segunda-feira, novembro 04, 2013

O que me vai na alma!



Os partidos políticos renunciaram praticamente ao idealismo, os políticos mobilizaram-se, com o intuito de garantirem estímulos sociais e oportunidades financeiras, enquanto a comunicação social vai intoxicando os cidadãos, com notícias arquitectadas e manipuladas, como se tudo o que está a acontecer fosse inevitável como o destino.
A obstinada acção política de por termo ao idealismo humano, transformou-se na maior ameaça à sociedade, esvaziou a maioria dos partidos políticos da sua génese e aniquilou todo ou qualquer sentimento susceptível de encorajar formas de pensamento.
A resignação social e o estado de estrangulamento colectivo dos cidadãos, como consequência da ausência do idealismo político, foram uma aposta materialista e desumanizada, ganha por esta nova ordem mundial, chamada globalização.
Os genuínos ideais libertados pelo 25 de Abril, com convicção e associados à emoção e generosidade, alimentaram nos cidadãos, a esperança de um equilíbrio social e futuro saudáveis, mas que, e face à ausência desses ideais, num país sem rumo, nos levou ao estado lamentável a que chegámos.
Com a abertura das portas, aos ideais do 25 de Abril, os direitos e as liberdades dos cidadãos, reconhecidos e salvaguardados por uma Constituição, que agora pretendem relegar, permitiram a afirmação dos portugueses no mundo, e o desenvolvimento cultural e equilíbrio social das famílias, ao longo dos 40 anos de democracia, até que, perante uma europa subjugada aos interesses e relações comerciais e empresarias dos grandes grupos económicos, apertou o cerco, condenando, castrando e subalternizando na sua essência, os sentimentos, os valores e as prioridades das famílias na sociedade.
Esta globalização selvagem, facilitada e estimulada, em resultado da ausência do idealismo político, não é mais que uma ditadura capitalista encapotada, que impede a livre expressão dos sentimentos e do pensamento, tendo como consequência imediata, a quebra dos valores e da identidade dos povos.
Falar em patriotismo, direitos e liberdades individuais, começa a ser hoje quase um crime, numa sociedade amordaçada por uma globalização a caminho da desumanização, que urge contrariar a todo o custo, na defesa e preservação da nossa independência e identidade, que fomos capazes de impor à europa, até aos dias de hoje.
Queremos voltar a ser uma Nação para todos, e não só para alguns, recuperando e associando o que de essencial nos une, entusiasma e diferencia, como o humanismo, os valores da igualdade, o sentimento patriótico a identidade e o orgulho de ser português.
Continuarmos a abdicar dos nossos ideais, submissos a um regime em agonia, desrespeitador da regras constitucionais, sobre as quais juraram cumprir, continuando a permitir a provocação destes carrascos do idealismo, continuando sem rumo e deixando-nos embalar por esta mentira, contraria uma tradição secular enraizada no povo português, o espírito da Constituição, o bom senso e as regras elementares da democracia.
Urge por isso, mais que não seja, recuperar e unificar esse conjunto de valores e sentimentos, consubstanciado no idealismo, com convicção, esperança e veiculado a alternativas associadas à sensibilidade de cada um e no respeito pelos direitos essenciais dos cidadãos em geral.
A premeditação dos nossos governantes, ao serviço desta nova ordem mundial, levou ao colapso de uma estrutura económica, já de si deficitária, a troco de uns míseros patacos, oriundos da nossa entrada na Comunidade Europeia e embolsados pela pandilha instalada nos gabinetes ministeriais e seus compinchas, num plano por etapas e estrategicamente montado e consentido, com o objectivo de derrubar os governos nacionais.
Este plano em etapas deu, aos defensores desta globalização desenfreada, a capacidade de, silenciosamente e sem visibilidade imediata, alterar as atitudes e o sistema de valores da sociedade. Essa alteração comportamental de massas facilita, a ideia de que uma europa a uma só voz poderá, trazer equilíbrio e equidade entre os diversos países que a constituem.
Nada de mais errado, e qualquer pessoa razoavelmente inteligente perceberá, que sem autonomia e soberania nacionais, todas as liberdades e garantias individuais ou colectivas, vertidas na Constituição, que nos podem proporcionar felicidade e prosperidade, estarão irremediavelmente hipotecadas.
Como exemplo de intenções, tenho a perfeita convicção que, as medidas, recentemente divulgadas pelo Vice-Primeiro Ministro Paulo Portas, são a forma encontrada e articulada com os elementos responsáveis por esta nova ordem mundial, para controlar o sistema.
As exéquias fúnebres anunciadas ao sistema de ensino público de qualidade e gratuito, não são mais do que um meio para atingir um fim, e esse fim é a inversão do processo educacional iniciado com a revolução de Abril, tal como a privatização e devolução de hospitais públicos a misericórdias, não é mais do que o anúncio do fim do Serviço Nacional de Saúde que tanto incomoda e prejudica os grupos económicos, com interesses na área da saúde, com eles identificados.
Ter uma sociedade técnica e culturalmente evoluída, é contra os pergaminhos das ditaduras, fazendo da força do trabalho, um simples algarismo na cadeia de produção, onde o indivíduo é explorado e a demonização dos defensores dos direitos e regalias dos trabalhadores, não são permitidas nem respeitadas.
Uma das formas encetadas por estes lacaios do capital é, convencer-nos que o nosso sistema actual está falido, não funciona, e que por isso, torna-se necessário reforma-lo. É o que, como já referi, querem fazer com o ensino público, criando jovens educandos de primeira e de segunda, onde as capacidades financeiras das famílias, farão prevalecer, no futuro, a perpetuação das diferenças sociais, onde os que podem, pagam para se formar, mesmo que não tenham aptidões para tal, e os que não podem, passam a ser mais um número no servilismo capitalista e nas filas de espera de um qualquer centro de emprego, ou sujeitar-se a servir sem direito ou oportunidade de colocar as suas potencialidades intelectuais e de conhecimento ao serviço do país.
Os escândalos na administração pública, com a benevolência conhecida da justiça, são outra forma de atingir esse objectivo, e que vai alimentando uma corja de oportunistas, à custa de uma população subjugada ao peso dos impostos e redução de salários e pensões.
Em 40 anos de sistema democrático, quando perante este quadro, continuamos a eleger candidatos que nunca cumprem as suas promessas eleitorais, nem respeitam os programas sufragados, percebe-se que algo está errado no processo eleitoral, retirando-se daqui que, ou a população não sabe ou não quer pensar de forma crítica, permitindo que debaixo dos pavilhões partidários, se escondam candidatos sem qualquer compromisso com os princípios e desígnios ideológicos, base de formação desses partidos.
Quando no mundo da política, os protagonistas se servem da mentira, as quais são, passado algum tempo, desmascaradas, e mesmo assim conseguem voltar a enganar os eleitores, percebe-se que estes novos dirigentes, apostados em destruir o aparelho Estado, através de crises planeadas, vão hipocritamente concretizando os objectivos a que se propuseram, enquanto o povo se entrega resignado, de braços caídos, sem forças para fugir a este genocídio social, para o qual nos estão conduzir.
Depois de todas as medidas de corte salarial e supressão de direitos aos trabalhadores, o que assistimos é à globalização de uma pobreza constrangedora das populações nos países intervencionados, razão pela qual se prevê um futuro deveras sombrio sob a tutela da Troika, a mando dos grandes magnatas internacionais, aplicando o remédio errado ao doente para o aniquilar, afastando cada vez mais, a cada dia que passa, os objectivos do governo dos interesses da Pátria.
A desculpa esfarrapada utilizada para justificar as medidas tomadas e a tomar, para pagar a dívida pública, nunca esteve no horizonte nem nas intenções da Troika, porque o que os credores, seus representados, se quiseram assegurar, era de que o país permaneceria endividado no futuro, com mais e cada vez maior agravamento da dívida, para assim a economia do país ser reestruturada, a seu belo prazer e em proveito próprio, através da tão apregoada reforma do estado.
Continuamos a assistir a uma autêntica pilhagem dos nossos parcos recursos, com a venda das empresas estatais mais lucrativas e património indispensável à sustentabilidade do sistema, consolidando assim uma economia dependente das exportações de produtos resultantes de mão-de-obra barata, e dos altos impostos cobrados aos cidadãos.  
Os portugueses terão que responder com convicção e denodo, ao ataque desta nova ordem mundial, através dos ideais da liberdade, solidariedade e patriotismo, que através dos tempos nos alcandoraram nos anais da História, fazendo jus à memória e glória dos nossos antepassados.
João Carlos Soares
Barreiro, 04 de Novembro de 2013

terça-feira, outubro 29, 2013

A Farsa da Passerelle Eleitoral



Vivemos na era do carreirismo político, onde o marketing assume um lugar de excelência e quase obrigatoriedade, na formatação dos estilos e imagem dos políticos, perante uma população de eleitores incautos, mal informados e pouco documentados, onde o uso do fato, camisa azul celeste, gravata vermelha, rosa ou laranja, óculos que lhes dão um ar intelectual, converte arrogantes em poços de humildade, permitindo que gargantas educadas, com voz de tenor, articulem contradições, transformando perdedores em favoritos, elegendo perfeitas nulidades e promovendo bestas-quadradas a génios de linhagem impoluta, mas sem um mínimo de capacidade, enquanto estadistas.

Nenhum estadista que se preze, aceitará conselhos de um qualquer aprendiz de feiticeiro, ou dará ouvidos em pesquisas de opinião, seja em que circunstâncias forem, mesmo que essas pesquisas de opinião criem um estado de ânimo, condicionado por incidentes passageiros do imaginário popular. Todos sabemos que, a opinião popular, de há muito está condicionada à informação debitada pelos meios de comunicação social, e sabendo nós que a voz do povo não é ditada pela divina providência, é apenas a voz do povo, poderá não traduzir necessariamente o que será melhor para o país.

Enquanto os verdadeiros estadistas pensam no futuro com os olhos postos nas próximas gerações, os políticos de carreira, profissionais da política, só têm os olhos e o pensamento na eleição que se aproxima, e no lugar ou cargo à sua disposição.

Num país, à beira do colapso, como Portugal, precisam-se como do pão para a boca, verdadeiros estadistas com visão histórica e passado reconhecido, autênticos lideres, em vez de candidatos forjados e hipotecados com as elites que os promoveram, só porque têm alguma hipótese de vitória.

Político honesto, estadista reconhecido, está e estará sempre pronto para o combate frontal e sem prazo, mesmo que o preço a pagar seja a derrota, porque o que verdadeiramente está em jogo, é o futuro. Não se trata simplesmente em escolher este ou aquele nome mais sonante, ou encomendado, mas as nossas escolhas farão a diferença entre a liberdade e o autoritarismo.

A farsa e a passerelle eleitoral precisam ser desmascaradas de uma vez por todas, não nos podemos permitir que a fraude resista ao confronto com a verdade, por isso, devemos denunciar com dureza os crimes e a desonestidade dos contendores, deixando de nos comportar como autênticos carneiros ao serviço das elites dominantes nas máquinas partidárias, bastante percetível nos bastidores, resultantes de congeminações nos Congressos, que mais tarde ou mais cedo, acabam por mostrar toda a perversidade usada pelos diversos interlocutores para ascenderem ao poder.

Ao analisarmos a nossa classe política, verificamos uma mistura de democratas verdadeiros e falsos democratas. Os falsos democratas acreditam que a Democracia continua a ser um meio e não um fim, porque o único projeto de vida em que acreditam continua a ser o enriquecimento a todo o custo, através da conquista e permanência no poder.

Em Democracia, pressupõe-se alternância de poder e transparência na gestão da coisa pública, garantindo-se assim que as ideias e as atitudes dos seus protagonistas, não se tornem viciantes, onde os governantes, rodeados por grupos bajuladores, porque se encontram no poder, dão como resultado, tomadas de decisão suportadas por equívocos que ficam cada vez mais ocultos e afastados da transparência, onde tudo começa a ficar longe do conhecimento público, por “debaixo do tapete”.

Quando numa sociedade, onde a Democracia se faz também no seio das famílias, basta a simples constatação de que hoje prevalece nos casais o diálogo entre ambos, é inadmissível aceitarmos a permanência de certos falsos democratas no poder, quando sabemos o seu passado familiar.

Governo após governo, verificamos o perpetuar do clientelismo das chamadas figuras de segunda linha, ministros, secretários de estado, assessores, etc…., com algumas variações, não são mais do que a manutenção no poder desses profissionais da política, entrando e saindo desses lugares, sem serem responsabilizados criminalmente pelos desmandos que praticaram, no desempenho e gestão da coisa pública, alternando por conveniência nas administrações das empresas com relações privilegiadas com o poder instalado, como demonstrado ultimamente com os investimentos de alto risco, ruinosos para o País.

Vamos aguardar, para ver, qual será a posição do Poder Judicial, no sentido que, de forma independente e à luz da lei, julgar e colocar estes ladrões do Povo, se forem considerados culpados, na prisão. Será difícil acreditar, porque de tantos casos chegados a público, estamos à espera de ver a justiça penalizar e concretizar efetivamente toda a vilanagem que depauperou, em proveito próprio, aquilo que deveria ter sido utilizado no desenvolvimento deste País.

Sendo Portugal um país, onde a Democracia continua a ser o sistema político vigente, existe uma polarização nas escolhas eleitorais, que em nada têm beneficiado o desenvolvimento do país, porque temos andado num processo de alternância entre duas forças políticas, que chegadas ao poder, vazias de ideias e conceções de futuro, se acusam mutuamente, sem nunca se chegar ao apuramento dos verdadeiros responsáveis, pela situação calamitosa a que chegaram as finanças e economia, recaindo apenas sobre o Povo os custos a pagar pela fatura, quando nada contribuíram para tal desiderato.

Precisamos ter consciência de que, sendo as escolhas dos governantes, uma opção e poder do Povo, cabe-nos a nós procurar uma alternativa, tendo cuidado com os falsos democratas, pois eles estão inseridos por todo lado, ao ponto de alguns já terem a lata de apregoar que se vivia melhor antes do 25 de Abril. É preciso fazer ver a estes senhores que, a culpa não está na Democracia em que vivemos, mas sim na maneira como estes falsos democratas trataram a democracia e o dinheiro público.

Num Estado que arrecada impostos de uma maneira assustadora, dizer-se que não existe dinheiro para investimento na educação e na saúde, num ataque aos serviços públicos, como não há memória, não se augura nada de bom nos próximos anos, onde o caos urbano pode rebentar a qualquer momento.  

Parafraseando John F. Kennedy “O Conformismo é carcereiro da liberdade e inimigo do crescimento”. Por essa mesma razão, devemos lembrar-nos, enquanto cidadãos de bem, que as convicções e os ideais não podem ser apenas um sentimento, mas sim uma atitude.

João Carlos Soares
Barreiro, 29 de Outubro de 2013

quarta-feira, outubro 23, 2013

Abril Atraiçoado!

Os ventos que sopram em Portugal, não adivinham nada de bom, no presente e futuro próximos, num Estado que deixou de se preocupar com os seus cidadãos, com cortes sistemáticos e restrições a nível dos serviços básicos como a saúde pública de qualidade, educação pública gratuita, protecção à habitação e aos idosos, cultura, entre outras.
A privatização dos serviços de saúde, já em tempos tentada, também num governo PSD/CDS, por Arlindo de Carvalho, retomada durante os governos de Durão Barroso, e mais tarde, de forma mitigada, nos governos de Guterres e Sócrates, onde a gestão dos hospitais públicos foi entregue a sociedades anónimas, numa tentativa descarada de liberalização do sector da Saúde, tendo no horizonte, a tentação de, numa lógica empresarial, acabar de vez com o Serviço Nacional de Saúde.
A ansiedade demonstrada pelo governo de Passos Coelho na corrida à liberalização da saúde e privatização parcial do SNS, é agora reforçado pela entrega de uma série de hospitais públicos às misericórdias, para mais tarde concluir os seus intentos, entregando o restante aos grupos já hoje com unidades de saúde privada em funcionamento, deixando apenas umas migalhas para justificar o assistencialismo aos mais pobres.
Prova disso, tem sido o assalto feito ao Sistema Nacional de Saúde, desagregando-o, denegrindo e difamando os profissionais de saúde pública afetos, argumentando o excesso de burocracia existente, o desperdício nos hospitais e centros de saúde, a duplicidade de serviços, justificando que o mesmo acontece, em virtude desses profissionais não terem que se preocupar com o seu posto de trabalho, em comparação com o a competitividade e eficiência no privado.
Esta postura, conta com o apoio das seguradoras e indústria farmacêutica, magnatas da banca e grandes grupos económicos, silenciando inclusive os órgãos de comunicação, que são manipulados e controlados pela clientela do costume, preenchendo os horários de maior audiência, com programas, onde os fazedores de opinião mandatados, tentam adormecer os menos esclarecidos, como se o que se está a passar, fosse obra do destino, e um dia teria de acontecer.
O que este governo de Passos Coelho/Portas está a fazer a Portugal, é levar ao suicídio puro de uma nação com séculos de história, sustentado por uma democracia fascista, repleta de políticos aldrabões, que se dão ao desplante de enganar os eleitores, prometendo uma coisa e fazendo exatamente o contrário, destruindo os direitos sociais alcançados, após Abril de 1974.
Se outras razões não houvesse, a traição à pátria deste governo, às ordens do FMI e da Alemanha da Sr.ª Merkel, é já de si mais que suficiente, para que o povo cada vez mais se faça ouvir, nem que para isso tenha que recorrer à desobediência civil, para recuperar o orgulho e a soberania de nação livre que nos pretendem retirar.
Os partidos de esquerda têm que assumir as suas responsabilidades enquanto representantes das liberdades e direitos dos cidadãos, num regime democrático, colocando as diferenças que os têm mantido afastados, de lado, disponibilizando-se para o diálogo de concertação política sem reservas, o que já há muito poderia ter evitado a situação de retrocesso social, por que estamos a passar, restando-lhes pouco tempo para impedir e dizer basta ao retrocesso geracional a que nos pretendem submeter.
Os cortes no orçamento para 2014, não é mais que um série de cortes em setores fundamentais, com o intuito de acabar de vez com o Estado Social, levando as famílias à miséria, matando as conquistas de Abril, pé-ante-pé, ludibriando-nos com promessas e falsas palavras de reconhecimento aos esforços que nos exigem, enquanto mantêm inalteradas as suas mordomias e os seus orçamentos, parecendo que vivem num outro país, que não este, onde aplicam a palavra “contenção”, só para o povo.
As privatizações de empresas e serviços públicos fazem parte da essência da resposta do capital à enorme crise económica em que vivemos, a qual começou a ter algum significado nos finais da década de setenta inícios de oitenta, onde assistimos a um crescendo de políticas neoliberais, algumas mascaradas debaixo da capa do socialismo democrático.
Esta crise, não passa de uma estratégia para minimizar e reduzir a queda das taxas de lucro das empresas, como por exemplo a redução da tributação dos rendimentos do capital, a implementação de políticas para redução do défice, o que levou, para contrabalançar, à redução nas rúbricas do orçamento nas áreas sociais.
Debaixo de uma hipocrisia e cinismo confrangedores, apregoando-se defensores dos trabalhadores deste país, foram reduzindo ou liberalizando o mercado de trabalho e as regras acordadas com os parceiros sociais, sindicatos e organizações representativas dos trabalhadores, aliviando as obrigações patronais e retirando direitos aos trabalhadores, numa liquidação evidente dos direitos laborais e sociais, privatizaram a seu belo prazer, destruindo toda a área produtiva e de transformação e entregando as mais-valias do Estado aos grandes grupos económicos.
Esta maratona de traidores, projetou, ao longo de quatro décadas, o assalto às empresas públicas, privatizando uma atrás de outra, a preços de saldo e garantindo a assunção de possíveis dívidas dessas empresas, a exemplo o BPN, algumas com valores superiores ao valor de venda. As empresas produtoras de bens essenciais, como a EDP, GALP, entre outras, garantem e asseguram a estabilidade da clientela, garantindo a alguns, após saída dos governos, lugares nas administrações dessas mesmas empresas.
Assistimos à madorna de Medina Carreira, à esquizofrenia de Marcelo Rebelo de Sousa, ao beatificado de José Sócrates entre outros, adivinhos e profetas da desgraça, como se nada, nem nunca tivessem tido quaisquer responsabilidades, sobre o que agora está a acontecer.
Para que não bastasse os que cá moram, também tivemos que levar com o descaramento de Durão Barroso, emigrante de luxo numa europa “a uma só voz?.........”, com recados aos que pagam os seus impostos e contribuições, quando, o lugar dele deveria ser num tribunal a contas com a justiça, para justificar os milhões, que ele e Paulo Portas, são responsáveis pela aquisição dos célebres submarinos alemães.
A justiça em Portugal, é de tal forma caricata, quando assistimos à condenação de corruptores na Alemanha, neste negócio dos submarinos, e ninguém é condenado em Portugal pela existência de corrupção neste mesmo negócio! Não dá mesmo para entender, porque prevalecendo a lógica, como tudo na vida, só podem existir corruptores se houver gente passível de ser corrompida.
Pelos vistos o que aconteceu com este negócio, foi um fenómeno, como tantos outros que me escuso aqui de referir, tal a gravidade dos factos, e a forma como nos corredores da justiça esses casos foram arquivados, mesmo aqueles que resultaram no agravamento das condições de viabilidade financeira do País.
A ligação entre as decisões políticas e os interesses empresariais torna-se mais que evidente. Por vezes, ficamos confundidos, ao assistir a determinados actos públicos, não sabendo quem e de que forma, algumas figuras se apresentam ou representam, tal a promiscuidade entre o desempenho de funções públicas no passado e o actual desempenho de funções com interesses privados. Todas, ou quase todas as empresas a quem o Estado entregou ou entrega centenas e centenas de milhões de euros do erário público, em obras, são ou já foram administradas por políticos no activo ou aposentados.
A dura e pura realidade é que toda esta organização mafiosa, tem uma cobertura legal indiscutível, sancionada por decisões dos tribunais, nos quais têm decorrido esses processos, e o beneplácito do Presidente da República, que não pode ficar inocente, nem é inocente em todo este processo de desmantelamento do Estado.
Como reflexão, até porque as considerações já são muitas, deixo a avaliação e o significado das nossas vidas, aos que lerem estas linhas, perante a privatização dos cuidados de saúde e a decorrente decisão sobre as medidas e ações necessárias para evitar que tão grande selvajaria, possa ver concretizados os seus objectivos.
Temos que nos concentrar não tanto em grandes manifestações, não que não devam ter lugar, mas mais importante que as manifestações controladas e cerceadas da liberdade que a Constituição nos confere, será a criação e difusão de iniciativas e núcleos locais, suficientemente organizados, capazes de por em prática e passar á ação, bloqueando a implementação desses obscuros planos de privatização e desmantelamento do Estado Social.
Este é, infelizmente, o triste quadro de um Portugal a braços com os valores da democracia.

Joao Carlos Soares
Barreiro, 22 de Outubro de 2013

terça-feira, outubro 15, 2013

19 de Outubro Participação Consciente dos Cidadãos



A manifestação de contestação, prevista para o dia 19 na Ponte 25 de Abril, parece não estar a ser entendido, pelos governantes desta república das bananas, que ela é isso e só isso mesmo, um acto de rebeldia contra eles, e que sendo um acto de repúdio e contestação, não poderá em tempo algum ser controlada, vigiada, silenciada ou domesticada pelos algozes que estão no poder, muito menos conduzida e confinada à vontade deles.
Esta manifestação gera todo o tipo de análises possíveis, por uns interpretado como mais um protesto de baderna, por outros, sinal dos tempos difíceis em que vivemos, portanto uma vontade genuína do povo, numa reação ao ataque a que estão a ser alvo os seus direitos, e que pretende mostrar na rua o despertar da consciência política de milhares de cidadãos.
Sejam quais forem as motivações, será bom saber que as pessoas ainda se dispõem a sair à rua para protestar, reclamar e exigir respeito, sabendo-se de imediato, que pela localização estratégica da ponte, irá criar dificuldades na travessia entre as duas margens, mas nunca poderá ser utilizado como argumento de risco, uma sombra para a democracia ou desrespeito e ameaça às instituições, ou irracionalidade premeditada, mas sim uma resposta efectiva aos excessos de que os portugueses estão a ser vítimas, daí a necessidade deste movimento contestatário ter o impacto necessário, o que alguns pretendem, a todo o custo, minimizar.
Este tipo de contestação, não pode nem deve ser manipulado ou silenciado pelos governantes, sejam quais forem as justificações apresentadas, porque se trata de um grito de raiva na rua de um povo sufocado, que está a ser levado à miséria, e que estão dispostos a pagar qualquer preço pela liberdade.
Entrámos numa espiral sem retorno, razão pela qual os governantes deverão preparar-se para serem confrontados com este tipo de reacção da população, pois são um sinal inequívoco de que vivemos numa sociedade plural, a qual não se pode construir com medo, mas com respeito à diferença e à contradição.
É necessário, indispensável e inevitável, que a população e os partidos defensores dos valores da democracia, tomem consciência que, à situação de subserviência a que o país chegou, se torna necessário que os cidadãos se organizem, usando de todos os mecanismos ao seu alcance, com persistência na ação, em continuidade, fazendo com que as manifestações de protesto, tenham consequências e se possam configurar como uma verdadeira e consistente ameaça ao sistema corrupto e fascizante, que nos pretendem impor, numa luta que só poderá terminar, uma vez salvaguardados que estejam os direitos do Povo.
As televisões e os agentes do poder, de uma forma quase despercebida, aos olhos dos menos atentos, estrategicamente começaram a colocar nas horas nobres de maior audiência, nos respectivos canais, fazedores de opinião que, passando recados habilmente construídos, fazendo crer uma coisa, têm como objetivo exatamente o contrário.
Se não, vejamos; Todos os iluminados que diariamente nos bombardeiam, com a sua retórica malabarista, todos eles, sem exceção, passaram por cargos de relevo, quer a nível do governo, quer nas administrações de empresas de amigos e conhecidos, com interesses diretos no Estado, alguns usufruindo do que prepararam, enquanto governantes para essas empresas.
Agora, bem instalados na vida, aparecem-nos qual Pôncio Pilatos, lavando as mãos das atrocidades de que foram protagonistas, fazendo crer que discordam com as medidas, atualmente implementadas pelo governo, quando, enquanto altos signatários do país, fizeram exatamente o mesmo que estes, só que os tempos eram de vacas gordas e agora às vacas acabou-se-lhe o pasto e não há leite que chegue para alimentar toda a gente.
Tentam enganar os incautos, com a sua capacidade de comunicação e disfarce, na tentativa de adormecimento da população, deixando parecer que são acérrimos críticos das políticas implementadas, quando afinal de contas, foram e continuam a ser os seus maiores defensores, à espera de “novas oportunidades”, para raparem o fundo ao tacho.
Não é difícil chegar a esta conclusão, basta olharmos para os noticiários que, constatamos, uma faixa significativa de agentes políticos que apoiaram as políticas neoliberais dos governos, a mudarem de campo, mas só na aparência e por conveniência.
Por isso não nos iludamos, este tipo de atitude, é típico de pessoas sem carácter, imagem degradante de grande parte da classe política no arco da governação, e só acontece, porque se estão a aperceber da iminência do naufrágio inevitável a que as políticas deste governo nos vão levar, e, portanto, passaram a denunciar e a renunciar a esta estratégia demolidora, tentando demarcar-se desta linha, para beneficiarem de uma melhor imagem perante os cidadãos, afirmando hoje, aquilo que ontem negavam, e dando oportunidade a que o governo, depois de apresentar medidas coercivas e restritivas, apareça com soluções maquilhadas, mas que só diferem na roupagem. 
Será que dá para acreditar que, certos senhores, defensores do neoliberalismo ao longo de toda a sua vida, representantes dos maiores grupos capitalistas deste país, venham contestar as alterações à TSU, ou aos cortes nas tabelas salariais, à alteração aos horários de trabalho, à mobilidade dos funcionários públicos, às reformas dos pensionistas e reformados, por patriotismo? Só pode ser mesmo a gozar com os cidadãos, tal a falsidade e cinismo destes peões, que façam o que fizerem, não conseguirão disfarçar o seu baixo nível de consciência política, agentes e lacaios do capital, assassinos do Estado Social.
Estamos a passar por uma fase, em que os que estão no poder ou por lá cirandam, já não conseguem disfarçar o mal-estar que a situação provoca, mesmo entre eles, e a população não suporta mais sacrifícios, nem admite que a soberania possa ser posta em causa, caminhando-se a “passos” largos para o funeral do sistema político vigente, se nada acontecer que consiga, entretanto, e de forma tempestiva, repudiando e exigindo uma mudança de rumo, evitar que Portugal se afunde numa bancarrota, instalando-se em definitivo o caos.
Atingidos os objetivos dos agentes deste neoliberalismo desenfreado, poderemos estar perante um novo ciclo, ciclo esse que alguns de nós, ou os nossos antepassados ainda têm bem ciente na memória onde, perfis de ditadores são o que menos falta, podendo entrar-se num beco sem saída, assinando-se dessa forma a capitulação incondicional da Democracia de Abril.
O governo já fez saber da sua intenção em não permitir a manifestação dia 19 na Ponte 25 de Abril. Vamos de certeza ser confrontados com a presença das forças policiais, para impedir a concretização da mesma, o que transformará este dia de luta e contestação, em mais um confronto de valores e afronta à democracia, que estes “delinquentes”, como lhes chamou Mário Soares, estão dispostos a levar às últimas consequências.
Se razões havia, para a realização desta manifestação, acresce agora a tentativa de cercear um dos direitos consignados na Constituição, o direito à manifestação sem condicionalismos de qualquer espécie, razão para que seja considerado por todos aqueles que se sentem espoliados por este bando, como um estímulo acrescido, servindo para acordar a consciência deste país onde todos se devem unir na defesa dos seus direitos, colocando de parte o que os diferencia, e aglutinando o que os identifica.

João Carlos Soares
Barreiro, 14 de Outubro de 2013

terça-feira, outubro 08, 2013

Bando de Ladrões à Solta



Perante a pouca vergonha e descaramento com que os governantes diariamente nos brindam, com todo o tipo de medidas que desrespeitam e violam claramente a nossa Constituição, nunca antes visto, desde o 25 de Abril de 1974, poder-se-á considerar uma provocação e repressão desmedida sobre os mais desfavorecidos, contra os direitos consignados aos trabalhadores, num regime democrático.
De tão absurdo que é, depreende-se que estamos a ser vítimas de um país salazarento, herdado de 500 anos de atraso e desenvolvimento e 50 anos de ditadura, manipulado agora, por um governo de trambiqueiros ao serviço da mesma canalha que controlou a sociedade em ditadura, com a conivência de uma comunicação social comprometida com os seus patrões, na protecção aos mesmos interesses que foram responsáveis pelo seu atraso ancestral.   
Se para aqueles responsáveis políticos e comentadores televisivos as liberdades e os valores democráticos devem submeter-se aos interesses privados e condicionantes económicos de uma globalização selvagem, então, deverá ser a sociedade civil a erguer-se e a exigir o afastamento daqueles que, em privado, atentam contra um dos pilares fundamentais de uma sociedade livre e democrática.
O primeiro-ministro e os seus colaboradores no governo, têm sérias dificuldades em lidar com a verdade, e essa dificuldade está presente nas contradições e sucessivos episódios, em que frequentemente caem, quando tomam qualquer medida, esquecendo tudo o que prometeram nas campanhas eleitorais, enganando os eleitores para chegar ao poder ambicionado.
Está claro para todos nós que, o primeiro-ministro, não pode continuar a recusar-se explicar e tomar medidas em cada um dos sucessivos casos que o envolvem e aos seus colaboradores, ao mais alto nível no governo, por actos que prejudicaram o país, chegados ao conhecimento público e documentados com provas irrefutáveis.
Está também claro que, o Presidente da República, a Assembleia da república e os tribunais não podem continuar a fingir que nada se passa, que a justiça é só para alguns, e que estamos de regresso ao estado podre de antes do 25 de Abril de 1974.
Está pois claro que, num Estado de Direito democrático, não se pode conviver nem permitir que um primeiro-ministro, com a complacência e apoio do Presidente da República, insista em esconder-se à sombra da crise sob a capa protectora de órgãos de soberania que não assumem as suas verdadeiras competências.
Perante o silêncio e a inação generalizada das instituições, confrontamo-nos com um evidente sinal de degradação da vida democrática, colocando em causa o regular funcionamento das instituições e do seu compromisso com os eleitores, aumentando o descrédito numa classe política onde se perfilam os homens de mão, sem qualquer currículo profissional, que não a matreirice dos aparelhos partidários, os quais são colocados em posições chave das empresas geridas pelo Estado e outras que submergem num mundo de negócios obscuros, para facilitar os negócios de acordo com as agendas políticas, no poder.
Confrontados com este triste espectáculo, é com grande perplexidade, que se assiste ao silêncio expresso por um número preocupante e cada vez maior de eleitores, através da abstenção, sinal de alheamento, indignação, desilusão e ao mesmo tempo conformismo, dos cidadãos, que, em boa da verdade, deveria exigir dos mentores e responsáveis partidários uma profunda reflexão.
Em vez de irem afastando, com as suas trafulhices e negociatas, das grandes decisões do país e da vida pública, os cidadãos nas urnas, deveriam começar por pensar na hipótese do julgamento e afastamento compulsivo, daqueles que, no desempenho da coisa pública, pela sua falta de ética e conduta duvidosa, são responsáveis por todo um turbilhão de acontecimentos e casos que, para além de depauperarem a fazenda pública, proporcionam a crispação e confrontação da população.
Fica também claro na mente de todos nós que, qualquer dúvida que permanecesse sobre as verdadeiras motivações do bando que se instalou no poder, governo, Presidente da República e maioria parlamentar, motivações essas que têm como único objectivo, conseguir destruir o pouco que ainda resta de Abril, o Estado Social, o património público, a liberdade de expressão, para continuarem a encher os bolsos dos seus amigos e cúmplices e, num futuro próximo, fazerem regressar os dias cinzentos do fascismo, tal o carácter malicioso deste bando de vigaristas.
João Carlos Soares
Barreiro, 08 de Outubro de 2013