes recursos face a eventuais calotes, resultante dos empréstimos de risco assumidos pelos Estados, levados a cabo nestes países e não recuperados.

Toda esta vingança da elite económica mundial, assusta pelo grau de hipocrisia e egoísmo que a mesma pressupõe, dissimulada na necessidade e em nome do combate ao deficit público, mesmo que para isso seja necessário avançar para medidas de corte nas despesas, as quais irão atingir os serviços, as infra-estruturas indispensáveis e necessárias para a recuperação e desenvolvimento de um tecido produtivo eficaz, os mais pobres e os desempregados.

Com tudo isto, ressalta cada vez mais as diferenças entre a classe alta e baixa da sociedade, eliminando-se a qualquer custo a classe média, expresso no diferencial entre uns e outros nos rendimentos de cada cidadão, cada família.

No cenário de crise global que enfrentamos, não se vê luz ao fundo do túnel, pois constata-se a falta de coragem que os governos mostram, ao não defenderem a necessidade que contrariamente ao que se propõem, “cortar nos gastos públicos”, deveriam ampliá-lo, criando maiores deficits orçamentais, para assim provocarem uma recuperação mais pujante, de forma a reduzir a dívida. Caso contrário o sector público caminhará para o fosso, e a sociedade não conseguirá libertar-se do pântano em que a colocaram, deixando a consolação aos tolos da redução estatística da despesa pública.

João Carlos Soares

Barreiro, 06 de Julho de 2011

segunda-feira, abril 18, 2011

Um Grito à Participação Cívica


Um Grito à Participação Cívica

A política, como forma e salvaguarda na defesa do interesse individual e colectivo, foi a formatação escolhida na sua essência pela humanidade, considerando-se que todos são políticos, inclusive aqueles que se dizem apolíticos.


Ao optar por este caminho, a sociedade encontrou o meio mais apropriado e capaz para acelerar o processo de evolução da civilização humana. Considerando-se a política como uma qualidade e um dom presente em cada pessoa, devemos desenvolvê-lo e utilizá-lo de forma positiva, para que venha a produzir frutos, dos quais a sociedade possa retirar algum benefício. Contudo, devido a factores negativos e actos reprováveis dos seus protagonistas, provocados por cidadãos de carácter duvidoso, os quais têm vindo ao conhecimento público, tem-se desvirtuado a política na sua essência, transformando-a numa bandeira à corrupção e à desonestidade.


Perante um acentuado desnorte e irresponsabilidade das estruturas partidárias, cumulativamente com uma cada vez maior ausência de participação social, assistimos, de forma impávida e conivente, ao empobrecimento dos valores que nos deviam nortear, com consequências devastadoras, falta de ideias inovadoras e ausência de participação cívica.

A falta de participação e indiferença social a que vimos assistindo ultimamente, quase de forma perversa, deve-nos alertar para a necessidade de um envolvimento cada vez mais activo e participativo de todos os cidadãos, de forma exigente e responsável, numa reflexão profunda sobre os conceitos que se pretendem ver instituídos e salvaguardados, assumindo que a falta de participação cívica abre caminho ao laxismo dos dirigentes, alimentando de forma galopante uma sociedade cega, num autêntico suicídio e prejuízo de uma democracia participativa em que vivemos.

A consequência de uma ausência de participação, atitude crítica, ideias e opinião, reflecte-se numa verdadeira tragédia para as populações, onde a exclusão social, a pobreza e a miséria são o resultado de políticas facilmente manipuladas, equivocadas e sem compromisso com a vontade da maioria da sociedade.

Há que agir politicamente sem receio, banindo do seu exercício práticas políticas sujas e corrompidas, a bem da sociedade, onde a igualdade social e a justiça andem lado a lado, num processo de valorização do ser humano na sua dimensão individual e colectiva, no combate eficiente à exclusão, através de acções que valorizem e desenvolvam actividades que concorram para a identidade e progresso de um povo.

João Soares

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

PROJECTO DE DESENVOLVIMENTO PARA O DESPORTO LOCAL



Quando falamos em colectividades versus desporto, dá-me vontade de perguntar? Será que falamos de uma e a mesma coisa? Quando nos debruçamos sobre o que foi e o que é actualmente o desporto no nosso Concelho, não podemos deixar de lamentar ao ponto de situação a que o mesmo chegou, fruto de formas e métodos de gestão egoístas e estagnadas no tempo, vivendo como referência à sombra de uma história de sucesso, esquecendo-se no entanto que o futuro se constrói com um planeamento rigoroso de meios e recursos que nos tempos que correm começam a escassear, tornando-se indispensável uma racionalização dos mesmos. Olhando para as infra-estruturas desportivas e o panorama associativo do Concelho, salvo raras excepções, apercebemo-nos da nudez de algumas colectividades que têm vindo a sucumbir a um ritmo constrangedor, fruto de um colectivismo sem alma, confrontada com as mais diversas dificuldades e contratempos, resultado de uma desagregação do tecido associativo e algum egoísmo. Está na hora de consignar para o Barreiro um entendimento entre os dirigentes, onde as colectividades através dos seus representantes legais e demais entidades oficiais, discutam e aproximem ideias e conceitos para uma nova forma de planear e gerir o desporto no nosso Concelho. As colectividades e os seus dirigentes têm o dever e a obrigação de se entender, colocando-se ao serviço e não a servir-se do desporto para proveito próprio. Cada colectividade tem a sua identidade própria, a qual não poderá nem deverá ser renegada. Contudo para a concretização do sonho desportivo que a cidade ambiciona, só deverá existir uma identidade possível enquanto cidadãos barreirenses, “O NOSSO ORGULHO ASSOCIATIVO” e esse só será salvaguardado se encararmos o seu futuro com base numa realidade que espera e anseia pela vontade de todos.

João Carlos Soares

PROJECTO GERACIONAL DE EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA


Raro é o dia em que não somos confrontados com notícias onde a envolvência juvenil como protagonistas de situações de risco se tornam, umas vezes como vítimas, outras como agressores, em casos tristes de violência e marginalidade. Isto, quando estes jovens deveriam usufruir nesta fase da sua vida, dos seus ideais em construção, alicerçando valores suportados por uma formação na base de conceitos, onde os deveres e as obrigações, se sobrepusessem ao sonho e à ambição de uma sociedade consumista, são de imediato apanhados pela malha conturbada dessa mesma sociedade, passando sem se aperceberem ao consumo de drogas e álcool, ficando a um passo do mundo do crime.

Perguntamos-nos por vezes, quais a razões que levarão estes jovens a seguir este caminho?

Falta de formação escolar, falta de estrutura familiar e insuficiente educação intelectual e humana com a subsequente falta de valores de cidadania?

Quando falamos em educação, por vezes achamos que a educação dos jovens, é um exclusivo das escolas, como se as escolas tivessem em termos curriculares e na prática, aptidão e competências suficientes para tal, pelo que se imputa quase sempre aos professores a falta de equilíbrio intelectual dos nossos jovens, quando nos esquecemos que a escola complementa-se na rua e na casa de cada um, desempenhando um papel importante na arquitectura social de cada indivíduo, mas, quando a família não existe ou não tem estrutura à altura, poderá funcionar no sentido contrário, contribuindo negativamente na consolidação dos valores pretendidos e conduzindo os jovens à marginalidade.

Quantos jovens conhecem as leis básicas do seu próprio país, a Constituição da República, bem como do espírito que conduziu e orientou na concepção dessas leis e a quem essas leis devem proteger?

Quantos conhecem no seu dia-a-dia o que é uma vida saudável?

Quantos estão aptos para o trabalho?

Quantos têm a convicção nos princípios morais do país ou sequer reconhecem a sua existência?

Quantos estão preparados para enfrentar os perigos do assédio sexual e moral?

Quantos estão preparados para viver na realidade do dia-a-dia da criminalidade, com as suas tentações e assédio?

Quantos estão preparados para o exercício da cidadania?

Quantos estão preparados para aceitar a diversidade de cor, raça, orientação sexual, política de comportamentos, cultural, etc.

Como se pode ainda dizer e afirmar publicamente que a escola da vida não forma nem educa?

Particularizando ainda mais, nós ao fim e ao cabo, chegamos à conclusão que ajudámos a construir um sistema que não educa para a vida real e queremos que os nossos jovens saibam viver em sociedade!

A identificação destas falências no sistema, são factores imprescindíveis de apuramento e discussão para aprofundar as causas e a relação entre a violência, a educação e a criminalidade, pois ninguém é educado para ser criminoso.

Em contrapartida também não nos preocupamos em formar cidadãos na ascensão da palavra, mesmo sabendo-se que todos ou quase todos andaram na escola.

Para uma escola e um sistema educacional equilibrado, torna-se imprescindível e preferível aprofundar uma articulação entre um Projecto de Ensino Temático, as Redes de Apoio Social, Associações de pais, Forças da Ordem como a PSP e a GNR, de forma a criar um sistema de prevenção, impedindo-se assim, no futuro, que os jovens se transformem em agentes do crime e outros vítimas da sua falta de estrutura social.

A socialização na escola e o acompanhamento dos jovens em situação de risco, será a principal senão a única forma de prevenção da criminalidade, numa forma activa, com realismo, presente todos os dias e dotada de meios na sua prossecução.

Para que tal possa vir a ser uma realidade, em primeiro lugar a Sociedade tem que se consciencializar de que a segurança não é somente um problema do Estado mas de todos, quantos se preocupam com a segurança e o bem-estar numa luta sem tréguas contra a violência e a criminalidade instaladas.

Não podemos continuar de mãos atadas à espera de soluções que tardam, de medidas miraculosas de assistencialismo, como se de uma doença contagiosa se tratasse, mas sim percebermos que tanto a violência e a criminalidade associada, quer uma como outra, são a causa efeito das desigualdades de oportunidade, pelo que se torna indispensável a implementação de projectos sociais, programas de assistência e acompanhamento a necessitados, bem como de outros meios que possam estimular as populações na educação, na prática desportiva, lazer, trabalho e cidadania, promovendo assim a inclusão social dos cidadãos mais desfavorecidos, diminuindo as insuficiências nas famílias em dificuldade e, permitindo o equilíbrio social, económico e de oportunidades de todos sem excepção.

Contudo, para mal dos nossos pecados, existem outros factores tais como a corrupção e a pedofilia, que são ultimamente notícia de primeira página, onde os protagonistas, responsáveis e representantes ao mais alto nível da Nação, fazendo parte de classes e extractos sociais que não se enquadram nos parâmetros típicos das famílias em risco ou exclusão, contribuem sem dúvida nenhuma para um exemplo devastador dos valores de consciência, insegurança e desacreditação da sociedade.

Recai nos órgãos de comunicação social um papel de extrema importância na luta por uma sociedade mais justa e igualitária no desenvolvimento e nas práticas de ideias numa sociedade moderna e geracional, publicitando e concorrendo para o esclarecimento das populações e não para o favorecimento de interesses e clientelismo político no momento, mostrando com verdades suportadas em factos, e não com opiniões rebuscadas em comentadores arregimentados que, como única e exclusiva intenção, pretendem manobrar a opinião pública, com disfarces pouco conseguidos.

Acima de qualquer opinião formada ou construída do nada, deverá prevalecer uma análise à segurança pública baseada numa aferição profunda de acções e medidas até agora levadas a efeito, observando-se os critérios na sua implementação, dificuldades, objectivos definidos e concretizados, razões para o sucesso ou insucesso de um Projecto Geracional de Educação para a Cidadania, sustentado por práticas socioeducativas, na procura de potencialidades e limites de estratégias socializadoras definidas para a constituição das formas de pensar e agir de jovens nas camadas populares enquanto cidadãos.
João Carlos Soares