quinta-feira, novembro 22, 2007

Agitação ou Metamorfose?


Para que a vida se não venha a transformar numa coisa sem sentido, até mesmo absurda, as corporações em consonância com os interesses privados, terão que se colocar ao serviço de uma vida com qualidade para os cidadãos, e não exclusivamente ao serviço das suas necessidades de acumulação de riqueza, ainda sugerindo que nos devemos sentir gratos e reconhecidos pelos empregos que nos proporcionam.
Contudo, não podemos simplesmente levar a mal, ou julgar negativamente, todos aqueles que procuram a maximização dos seus capitais, rentabilizando as competências técnicas e desprezando ou descurando por completo a inteligência da vida. A nossa acção tem que se centralizar, enquanto membros de uma sociedade, na organização e racionalização de conceitos e valores, assumindo as rédeas do processo, de forma a construirmos um futuro menos comprometido e hipotecado, num universo menos violento, menos ignorante e mais humanizado.
Os idosos na nossa sociedade, membros da chamada terceira idade ou seniores, para outros, os quais muitas vezes se confinam isolados nos seus lares, começam a despertar para uma actividade organizada em grupos e associações, passando a utilizar e tirar proveito de décadas de vida útil que têm pela frente, ajudando a revitalizar a comunidade a que pertencem, animando espaços de lazer e de cultura, a exemplo da UTIB (Universidade da Terceira Idade do Barreiro), organizando o enraizamento comunitário, contribuindo com o seu imenso conhecimento humano, que é o que mais falta, em conjunto com o seu inestimável e formidável capital de tempo disponível.
Tudo isto e muito mais se poderá começar a elencar, num universo que pouco a pouco se vai descortinando, a partir do momento em que as pessoas descobrem e se apercebem de que são pessoas, de que são cidadãos e não apenas clientes de uma sociedade de consumo, como tal, são parte da sociedade e têm direitos.
Quem tiver interesse e vontade, poderá associar-se a iniciativas que existem e vão aparecendo por toda parte. O comum cidadão, já não se pode considerar necessariamente impotente, podendo utilizar o voto como factor de decisão nas suas opções de liderança, com as suas poupanças nos actos de uma qualquer aplicação financeira, com o seu trabalho voluntário no serviço e apoio a organizações da sociedade civil, as quais começam a despertar para uma realidade incontestável. É incontornável e impressionante o número de pessoas que pretendem constituir-se como agentes cívicos socialmente úteis, em contra ponto com aqueles que preferem passar a vida ostentando um sucesso individual fora de contexto, descaracterizado e vazio.
Esta análise e este mal estar que por vezes sentimos, não poderá de forma alguma ser necessariamente imputada à esquerda ou à direita, não será necessariamente apanágio do rico ou do pobre, fazer-se sentir em países desenvolvidos ou não. Este mal estar deve ser considerado mais como um mal estar resultante dos males da nossa civilização, ou cultura no sentido mais amplo deste termo.
A imaginação humana sem limites conhecidos, a sua inteligência ao serviço da inovação, através das tecnologias entretanto desenvolvidas e disponibilizadas, os imensos avanços científicos na descoberta das nossas origens, são e tornam-se insignificantes, quando comparados com as suas necessidades humanas triviais.
Sendo uma tarefa simples mas imensamente complexa, o maior desafio com que nos confrontamos actualmente, prende-se com a nossa capacidade de conseguirmos, ou não, adaptar as tecnologias e o potencial económico, ao serviço das necessidades humanas.
Torna-se necessário reencontrar algum equilíbrio, porque os sistemas, ao longo dos tempos, conseguiram gerar uma realidade desconforme, através de segmentações doentias de classes.
Perante a globalização e o universo por si gerado, dominado pela vertente mercantil vocacionada exclusivamente para o lucro, torna-se e exige-se, dos nossos dirigentes, alguma contenção na teoria exclusiva da vertente económica, de forma a ser encontrado um eixo condutor de primazia nas políticas sociais, impedindo a utilização, instrumentalização e manipulação obscena e injustificada de interesses absurdos, para voltar a colocá-la ao serviço da humanidade.
Os tempos do espectro levantado pela especulação e manipulação dos seus suportes políticos, torna-se numa rejeição cultural, transformando-se num imenso saco cheio de uma sociedade que pretende outra coisa, a qual começa já a arregaçar as mangas.
Enquanto não construirmos pela base uma sociedade que se articule entre todas as camadas sociais e assuma as rédeas do seu desenvolvimento, não poderemos esperar, nem fazer depender do surgimento ou da chegada ao poder de uma qualquer personagem redentora, para o cumprimento desta tarefa, exigindo de todos nós mais iniciativa e organização, consciência e inteligência social.


João Carlos Soares

sexta-feira, novembro 02, 2007

Violência Política ..... Social



Desde os fatídicos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 e das guerras no Afeganistão e no Iraque, existe a sensação de que o mundo se encontra mergulhado num banho de violência política e dominado, de uma forma assustadora, pelo terrorismo.
As imagens e os testemunhos alucinantes e perturbadores, alimentados por uma fome de protagonismo e liderança mediática, lançando o pavor entre as populações, relatando medonhos e reprováveis atentados e explosões homicidas, espalhando o horror e a insegurança, dando tudo isto a impressão de que o mundo estaria a ser varrido pelo furacão de uma espécie de novo conflito mundial, tendo como protagonistas o terrorismo internacional, de uma forma mais atroz que os anteriores.
Esta impressão não pode de forma alguma ser considerada falsa. Em contra ponto contrariando as aparências, a violência política nunca foi tão débil. As revoltas e insurreições de ordem política, as guerras e os conflitos raramente foram em tão pouco número. Por mais espantoso que isto possa parecer, e a despeito dos media, o mundo social está calmo, tranquilo, podendo até afirmar-se que se encontra em grande medida pacificado.
Para se perceber e reconhecer esta realidade, temos que retroceder vinte ou trinta anos, quando quase todos os grupos de protesto radicais adeptos da luta armada desapareceram, ou se foram extinguindo.
Salvo algumas excepções, onde uma nova forma de confronto social vem ganhando adeptos através da crença islâmica, ocupando agora a parte mais visível da cena mediática. Contudo as suas acções, por mais espectaculares que se apresentem, não conseguem disfarçar o essencial: a luta política perdeu força, e rarefez-se.
Quererá esta situação reflectir a ideia de que não existem neste momento outras formas de violência em acção?
É claro que existem, começando pela violência económica dos agentes poderosos do capital estimulados pela globalização liberal, que exercem sobre os povos dominados.
Esta pressão económica, visando o enriquecimento dos ricos, que se vão tornando cada vez mais ricos, aumentando as desigualdades com uma dimensão nunca antes vista.
Torna-se revoltante e inquietante os níveis atingidos pela pobreza, traduzidos em cerca de metade da humanidade, onde mais de um terço atingiram o limiar da miséria, cerca de 800 milhões sofrem de má nutrição, etc.etc.etc...
Por mais incrível que pareça, todos estes milhões de condenados continuam emudecidos, controlados e politicamente acomodados, tornando-se num paradoxo do nosso tempo, havendo mais pobres do que nunca e, em contrapartida, nunca ter havido ou fazerem-se sentir tão poucos revoltados.
Torna-se pouco provável que esta situação assim possa permanecer por muito mais tempo, afigurando-se a médio prazo, o regresso ao combate dos oprimidos contra os opressores, e em especial, a luta dos pobres contra os ricos, com alguma expressão actualmente, através do aumento da delinquência, da criminalidade, da insegurança, e que, um pouco por toda a parte, venham a adquirir características de uma autêntica guerra social.
Há uns anos atrás, um qualquer cidadão na posse de uma arma, aderia a uma organização de luta armada para mudar o destino da humanidade, defendendo os ideais em que acreditava. Hoje em dia, na posse de uma arma, pensa primeiro na sua própria pessoa e, por se sentir vítima da ruptura da estrutura social dominada pelos agentes económicos, irá romper com os seus compromissos de cidadania, atacando bancos, assaltando ourivesarias e gasolineiras.
Perante esta vaga ascensional de conflitos, originando como tal uma cada vez maior onda de insegurança, faz com que em muitos países a despesa orçamental utilizada nesta guerra social, ultrapasse as verbas destinadas à sua própria defesa nacional, no sentido de proteger os ricos do desespero dos pobres, reprimindo e recalcando os mais desfavorecidos com políticas de contenção nas áreas da saúde, educação e direito ao trabalho.
Não nos podemos permitir e encarar os factos como dados adquiridos. Perante o agravamento das desigualdades, os cidadãos acabam sempre por se revoltar. O actual aumento da criminalidade e delinquência, que muitas vezes não passam de formas primitivas e arcaicas de agitação social, começam por se constituir como um sinal preocupante e indiscutível do desespero dos mais pobres perante a injustiça do mundo. Ainda não se poderá designar este tipo de acção como actos de violência política, mas temos a consciência e o pressentimento que não passa de mais um adiar, que não sabemos até quando e de que forma o vamos conseguir deter.

João Carlos Soares

sábado, outubro 27, 2007

Os anti-corpos na Democracia



Ninguém deve, nem pode, em democracia, duvidar da real eficácia exercida pela oposição organizada contra a concentração do poder na governança, devendo ter a percepção do seu exercício bem apurada, retirando os necessários dividendos como resultado da fraqueza na dispersão do poder e na diferença entre a ilusão e o efeito prático.
Torna-se necessário julgar o exercício do poder, independentemente de se ter ou não uma opinião totalmente imparcial e independente na sua análise.
O exercício do poder pode trazer sofrimento, indignidade e infelicidade à sociedade, mas a ausência desse exercício, não são garante nem impedimento para que esse sofrimento, indignidade e infelicidade não se façam igualmente sentir.
Acima de tudo, deve existir um sentido razoavelmente sólido sobre a natureza e estrutura do poder, as suas fontes e premissas, instrumentos com os quais é exercido, sobre as várias associações entre as fontes e os instrumentos do poder, sobre a sua mudança no decorrer dos tempos e sobre o seu efeito sobre a comunidade.
Tem que haver um entendimento e conhecimento profundo do exercício do poder nos tempos modernos, o qual apresenta índices de eficácia extremamente elevados, face à forma ostensivamente inocente como permitimos o seu exercício, porque entendemos e acreditamos estar a responder a uma convicção aparentemente normal e a uma virtude aparentemente natural e aceite pela comunidade.
Torna-se necessário reconhecer que também na oposição a consolidação do poder, a difusão e a competição entre muitas organizações opostas, constituem um elemento importante e fundamental, na defesa da verdade, como factor imprescindível e essencial para a consolidação de um estado democrático.
Fundamentalmente, cidadão atento que se preze, terá que ter em atenção de uma forma geral, um sentido crítico, prático e persistente de como e do que está por detrás das nossas referências diárias com o poder e do nosso constante envolvimento com ele.
Os que outrora eram obrigados a aceitar o exercício do poder através da coacção organizam-se agora automaticamente para lhe resistirem, numa prova irrefutável de resistência, reacção que era então vista noutros tempos como subversiva, e que agora numa atitude pela afirmação dos mais altos valores da sociedade, retiram, senão por completo toda ou qualquer imunidade aos que o exercem.
Escusado será dizer que o avanço das intervenções de cidadania, a aposta consciente nas ideias e conceitos inquestionáveis na decisão do interesse público, poderão vir a reduzir consideravelmente a ambição desmesurada, por vezes até criminosa, de apego ao poder, desacreditando as avalanches populistas de políticos enfeudados e coagidos por estruturas complexas e sinistras de contra poder, as quais dissimuladas e encapotadas em algumas estruturas partidárias, fazem capitular os ideais da sua génese.
As ideias que comandam a visão e o expansionismo liberal que começa a dominar o mundo, são o exemplo de como se não deve confundir a eficácia social com a eficácia económica e esta com a rentabilidade financeira do capital, funcionando como denominador comum, que em cadeia, traduzem o domínio do económico atrofiando o pensamento social, condicionando e aniquilando a sustentabilidade social das sociedades progressistas e contribuindo com esse factor para assegurar cada vez mais a implementação e consolidação das tendências capitalistas.
Por outro lado, com a premissividade a que nos vamos adaptando, fruto de uma atitude colectiva desmobilizada e descrente, sujeitamo-nos e aceitamos um sistema o qual designamos de democracia, que, ao fim e ao cabo, não passa de um sistema de funcionamento estatal e governamental, que se constitui por eternos eleitos, acumulando ou alternando funções municipais, regionais, legislativas ou ministeriais, simplesmente agarrados à população pelo essencial da representação dos interesses locais.
Esta situação traduz-se numa roda viva de ministros ou colaboradores de ministros recolocados em empresas públicas ou semi-públicas, homens de negócios ou socialmente bem instalados e apadrinhados, na procura de mandatos eleitorais que lhes venham a proporcionar através dos seus desempenhos públicos, benesses e privilégios, que de outra forma alguma vez teriam hipóteses de vir a concretizar, numa sociedade justa e equilibrada.


João Carlos Soares

domingo, outubro 14, 2007

Personalidade......Liderança.......Poder

Na eminência de se poderem vir a afirmar como líderes no futuro, a tendência actual dos políticos é exagerar o papel da sua personalidade, conjugado com a vaidade no exercício da sua actividade, transformando este binómio como factor fundamental e indispensável para a sua afirmação.
Prova disso, é a forma como acreditam dispor, de maneira excepcional, das qualidades de liderança resultantes da inteligência, encanto ou capacidade retórica confirmada, a qual os motiva a crer e fazer acreditar os outros também.
O que poderemos chamar de efeito bajulador, é outra das razões que contribuem efectivamente para o engrandecimento da personalidade como fonte de poder ambicionado.
Os instrumentos de poder disponibilizados e a que os lideres têm acesso, tal como as influências que passam a ter nos diversos meios e órgãos de decisão, conferidos pela sua condição perante o poder, são em certa medida uma atracção natural para todos aqueles que desejam partilhar e usufruir o poder dessas influências, vivendo à sua sombra.
Nesse contexto, constará para memória futura, que o poder concedido resulta, isso sim, do facto de integrar uma organização, à sua personalidade, às suas qualidades como líder, fazendo na insistência de tal constatação, o acreditar e fazer acreditar, de quem o rodeia, tal presunção.
Faz parte da natureza, naquilo que se convenciona chamar de contexto social, dramatizar também o papel da personalidade. Uma grande parte das relações sociais está relacionada com quem exerce o poder, por outras palavras, com quem está a impor os seus objectivos aos outros. Grande parte do esforço social despendido nas comunidades, consiste em procurar ligações com os que são considerados como poderosos. Este tipo de atitude, é muito apreciado pelos que a recebem e, por isso, políticos, funcionários públicos, jornalistas e outros cultivam e alimentam uma atitude pública que sugere poder ou dá a entendê-lo como omnipresente. Na forma como agem, vestem e no seu próprio comportamento social em geral, mostram um aspecto bem elaborado e estudado de liderança e comando.
As conversas e os temas desenvolvidos, centram-se frequentemente, e muitas vezes de maneira ostensiva, na forma como a vontade do orador se está a impor aos outros, o que, diga-se, resulta frequentemente de forma bastante convincente.
Os rituais utilizados na política, reuniões, plenários, assistências e aplausos, também conduzem a um equívoco sobre a personalidade como fonte de poder, isto porque os oradores falam regularmente para públicos já totalmente condicionados às suas convicções, adaptando por isso o seu pensamento automaticamente, àquilo que sabe ser essa convicção.
A descrição de um líder, tal como vulgarmente a sociedade o concebe, sofre de uma certa ambiguidade e como tal assim deve ser encarada. O líder pode ser brilhante a obter a submissão dos outros ao seu objectivo, mas na referência que lhe é feita no dia-a-dia não passa de um perito em se identificar com a vontade condicionada da comunidade em que se insere e na sua capacidade de identificar para essa mesma comunidade os seus próprios projectos.
O poder de um líder pode-se avaliar pela forma como consegue convencer os seus seguidores a aceitar as suas soluções para os problemas deles e, consequentemente, o seu caminho na concretização dos seus objectivos.
Quando esses objectivos são conseguidos, quando a sua personalidade entra em associação de proximidade com o seu eleitorado, poder-se-á desenvolver uma estrutura, que dotada de organização, se transformará numa verdadeira e eficiente máquina política.

João Carlos Soares

sábado, setembro 22, 2007

Consciência Pública.



Com o decorrer dos anos, tem-se vindo a convencer as pessoas da existência de factores que estão por detrás das habituais referências na corrida ao poder, quer sejam no campo económico, político, militar e religioso, os quais incluem igualmente o poder atribuído aos mídia e à opinião pública.
Estas referências do quotidiano, em virtude de não deixarem indícios das constantes subjacentes, escondem geralmente tanto ou pouco mais do que revelam ou podem deixar transparecer.
Devemos a todo o custo identificar e tornar visíveis as fontes de poder dissimuladas, quer na personalidade dos seus agentes, quer na organização do modelo de sociedade imposta, tal como tentar a todo o custo expor os instrumentos com que o poder instalado se exerce, coage e é coagido.
Antes de mais, é preciso tentar entender-se o que faz correr as pessoas atrás do poder, quais as intenções que as levam a procurá-lo, bem como da forma e estado de espírito como o assunto deverá ser abordado.
Tal como com o que diz respeito ao poder em geral, a finalidade pela qual é procurado, são de certa forma amplamente entendidas mas muitas das vezes, senão sempre, muito rara e explicitamente expressas. Indivíduos e grupos abeiram-se e cativam o poder para desenvolverem os seus próprios interesses, incluindo, nomeada e exclusivamente, os seus próprios interesses pecuniários, valores pessoais e sociais, descurando a defesa e valorização do bem público.
O político procura o apoio dos seus eleitores formulando e reformulando promessas encima de promessas, muitas vezes como forma de submissão dos seus eleitores às suas necessidades, por vezes sem qualquer tipo de intenção no seu cumprimento, mas simplesmente como forma de se manterem no poder.
Se estiver estreitamente confinado aos interesses de um indivíduo, diz-se que o poder é procurado com fins egoístas; no entanto se o reflexo e percepção desse interesse for extensivo a um número muito mais vasto de pessoas, os envolvidos são considerados como alguém politicamente inspirada, lideres, mesmo que se fiquem por uma mascarada forma de defesa dos interesses colectivos.
Todos sabemos e reconhecemos, infelizmente, que as intenções que levam por vezes à procura do poder são muitas vezes falsas, intencional e habilidosamente escondidas pelos seus actores.
A falência de estratégias e objectivos sociais nas políticas partidárias, têm conduzido os partidos na procura de apoios influentes nas áreas económicas, os quais mais tarde apresentam à sociedade como benfeitores públicos, apontando-os hipocritamente como agentes diligentes na sociedade e amigos dos pobres.
Em todas as sociedades o exercício do poder continua a ser considerado profundamente apreciado e apetecível, pois os rituais que o mesmo proporciona aos seus agentes, faustos e pretensiosos jantares e banquetes, lugar privilegiado nos desfiles, multidões de admiradores e discursos aplaudidos, são como que uma celebração principesca de posse do poder.
Tanto no contexto como no exercício do poder, resulta numa vaidade como sensação de valor auto accionado, aspecto debilitante da existência humana que a fragiliza e faz correr actualmente tanto perigo, não só pelos serviços que presta aos interesses pessoais, valores ou percepções sociais, mas também para benefício próprio, pelas recompensas materiais e emocionais inerentes à sua posse e exercício.
Porém, enquanto que a procura do poder pelo poder não é admissível, a realidade, como sempre, deverá fazer parte da consciência pública.

João Carlos Soares

terça-feira, setembro 04, 2007

Participar........, pensando Global


Para uma participação política mais evidente, torna-se necessário, ou existe como que uma urgência, um jogo de sobrevivência e vida, de esperanças e de grandes desgostos.
Resulta daí uma tendência naqueles que desejam restituir algum sentido e algum vigor a uma política da qual muitas pessoas fogem, para utilizarem abordagens esquivas, elaboradas e mais localizadas. Contudo, é grande o risco de que, face à monotonia da vida democrática, apareçam cada vez mais atitudes anti-políticas, populistas, nacionalistas, racistas e autoritárias.
Falar-se em termos gerais de défice político da sociedade, é um erro; devemos, isso sim, reflectir sobre a mutação contemporânea a que o agente político se encontra sujeito, o qual se nos apresenta e surge numa primeira instância com o aspecto de uma crise, a começar pela crise da sua própria identidade e representatividade.
Não falando dos bloqueios e das disfunções que começam a afectar alguns sistemas políticos, uns mais do que outros, resultado do processo de globalização em curso, ou devido à sua estrutura ou por razões mais conjunturais, submete-se esse mesmo sistema político sacudindo-o e obrigado-o a transformar-se e adaptar-se por evoluções que provêm e resultam, umas das alterações no interior da nossa sociedade, outras provenientes e externas a essa mesma sociedade.
Do ponto de vista interno, o sistema deve aprender por si, ou reaprender a enfrentar as questões sociais, os dramas provocados pela crescente pobreza dos povos, da exclusão, dos filhos sem pais, da falta de segurança, das injustiças e das desigualdades crescentes.
Tudo isto exige que sejam tomadas medidas voluntariosas, por forma a garantir, num futuro próximo, o tratamento dos imensos desafios culturais que dizem respeito à vida e à morte, aborto/eutanásia, à procriação, à família, às relações entre sexos e responder de forma construtiva e formativa, ao surgimento de entidades colectivas étnicas, com as suas memórias colectivas, as suas expectativas de reconhecimento, direitos e obrigações.
Do ponto de vista externo, é necessário encarar e saber resistir com estoicismo e bravura às pressões que são exercidas cada vez com mais intensidade a partir do exterior, o que obriga os sistemas políticos a adaptarem-se às lógicas brutais do capitalismo financeiro e do comércio sem fronteiras, ou ao fluxo migratório, que provoca, sem qualquer dúvida nos países de acolhimento desses fluxos, tendências para a etnicização da vida colectiva da sociedade receptora, aumento das tensões sociais, a exacerbação do racismo, da xenofobia e, muitas vezes, o aumento da violência, o extremismo e consequentemente o aproveitamento político-partidário transformado em atitudes de puro e mediático populismo.
Os actores políticos, neste quadro de globalização, devem aprender e pensar igualmente de uma forma global, inventando e criando raciocínios que os conduzam a propostas que lhes permitam, de certa maneira, ultrapassando as fronteiras a que geograficamente e culturalmente continuam sujeitos, projectando-se e divulgando o seu país no mundo inteiro, sem deixarem nem delegarem essa responsabilidade apenas aos supostos especialistas das relações internacionais.
Mas se se torna possível falar de mutação, e não apenas de crise, porque razão existe um forte sentimento de défice político nos seus actores?
A resposta a esta interrogação, bem como a clarificação desses mesmos actores, só com grande dificuldade a conseguimos discernir, face à componente esquerda direita, que resiste como factor diferenciado no status-quo de uma sociedade predominantemente redutora como a nossa.
O défice político, só deixa de ser um problema das sociedades que, nunca tenham conhecido uma organização onde a ideologia e os princípios se regem por projectos, princípios de igualdade e de articulação das exigências sociais com o Estado, e esse de certeza que não será um problema para a direita mas sim para esquerda, que tem que fazer um esforço constante para evoluir, mantendo-se fiel na defesa e resolução dos desafios da nossa época, abdicando até, se assim for necessário do estado-providência, hipotecando perante os seus apaniguados os princípios e os conceitos que têm suportado ao longo dos tempos a sua postura perante os mais carenciados.
A revitalização ou a recriação em larga escala da social-democracia, esgotada e condenada em certos momentos da nossa história, torna-se imprescindível e necessária, a fim de que possam ser propostas novas formas realistas de solidariedade, renovando-se as instituições e abrindo-se novas expectativas, sociais e culturais, diferentes ou pelo menos oxigenadas, daquelas que polulam na contemporaniedade dos nossos tempos, num mundo de trabalho industrial protegido e da função pública, ou similar, mundo sobre o qual ela ainda hoje se apoia com demasiada e excessiva força.


João Carlos Soares

quinta-feira, agosto 09, 2007

Ser-se politicamente correcto, ou a razão prática das coisas


Olhar e não querer ver, para além de ser uma atitude pouco recomendável, principalmente por parte de pessoas que não tendo responsabilidades directas na gestão de um município, aspiram a essa honrosa distinção, mas que e com as suas posições politicamente correctas, se esquecem da realidade dos factos e escondem a verdade dos acontecimentos.
Torna-se irresponsável esse protagonismo, ainda mais quando, sem olhar a meios, colocam em causa e contestam sem qualquer tipo de fundamentação credível, decisões levadas a cabo após demoradas, preocupadas e descomprometidas medidas, no sentido de se encontrarem soluções que repusessem os interesses dos cidadãos e do concelho acima de qualquer outro interesse, evitando a todo o custo alimentar e sustentar posições oportunistas, fazendo da política um domínio de opções contraditórias, remetendo não somente para opiniões e contributos, mas também para realidades e mundos opostos.
Exactamente pelo que referi, se torna cada vez mais latente aos olhos do cidadão comum, o desequilibro conflictual que cada vez mais se faz sentir na sociedade que temos construído, onde não existe senão uma única realidade que não nos permite outra escolha ou opinião, dependendo do lado em que nos encontramos, ou do partido ou tendência política que representamos.
Na verdade, as opções e consequentemente as decisões assumidas, são sempre criticáveis, contudo as mesmas são susceptíveis de avaliação e critérios a que tenham sido sujeitas, sendo as respostas adaptadas à realidade incontornável de uma gestão corrente, dependente fundamentalmente da realidade do mundo em que vivemos.
Na base da limitação e condicionalismos de qualquer decisão, é quase impossível, em contrapartida, calcular e discernir o equilíbrio certo entre o possível e o impossível, não devendo por isso usar-se como argumento de arremesso político numa tarefa simples de adaptação à dura realidade da vida.
A autoridade da decisão, encontra-se ainda que legitimada, por um lado, pela virtude da escolha dos cidadãos, por outro pela sua capacidade de optar pelas melhores soluções, perante os problemas colocados por esses mesmos cidadãos.
O reconhecimento dessas soluções derivam do conhecimento do estado objectivo das coisas, que é e deve ser assunto do saber especializado e não de escolhas ou decisões populistas.
A progressão de atitudes alicerçadas em movimentos populistas, aumentam os índices de instabilidade cívica que persistem em mobilizar-se, dando provas de uma crescente prova de mediocridade política, quando não da sua corrupção, em contra ponto à paixão democrática que tanto incomoda o capricho daqueles que pretendem transformar a função dos eleitos, simplesmente pelo desejo de que a política nada mais signifique do que uma simples escolha entre eleitos substituíveis..
O populismo, designação cómoda sob a qual se dissimula a contradição exacerbada entre legitimidade popular e legitimidade sábia, dificultam cada vez mais uma governação com realismo, que não se acomoda nem verga a supostas manifestações de democracia.

João Carlos Soares

sábado, julho 28, 2007

Pensar ..... Sentir ...... Acreditar.


O Populismo e a tendência para o autoritarismo, para além de se considerar como um défice político numa democracia participativa, estão directamente ligados ao comportamento da sociedade perante a incapacidade de gerir e apresentar soluções para os problemas sociais, resultantes do desequilíbrio, falta de confiança e da fragilidade da estrutura no próprio sistema.
A tendência para a procura incessante de culpados e factos que conduzem qualquer sistema para o autoritarismo, desvia e conduz o pensamento dos cidadãos, para análises e atitudes que em nada contribuem para as correcções necessárias e indispensáveis, no modo e na forma como a população na defesa dos interesses e direitos consignados pela constituição, possam de forma coerente e consistente, exigir aos seus representantes a concretização de decisões e opções políticas sociais, no interesse e defesa dos mais desprotegidos.
A descapitalização participativa dos cidadãos nas grandes decisões de estratégia, eleições, referendos, etc..., favorecem e abrem caminho a dinâmicas fundamentalistas, umas de esquerda outras de direita, as quais conduzem inevitávelmente qualquer sociedade para momentos de crise política, o que não significa necessáriamente crise sócio-económica. O certo, é que uma conduz à outra, até como forma de justificar muitas vezes, aquilo que a própria razão não consegue explicar, servindo como um excelente alibi, para qualquer governo justificar intervenções que inevitavelmente conduzem ao aumento de impostos, cortes a nível da sustentabilidade social, como sejam o exemplo da saúde, educação, etc..etc..., para não falar no condicionamento ao acesso ao emprego e estrangulamento à pluralidade e liberdade de expressão.
Todos estes factores, bem como os discursos de ocasião, pouco credíveis dos nossos representantes, reflectem o défice social e político sentido pela população relativamente aos problemas da globalização e à dinâmica económica que a sustenta, desprezando as lógicas sociais dissociando-as dos processos políticos, e não considerando os critérios que induzem essas decisões, desprezando o nível de vida, a pobreza, a esperança de vida de cada um.
O fio que une toda uma débil estrutura social, fica por vezes deveras esticado para a tensão a que se encontra sujeito, e o inevitável acontece, rompe. Esse facto, mesmo considerado por alguns como inevitável numa sociedade competitiva, produz de imediato efeitos, a que alguns acharão necessários, mas que de certa maneira contribuem para um cada vez maior desequilibrio, desconforto, falta de confiança e insegurança.
Contudo, não poderá nem deverá servir como razão para todo o tipo de procedimentos numa sociedade onde se pretende, acima de tudo, preservar e consolidar os valores da solidariedade, evitando o declínio a dispersão e a capacidade de decisão a ela associada. Porém a crise nas instituições torna-se evidente quando a sua capacidade de decisão é posta em causa, pelo que se torna necessário e imprescindível que com a frontalidade, a verdade, a transparência, e a seriedade dos elementos intervenientes, se faça de uma forma positiva, construtiva e participativa, sem cinismo, demagogia nem qualquer outro tipo de hipocrisia.
Sei que se torna por vezes difícil aceitar regras, acatar decisões, quando essas decisões resultam, na grande maioria das vezes, na concretização de procedimentos e acções, as quais condicionadas por interpostos interesses, nem sempre vão de encontro ao interesse daqueles a quem essas decisões se destinam.
Exige-se por isso, bom senso e intelgência aos actores, condição fundamental para qualquer decisão que implique transformações na comunidade e possa conduzir a situações desconfortáveis, evitando-se atitudes irreflectidas, egocêntricas e precipitadas, criando-se e capitalizando-se cenários virtuais, onde predominam como factores o desconhecimento e ignorância das permissas e dos factos, os quais irão contribuir para a conflituosidade, falta de confiança e o descrédito naquilo em que acreditamos.
Uma visão de democracia representativa, assente e fundamentada apenas em factores ideológicos, seria , por isso mesmo, irremediavelmente uma forma catastrofista e impotente para nos levar a aceitar a sua autoridade.
Por vezes, em nome do saber e da suposta exclusiva competência, apresentam-se como pretensos representantes do povo, encarregando-se de estimular com o seu discurso e as controvérsias do seu conteúdo, a radicalização das suas posições.
João Carlos Soares

segunda-feira, julho 09, 2007

Opinião Pública - Contornos democráticos


Como refiro e realço no post anterior, não se pode imputar às dificuldades estruturais ou conjunturais dos sistemas políticos, a única e exclusiva razão para a actual crise de representação política instalada na nossa sociedade.
Essa crise resulta também da vida social, institucional e cultural, bem como de lógicas externas, algumas transnacionais ou até supranacionais. Significa isto na prática, a dependência dos povos que se sujeitam e são confrontados constantemente pelos condicionalismos dos acordos resultantes da globalização.
A crise da representação é, antes de tudo, fruto de uma crise da própria sociedade, ligada e identificada por processos de desestruturação dos laços sociais, os quais resultam na exclusão e precariedade cada vez maior de extractos inteiros da população mais desfavorecida e carenciada.
Quando se fala no défice do actor político, antes de mais, fala-se e referimo-nos ao défice social, o prolongamento ou o eco da falta dos direitos sociais e das injustiças que recaem com maior incidência sobre as camadas populares.
O fim dos regimes autoritários e a passagem para sistemas abertos e democráticos, não impedem a violência, o tráfico de influências ou o surgimento de grupos organizados, que vêm substituir-se às relações sociais.
O crescimento das taxas de criminalidade aumentam e os governos são incapazes de enfrentar as redes de crime organizado, resultando daí o delapidar do sistema democrático através da existência cada vez maior de carências do sistema político e da sua equidade, as quais se encontram associadas à decomposição da vida social, e também à ruptura que surge como resultado das frustrações sociais, por um lado, e da oferta política, por outro. Essa crise social é bem patente nas diferentes classes sociais descaracterizadas que vivem nos nossos centros urbanos.
Esta crise é quase sempre acompanhada pela miséria dos mais desprotegidos, pela ausência de vida pública transparente e pela perda das formas tradicionais de solidariedade.
Em democracia, a crise política é alimentada por uma eventual crise social, mesmo quando existem um elevado nível de direitos cívicos e de cidadania consignados na constituição. E é assim porque aquilo a que os cidadãos são particularmente sensíveis é à precariedade das condições de vida de alguns deles. Os direitos cívicos, por mais importantes que sejam, não acabam contudo com a pobreza e a miséria, o desemprego, a exclusão social, a marginalidade e o abandono.
Termos como “para que quero eu a democracia, se a miséria e a fome continuam...” fundamentam-se efectivamente na insegurança criada pelo desequilíbrio e precariedade sociais, bem como na falta de credibilidade e sustentabilidade do sistema político, representando por isso mesmo num risco considerável para a democracia, verificando-se ou dando a entender, que ela não resolve as suas principais dificuldades, criando um sentimento de repulsa para com o sistema democrático, constituindo-se até como um obstáculo à conquista de soluções práticas e justas.
Assim, algumas pessoas procuram satisfazer os seus sentimentos de insegurança na privatização da política e fecham-se em guetos destinados a ricos ou a classes médias superiores. Em simultâneo, este tipo de posições pode levar a opinião pública a tornar-se permeável à ideia de um governo autoritário como forma de garantir e assegurar o desenvolvimento económico à custa das liberdades entretanto conquistadas, e face à incapacidade da justiça e polícia, os que se sentem desprezados, abandonados ou maltratados podem vir a mostrar tendência para se encarregarem eles próprios daquilo que os poderes públicos já não conseguem fazer, a justiça popular.
Desta forma, a insegurança social, as dificuldades que acompanham a flexibilidade de trabalho, o emprego clandestino ou ilegal utilizando a mão de obra vinda dos países de leste, a economia sem regras, a queda dos salários reais e a pobreza constituem por isso mesmo, os maiores desafios que a política democrática terá que enfrentar no futuro.


João Carlos Soares

sábado, junho 16, 2007

Opinião Pública - Obrigado Dr. Mário Soares


Das lógicas à prática...........;

Existem enormes diferenças ou barreiras as quais podemos considerar como paradoxos referenciados, que separam uma simples democracia de eleitores de uma democracia de cidadãos, que mantêm e consideram o voto como elemento fundamental, inquestionável e aglutinador de vontades, defendendo e exigindo que esse direito continue a marcar e a fazer a diferença nos regimes democráticos.
Havendo por isso um progresso democrático considerável nas sociedades ocidentais, o respeito pelo direito universal do direito ao voto, a correcção por todos realçada e aceite na concretização dos processos eleitorais, transmite uma confiança nos processos e conceitos de direito e igualdade, proporcionando o acesso alargado ao emprego, e acima de tudo, respeitando e fazendo respeitar os mais elementares valores de cidadania.
Os partidos políticos passam por uma fase de crise, exactamente pela falha de representatividade no momento em que, não somente a democracia trilhando o seu caminho e avançando se consolida, mas ainda o jogo político se transforma tendo como referência a acção de movimentos cívicos, mostrando que existe, a um tempo, perda de confiança nos partidos ou até bloqueamentos institucionais, e a outro tempo uma maior abertura desse mesmo jogo político a toda a sociedade.
Este é, sem sombra de dúvida, o resultado de que de facto o nível dos direitos políticos cresce e alarga-se, ao mesmo tempo que os partidos políticos se mostram cada vez mais impotentes para resolver e apresentar orientações programáticas para solucionar a questões sociais, de emprego, qualidade de vida, desigualdades, etc, .
É necessário que os dirigentes políticos se aproximem das bases, auscultem as classes desfavorecidas, voltando a ouvir o povo, por forma a articularem nos seus programas e na sua actuação enquanto poder, medidas eficazes para um equilíbrio cada vez mais desejável e necessário, para uma estabilidade no sucesso económico, progresso social e democratização do estado .
A crise da representação política não tem, nem poderá ter, como única origem e desculpa, as dificuldades estruturais ou conjunturais do sistema político. Esta crise resulta igualmente da vida social, institucional e cultural do próprio estado.
Se não tiverem capacidade para se aproximar do povo, para se identificarem com as suas necessidades e dificuldades, transformar-se-ão inevitavelmente numa ilha com um sistema democrático instituído, mas rodeada por um oceano de autoritarismo, onde os direitos dos cidadãos e a imprensa se consideram livres, mas pouco mais!.

Como tive pena de não ter podido estar ontem em Setúbal, para aplaudir de pé aquele Senhor que ainda consegue transmitir e fazer escutar a vontade do povo, que um dia o recebeu em lágrimas de alegria.
Começava a duvidar das minhas opções e conceitos para uma sociedade justa e equilibrada.
Fiquei mais descansado, afinal não sou eu que me estou a afastar dos conceitos que nos devem orientar nos caminhos da igualdade e justiça social, ao encontro de uma população cada vez mais desencantada com a intervenção dos seus representantes.

Obrigado Dr. Mário Soares
João Carlos Soares