sábado, junho 16, 2007

Opinião Pública - Obrigado Dr. Mário Soares


Das lógicas à prática...........;

Existem enormes diferenças ou barreiras as quais podemos considerar como paradoxos referenciados, que separam uma simples democracia de eleitores de uma democracia de cidadãos, que mantêm e consideram o voto como elemento fundamental, inquestionável e aglutinador de vontades, defendendo e exigindo que esse direito continue a marcar e a fazer a diferença nos regimes democráticos.
Havendo por isso um progresso democrático considerável nas sociedades ocidentais, o respeito pelo direito universal do direito ao voto, a correcção por todos realçada e aceite na concretização dos processos eleitorais, transmite uma confiança nos processos e conceitos de direito e igualdade, proporcionando o acesso alargado ao emprego, e acima de tudo, respeitando e fazendo respeitar os mais elementares valores de cidadania.
Os partidos políticos passam por uma fase de crise, exactamente pela falha de representatividade no momento em que, não somente a democracia trilhando o seu caminho e avançando se consolida, mas ainda o jogo político se transforma tendo como referência a acção de movimentos cívicos, mostrando que existe, a um tempo, perda de confiança nos partidos ou até bloqueamentos institucionais, e a outro tempo uma maior abertura desse mesmo jogo político a toda a sociedade.
Este é, sem sombra de dúvida, o resultado de que de facto o nível dos direitos políticos cresce e alarga-se, ao mesmo tempo que os partidos políticos se mostram cada vez mais impotentes para resolver e apresentar orientações programáticas para solucionar a questões sociais, de emprego, qualidade de vida, desigualdades, etc, .
É necessário que os dirigentes políticos se aproximem das bases, auscultem as classes desfavorecidas, voltando a ouvir o povo, por forma a articularem nos seus programas e na sua actuação enquanto poder, medidas eficazes para um equilíbrio cada vez mais desejável e necessário, para uma estabilidade no sucesso económico, progresso social e democratização do estado .
A crise da representação política não tem, nem poderá ter, como única origem e desculpa, as dificuldades estruturais ou conjunturais do sistema político. Esta crise resulta igualmente da vida social, institucional e cultural do próprio estado.
Se não tiverem capacidade para se aproximar do povo, para se identificarem com as suas necessidades e dificuldades, transformar-se-ão inevitavelmente numa ilha com um sistema democrático instituído, mas rodeada por um oceano de autoritarismo, onde os direitos dos cidadãos e a imprensa se consideram livres, mas pouco mais!.

Como tive pena de não ter podido estar ontem em Setúbal, para aplaudir de pé aquele Senhor que ainda consegue transmitir e fazer escutar a vontade do povo, que um dia o recebeu em lágrimas de alegria.
Começava a duvidar das minhas opções e conceitos para uma sociedade justa e equilibrada.
Fiquei mais descansado, afinal não sou eu que me estou a afastar dos conceitos que nos devem orientar nos caminhos da igualdade e justiça social, ao encontro de uma população cada vez mais desencantada com a intervenção dos seus representantes.

Obrigado Dr. Mário Soares
João Carlos Soares

sábado, junho 09, 2007

Opinião Pública - Continuação






(.......Continuação)


Em concreto, o que acontece na sociedade na relação entre representantes e representados, afastando o poder político da sociedade que o sustenta, é a distância e até mesmo a oposição entre os eleitos e o povo que os considera como corrompidos, pautando-se os comportamentos por uma ausência e insensibilidade às suas expectativas, não podendo esse comportamento ser necessariamente ou simplesmente explicado pelas origens sociais ou culturais dos eleitores e eleitos.
È uma fácil mas incorrecta e descontextualizada explicação, atribuir ou afirmar que a corrupção é uma exclusividade ou monopólio apenas dos políticos educados, pertencentes a meios e ambientes mais ou menos abastados.
A corrupção encontra-se infelizmente disseminada na política, abrangendo políticos originários de todas as esferas sociais sem excepção.
Como não poderia deixar de ser, a opinião pública utiliza expressões particularmente violentas para criticar os políticos, sempre que se apliquem a líderes de nomeada.
Estas elites, quase sempre identificadas com movimentos e organizações de reconhecido peso na sociedade, afrontam a credibilidade das instituições que representam, e concorrem para alimentar a repulsa contra a classe política, aos olhos de quem os elege.
Começa, assim, a definir-se um primeiro aspecto desta reflexão. Se, como se percebe, existe défice do político é porque, antes de outro tipo de considerações que se possam fazer, a distância entre eleitos e população continua a crescer, levando-nos a acreditar que essa barreira conduz inevitavelmente a um mal estar para com os eleitos, e caso nada venha a ser feito para inverter esta situação, poderemos a breve trecho vir a ser confrontados com uma rotura precipitada que colocará em causa a própria democracia.
O populismo, o extremismo, a aceitação do nepotismo, a procura de um líder que possa colocar um travão nesta avalanche, de forma a mudar e alterar o rumo da situação, a intolerância, o confronto ideológico entre os cidadãos e o seu afastamento das elites políticas, não constituem e poderá até por esse facto começar a ser considerado como um facto normal e necessário, deixando de ser considerado como uma novidade inesperada e intolerável na actualidade.
Esta crise de representação não poderá, nem deverá, significar o declínio de todo o espaço político, construído e defendido por várias gerações.
Os debates sobre alguns desafios políticos são ricos e densos, fazendo com que a sua complexidade e incidência saiam por vezes minimizados e secundarizados, em detrimento de algumas propostas populistas, onde a emoção da decisão e da sua influência, mesmo eivados de inconvenientes naturais, ofuscam e são elemento depauperativo da verdadeira representação política.
O reconhecimento da existência de défice democrático no político, são a prova de que os próprios sistemas políticos se desadaptaram das realidades, não acompanharam a evolução do pensamento humano, envelhecendo de forma sistemática e sem regras.
Cada vez mais a velha militância partidária se esfuma numa militância de interesses, oportunista e pontual, reduzindo-se o seu manacial de quadros efectivos, o que leva a uma quebra cada vez maior na capacidade de constituição de grandes forças populares, ameaçando consequentemente por isso mesmo o funcionamento das instâncias democráticas.
As campanhas eleitorais qualquer dia não passarão mais do que de slogans publicitários produzidos e difundidos pelos media, onde a vertente internet, passará a ter provavelmente a curto prazo, um papel importante, senão indispensável, prejudicando e afastando ainda mais o contacto directo de militantes e cidadãos, representantes e representados, sobrepondo-se por essa ordem de ideias, a comunicação política ao conteúdo da mensagem, aumentando o custo das campanhas e abrindo as portas a um negócio em expansão.
O financiamento para os partidos está garantido pelos fundos públicos, contribuição involuntária dos cidadãos através dos impostos que pagam ao estado, muito pouco pela quotização dos seus militantes, e depreende-se que o resto será suportado por pessoas e grupos que contribuirão voluntariamente.
Destes factos resulta uma tendência, especialmente naqueles que apostam em restituir algum sentido e algum vigor a uma política da qual muitas pessoas fogem, para utilizar abordagens mais localizadas.
No entanto, começa a ser de grande risco de que, senão dramático face à monotonia da vivência democrática, comecem a aparecer atitudes anti-políticas/populistas, nacionalistas, racistas e autoritárias.

Lutar contra a corrupção, é uma prova de liderança, acima de suspeitas, de críticas e de acusações.


João Carlos Soares

quinta-feira, junho 07, 2007

Opinião Pública - Verdade e Consequência



Será possível alguma vez, ou nos próximos tempos, reconciliar as pessoas com os seus actores políticos?



A sociedade, tem sofrido nos últimos tempos, uma acelerada transformação, muita das vezes menos bem conseguida, ao ponto de levar os cidadãos a distanciarem-se da política, intervindo cada vez menos na vida pública e consequentemente nas grandes decisões locais e para o país.
O desencanto provocado na população, resultante de um desempenho pouco inteligente e incompetente dos seus representantes, fazem com que algumas decisões transformem a confiança dessa mesma população, em dúvidas e incapazes de se fazerem entender e compreender pelo povo que os elege.
Neste contexto, apresenta-se no futuro como grande desafio para os políticos, aproximarem-se dos cidadãos que lhes dão razão de existir, adaptando-se em simultâneo, às novas obrigações e ensejos colocados pela globalização.
O problema surge numa primeira instância, na degradação de relações entre os representantes eleitos e os seus eleitores, prova disso é a abstracção dos primeiros perante os segundos, ou a falta de interesse, com o que pensam deles os que os elegem.
Neste caso, este afastamento cria uma crise de identidade, de quem representa, e de quem é representado.
A classe política, granjeou um estatuto social nesta sociedade, esquecendo-se que esse status lhes é devido por aqueles que os elegeram e em quem debitaram as suas esperanças, mesmo que esse afastamento não se possa considerar premeditado, provoca de imediato uma diminuição de consideração e estima, acalentando de imediato revolta e desconfiança, pois sentem-se traídos.
A hostilidade e o desprezo com que a população reage em relação aos actores políticos, variando esta atitude com os meios sociais e culturais em que se inserem, traduzem-se infelizmente na abstenção e votos nulos nos diversos processos eleitorais, aos quais são chamados a pronunciar-se.
A atitude crítica dos portugueses tem vindo nos últimos anos a crescer consideravelmente, tendo em conta e não esquecendo que essa mesma atitude é resultante de um nível de educação que vem crescendo em simultâneo, tornando-os muito mais exigentes, sem alterarem no entanto a sua participação na vida política.
Face à volumetria de casos que nos últimos tempos têm preenchido infelizmente os noticiários nos media, começa a espalhar-se a ideia, criando a convicção nos menos informados, de que os políticos, sem excepção, actuam simplesmente em função dos seus próprios interesses, descurando tudo o que à sua volta acontece, tomando única e exclusivamente atenção aos problemas que os afectem.
Por outro lado, há quem manifeste a sua revolta, na forma como os políticos, utilizando uma linguagem de certa maneira opaca, obtusa e rendilhada, falando muito e dizendo pouco, transformam a sua forma de comunicar, que deveria ser simples e concisa, numa plataforma de adjectivos complicados e incompreensíveis.
Na maior parte do tempo, o empenhamento da classe política, traduz-se e resulta de conflitos internos no seio dos partidos e da classe a que pertencem, ou então no desejo de enriquecerem, de obter benesses pessoais, relegando para segundo plano os objectivos de interesse geral, a qual deveria ser a sua única prioridade.
Essa começa a ser a razão pela qual se torna cada vez mais difícil, senão inconciliável, os partidos conseguirem mobilizar pessoas que tenham projectos e ideias válidas.

Deixaram de compreender as necessidades do povo, que é no fim de contas o valor acrescentado da sua visibilidade e existência, e deitam por terra as esperanças que em si são depositadas para a resolução dos problemas da qual a sociedade se encontra enferma.



Esperemos que quando acordarem, não seja tarde demais.





João Carlos Soares

sábado, junho 02, 2007

A " contenção salarial " - Que se apregôa



Como entendo não entender certas coisas, aqui vos deixo, para aqueles a quem este artigo tenha passado despercebido.


Ao mesmo tempo que, segundo números da Comissão Europeia, o poder de compra dos trabalhadores portugueses registou, em 2006, a maior descida dos últimos 22 anos, a CMVM anunciou que, entre 2000 e 2005, os vencimentos dos administradores das empresas cotadas em bolsa duplicaram (e nas empresas do PSI 20 mais que triplicaram!).

Isto é, enquanto pagam aos seus trabalhadores dos mais baixos salários da Europa a 25 (e todos os dias reclamam, sob a batuta do governador do Banco de Portugal, por "contenção salarial" e "flexibilidade"), esses administradores duplicam, ou mais que triplicam, os próprios vencimentos, vampirizando os accionistas e metendo ao bolso qualquer coisa como 23,9% (!) dos lucros das empresas.

Recorde-se que o Estado é accionista maioritário ou de referência em muitas dessas empresas, como a GALP, a EDP, a AdP, a REN ou a PT, cujas administrações albergam "boys" e "girls" vindos directamente da política partidária (cada um atribuindo-se a si mesmo, em média, 3,5 milhões de euros por ano!).

Se isto não é um ultraje, talvez os governos que elegemos (e o actual é, presumivelmente, socialista) nos possam explicar o que é um ultraje.

O mais certo, porém, é que se calem e continuem a pedir "sacrifícios" aos portugueses.

A que portugueses?


(Manuel Pina , Jornal de Notícias, 10 Maio 2007.)

sábado, maio 26, 2007

Basta de Hipocrisia - O Barreiro merece melhor



Reconhecer nas memórias a credibilidade e confiança no futuro, para dar e garantir a dignidade que o Barreiro e os barreirenses merecem.






Passamos a citar:

“...O ministério de António Mexia continua sem esclarecer o que se passa com os catamarãs, nem quais as medidas preventivas em novos dias de Tejo revolto.


Entretanto, sem justificação ou estudos, anunciou uma solução absurda e uma opção errada que penalizam gravemente o Barreiro. Em vez de retomar os trabalhos sobre a terceira travessia do Tejo ferro-rodoviária no corredor Barreiro-Chelas, anunciou a passagem do TGV pela ponte 25 de Abril e um túnel rodoviário entre Algés e a Trafaria.


O túnel Algés.Trafaria, velho sonho de Isaltino Morais, é um erro de estratégia de transportes e de ordenamento do território, criando uma rua para trazer os lisboetas à praia, densificando a zona já mais sobrecarregada da Península de Setúbal, sem libertar tráfego no eixo central e promovendo ainda mais a utilização de transporte individual. Esperemos que Mexia não mexa neste assunto durante muito mais tempo para que os erros não sejam tão irreversíveis como os de Ferreira do Amaral ”

(declarações de Eduardo Cabrita em 02 de Novembro de 2004)


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"O Distrito de Setúbal é um distrito com particular relevância no cômputo nacional, mas assume particular importância na Área Metropolitana de Lisboa é, aliás, um pólo de centralidade no desenvolvimento integrado e sustentável desta área geográfica.

Pelas suas características económicas e sociais, pelo desenvolvimento que assumiu nos últimos anos, não pode agora ser esquecido, como o foi durante anos de reinado cavaquista. O PSD, igual a si próprio, tem agora uma atitude irresponsável face a esta região do país (esta ideia foi assumida, também, pelo próprio líder distrital do PSD de Setúbal), fazendo crer que a sul do Tejo nada importa!

Concentremo-nos apenas num exemplo do que tem sido a política do PSD nestes dez meses de Governação, um exemplo de enorme importância para o distrito de Setúbal: a terceira travessia do Tejo Barreiro-Chelas. Perguntar-me-ão, os leitores, qual a importância deste projecto quando o desemprego sobe mais que a média nacional no Distrito de Setúbal, nos últimos dez meses. Mas a verdade é que a não realização deste projecto é o reflexo do abandono a que a nossa região ficou vetada com este Governo.

O Partido Socialista assumiu, sempre, a necessidade de construir uma terceira travessia do Tejo, que ligasse Barreiro e Chelas. Fundamental, tanto no plano do escoamento de tráfego da Ponte 25 de Abril, como no plano económico, porquanto a ligação à margem norte do Tejo, por esta via, potenciará não só o desenvolvimento dos concelhos do Barreiro e da Moita, mas atrairá para o Distrito de Setúbal um maior investimento. Isto é, criará as condições adequadas a uma maior fixação do sector económico nesta região e, por consequência, mais emprego e maior permanência das pessoas nas suas terras não tendo que se deslocar para trabalhar em Lisboa.

É, assim, com grande espanto, que assistimos ao Governo do PSD retirar do PIDDAC a verba inscrita para os estudos de viabilidade desta nova travessia do Tejo e extinguir o Grupo de Missão, criado pelo Partido Socialista, para proceder aos respectivos estudos, afirmando o Ministro Valente de Oliveira, que esta obra não é uma prioridade para o Governo do PSD.

Mas, pasme-se!!! Fomos surpreendidos pelas declarações do Professor Nunes da Silva, consultor e responsável, no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Península de Setúbal, para a área das acessibilidades, afirmando que não reconhece, hoje, a importância desta ligação Barreiro-Chelas! À boa maneira cavaquista de outros tempos, reconhece que esta travessia existirá, mas não sabe quando, afinal o Professor Nunes da Silva não era, há uns meses, um dos grandes impulsionadores desta grande obra? Não considerava que seria um investimento imprescindível para o Distrito de Setúbal, na lógica de ser um distrito com enormes potencialidades na Área Metropolitana de Lisboa? O que o fez mudar de opinião e juntar-se ao imobilismo do Governo do PSD?

A não construção desta terceira travessia do Tejo Barreiro-Chelas trará consequências nefastas para o Distrito de Setúbal, abandonando uma estratégia integrada de desenvolvimento para a Área Metropolitana de Lisboa e amputando a sua maior proximidade com a margem norte do Tejo e consequentes recuperações ribeirinhas, tão necessárias, nestas zonas.

A actividade política não pode ser um jogo ao sabor dos ventos, mas tem que ser exercida com responsabilidade, verdade e coerência. O Partido Socialista assume as suas responsabilidades e os compromissos que firmou com os eleitores, assim, continuaremos a lutar para que a Terceira Travessia do Tejo Barreiro-Chelas seja uma realidade e que se reconheça ao Distrito de Setúbal a importância devida no todo nacional.

A política do imobilismo do Governo do PSD merece o nosso total repúdio!"

(declarações de Ana Catarina Mendes em 24 de Fevereiro de 2003)

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Meus senhores, por favor entendam-se. As vossas declarações e decisões enquanto poder instituído, têm que ter alguma coerência. Não acham?
Mudam-se os tempos e infelizmente também se mudam as vontades.
Assim sendo, cada vez mais a atenção dos cidadãos e movimentos cívicos, em particular, deverá incidir e ter uma prioridade;

  • Exigir o cumprimento na concretização dos interesses das regiões e das populações, contrariando assim um crescente clientelismo bem como a forma leviana como nos partidos, após conquistado e instalados no poder, abdicando das promessas e ilusões usadas com sofisma, nas bem urdidas e dispendiosas campanhas eleitorais, mudam de opinião e critérios, na mais descarada e promiscua impunidade institucional.

  • A resposta deverá e terá que ser dada com veemência, mostrando aos actores representativos da vontade dos eleitores, que não os defraudem, e pelo contrário, abdicando das suas conveniências e comodidades partidárias, assumam e não reneguem aos seus compromissos, respeitando a memória das suas próprias convicções.

João Carlos Soares



domingo, maio 06, 2007

Viver ou não Viver da Política






Existem só duas maneiras de se estar na política para que uma verdadeira independência pública seja o garante no cumprimento de tão nobre função de cidadania.
Viver dela e para ela.
Deixando de lado os oportunistas e bajuladores bem como todos aqueles que para garantir o poder, até são capazes de vender a alma ao diabo, mesmo aqueles que vivem por ideais, os que defendem uma ideologia, transformando a defesa dessa ideologia política como a essência e razão do seu viver, mesmo esses estão constantemente expostos ao reino das necessidades, tornando-se necessário e indispensável fundir os interesses particulares aos interesses comuns e vice-versa.
Por mais disponíveis e solidários que sejam, ou pareçam ser, seria de todo absurdo exigir-lhes que vivam como eremitas ou franciscanos.
Tal como na origem de outro tipo de ordens sociais, as quais nascem de gestos de abnegação dos seus fundadores e, ao evoluírem, vêm-se perante a acumulação simultânea de capital económico e simbólico, vindo mais tarde ou mais cedo a negar o seu status original.
Cria-se um mito que o vincula ao passado, mantendo-se a retórica, perdendo-se os escrúpulos, por outras palavras, usando um discurso pretensamente fiel aos objectivos que deram origem e motivaram a sua constituição, encobrindo dessa forma, no fim de contas, uma prática conservadora.
Todo o militante político abnegado, aquele que serve e abraça a causa em que acredita, também vive dela. Viver dela e para a causa, é uma diferença muito imperceptível, já que uma se funde à outra.
Como poderemos ou deveremos duvidar da forma sincera ou não, dos que dedicam a sua vida por uma ideologia ?
Será correcto criticar ou condenar a sua nova condição social e económica ?
Será que ao conquistar um cargo, vindo a usufruir privilégios e recursos financeiros proibitivos à maioria dos seus colegas, não será por isso mesmo uma consequência natural da sua militância e ou competência ?
Não foram por acaso esses seus colegas e companheiros que o indigitaram e reconheceram para o desempenho desse cargo ?
Quanto maior a independência económica de um político, maior será a possibilidade de que este viva para a política; quanto menos independente, maior a tendência para se fazer da política um meio de vida, por outras palavras, para se viver dela.
Não é que se coloque em causa ou duvidemos da sinceridade dos idealistas e pragmáticos que vivem para a causa pública, apenas queremos realçar de que em concreto as suas necessidades impelem-nos e condicionam-nos a viverem da política. Esta passa a ser a forma de ascensão económica e social, possibilidade de emprego e ao mesmo tempo conciliar o exercício do poder.
É verdade que determinadas conjunturas sociais produzem uma geração disposta a viver de e para a política. O crescendo das lutas sociais, a demanda pelas liberdades democráticas e um certo idealismo romântico, empolgaram a velha e as novas gerações canalizando os seus sonhos e energias em torno das instituições partidárias, na esperança de uma oportunidade. No entanto, com o passar dos anos, a militância política torna-se, cada vez mais numa actividade restrita a uma clientela minoritária incrustada nos aparelhos institucionais dos partidos e do Estado.
É verdade que os partidos não se ressentiram com esta nova realidade, pelo contrário, os partidos profissionalizam-se aperfeiçoando o marketing e concentrando a sua acção mobilizadora ao aproximar dos processos eleitorais.
A velha militância que colava cartazes, pintava paredes, fazia as campanhas eleitorais e usufruía da vida e alma partidária nos períodos entre processos eleitorais, sente-se atraiçoada e esquecida em detrimento dos favores e clientelas de grupos e facções.
A conjuntura actual apresenta-se desfavorável para estes críticos, os quais apercebendo-se do expurgo a que os partidos e seus dirigentes os sujeitaram, dão origem a uma dissidência surda, levando-os ao encapsulamento político e partidário, optando por um caminho quantas vezes penoso e solitário.

Joao Carlos Soares

Da Preplexidade às Ilusões Perdidas (...cont)


III Parte

Essa esperança, leva-nos por vezes, nos tempos que correm ao ódio, ao confronto de ideias traduzido fundamentalmente em manifestações de rua, incentivadas pela insegurança, descrédito e insustentabilidade social.
Falar de ódio em democracia, pode até parecer um paradoxo, mas ele acontece na maioria das vezes, alimentado por gente que não reconhece outra fonte de poder que não seja a vontade dos cidadãos livremente expressa nas urnas, que defende as instituições em que se materializa o estado de direito e, no entanto, se insurge quase de imediato, contra aquilo a que chama de igualitarismo e o surto sem freio de reivindicações, quer de bens de consumo, quer de direitos individuais ou de grupo, que a democracia alegadamente originou.
O seu alvo aparente não será tanto a estrutura do poder democrático, mas a sociedade que de forma sonolenta, mas contudo ousada, vai crescendo à sombra dessa mesma estrutura, uma sociedade partidária egocêntrica, onde os cidadãos desinteressados da política, parecem não querer senão aumentar indefinidamente os privilégios, levando o individualismo a extremos que ameaçam a própria existência de uma coisa pública, algo em nome do qual tenderá a tocar nos direitos de cada um, mais tarde ou mais cedo, caso nada em contrário venha a ser feito.
Mas, será realmente o individualismo e a conversão das multidões, a razão do ódio democrático ostentado frequentemente por certas elites em análises sociológicas, ou esse será mais um argumento para justificar uma metamorfose sócio-política, de que a própria democracia não se encontra a salvo.
À primeira vista, dir-se-á que a democracia pouco ou nada tem a ver, na sua acepção, com os estados e as sociedades a que, vulgarmente, e de acordo com os mais apurados critérios de análise política, são chamados de democráticos. Se atentarmos com a devida atenção nos tempos que correm, o poder encontra-se ameaçado, quando não liderado por diversos tipos de elites que se conseguem impor à elite política, distribuindo a sua influência por dois ou três partidos alinhados ao centro e remetendo para a periferia do sistema político, os grupos com propostas mais radicais.
A influência dos agentes económicos na organização política e social de um estado, acessório indispensável perante a complexidade dos assuntos sobre que incidem as decisões, encarrega-se de seleccionar e limitar as propostas aceitáveis.
Em nome do saber e da competência, os representantes do povo encarregam-se de desfazer, com o seu discurso e as suas controvérsias, qualquer ameaça que se perfile ao sistema, ou qualquer princípio do que se considera o verdadeiro político.
Uma tal pressão e exclusão acarreta enormes custos ao sistema democrático, pois cada vez que alguma coisa se decide, afastado dos centros nevrálgicos, ou amalgamado em folgados consensos em que os conflitos inerentes a qualquer multidão se entorpecem, o povo anónimo e sem título ameaça voltar costas àquilo que se julgaria ser de interesse comum, enfraquecendo, pela abstenção, a legitimidade dos governos eleitos e entregando-se, na qualidade de puro consumidor, ao seu interesse privado e egoísta.
Julgar-se-ia, porventura, que tudo se encaminharia para o melhor dos mundos, com a massa inteligente do planeta a governar e o amontoado de anónimos pacificamente entregues às delícias do consumismo, reduzidas que foram as divergências a um espectáculo que a economia encena e comercializa, utilizando-se para isso de um lobby a comunicação social, de que igualmente em devido tempo se apropriou.
Por sua vez, a política, expulsa pelos mecanismos de privatização do que é público, ameaça em permanência regressar pelas frestas deste, através dos elementos que não cabem na amálgama do consenso, nem à mesa da sociedade de consumo, sejam eles desempregados, imigrantes, grupos étnicos e religiosos, ou simplesmente insatisfeitos a quem o sistema não permite alcançarem as regalias e proveitos a que têm ou se julgam com direito. Todos estes grupos incarnam hoje o antigo desafio que desde sempre pôs em causa a ordem vigente e foi, por isso, considerado um excesso. É esse excesso, que as elites imputam à sociedade democrática e, recriminam, tanto mais quanto exprimem a sua impotência para levá-los a aceitar a autoridade do Estado.
De certa forma, poder-se-ia dizer que este tipo de visão das chamadas democracias representativas seria catastrófica e assente em fundamentos apenas ideológicos. A democracia, com efeito, assume-se de há muito unicamente como o menos mau de todos os regimes que se conhecem, o que mistura, desde logo, na sua defesa algum realismo. Contudo, aquilo que se pode depreender desse realismo, é a demonstração pura de que no interior de qualquer sociedade democrática, se desenvolvem constantemente confrontos entre os grupos de poder e os valores de igualdade representados e defendidos por essas mesmas sociedades.
A democracia não se confunde com o conjunto de instituições que estruturam as sociedades que se dizem democráticas, uma vez que estas consubstanciam sempre um risco de cristalização dos status e hierarquias, ou seja, de apropriação privada daquilo que é comum.
A democracia não se confunde tão-pouco com um tipo específico de sociedade, seja a sociedade pretensamente igualitária, onde a conflitualidade e o ódio são apenas recalcados, ou a sociedade de consumo, onde o indivíduo se transforma em mero cliente e abandona a sua condição de cidadão participativo.
A democracia confunde-se com a política e existe em cada um dos actos que alargam a dimensão do político, ou seja, dos actos que resistem à monopolização do poder de decisão sobre o que é comum.
Distante, portanto, de representar uma forma de estado ou um modelo de sociedade, ela define-se prioritariamente como uma dinâmica que vai contra todo o tipo de assalto ao poder por um indivíduo, um grupo, uma casta, uma classe, uma religião, uma minoria ou uma maioria, opondo a todas essas formas de possível usurpação um princípio regulador que é o poder de qualquer um, o poder de todo o mundo e ninguém em particular.

Joao Carlos Soares

domingo, abril 29, 2007

Da preplexidade às Ilusões Perdidas (...cont)


II Parte


Continuando a discernir sobre a relatividade de conceitos, poderemos talvez caír no pecado a que os chamados desiludidos caem frequentemente, tentando cobrar do Governo e da governação de José Sócrates, uma postura política que tem vindo a ser negada na própria trajectória do Partido Socialista principalmente nas campanhas eleitorais nos últimos anos.
Esta particularidade vem provocando alguma curiosidade entre os intelectuais, que se escusam de forma deliberada sacrificar a linha de governação do actual governo, sobre pena de ter que vir a arrepiar caminho nas suas estrapolações, tal a surpresa com que são confrontados, cada vez que o governo interfere, provocando quase sempre, reacções as mais contraditórias, mas sempre muito mal suportadas.
De estranhar estas posições e falta de esclarecimento dos “opinion maker´s”, os quais deveriam estar mais preparados, pelo menos teoricamente, para analisarem os fenómenos sociais e a não tomarem somente o efeito pela causa.
Correndo o risco de alguma redundância, é preciso reafirmar cada vez mais veementemente, que a desilusão criada em alguns, é própria de quem ainda vive de ilusões. Quem considerou o PS de José Sócrates pelo que de há muito deixou de ser; quem considerou ou interpretou do discurso de José Sócrates pelo que ele nunca disse nem quis dizer; quem julgou ou imaginou que perante um estado de desgraça governativa do PSD à frente dos destinos do País, passaria pela única alternativa baseada na esperança de mudança, ou o medo na continuidade, pela trajectória irresponsável do PSD; estes alimentando ilusões e, portanto, como não seria dificil de antever, desiludiram-se.
Se a ruptura provocada no seio dos desiludidos foi provocada ou motivada por aspectos conjunturais, então teremos que considerar que estão duplamente equivocados. Afinal, a política dá voltas e voltas, o que é hoje amanhã deixa de o ser, portanto o que é hoje criticado pode ser esquecido pelos bons resultados amanhã conquistados. Os timings são fundamentais na poltica e para os seus executores a objectivação na sua concretização é fundamental.
Para os que se desiludem, devem em primeiro tomar como conceito adquirido, que a política pauta-se principalmente pela ética da responsabilidade, em suma, pelos resultados alcançados.
A crítica interna ou saída do PS, ainda que justificável diante da crítica, nunca poderá nem deverá ser considerada de tardia. No entanto, como dizem as pessoas simples, mais vale tarde do que nunca. Por outras palavras, mais vale tomar a decisão de procurar outros rumos e viver a vida, do que persistir agarrado ao papel de carpideiras.
Para se perceber o que atràs é referido, basta observar que as pessoas simples que compôem a sociedade portuguesa, o Povo, mantêm a esperança e, ainda que definitivamente se vão decepcionando, continuam a ter uma capacidade imensurável em renová-la sempre que necessário.
Talvez isto se possa explicar pela própria condição e concepção de vida que o povo leva, pois não têm tempo para análises políticas e filosóficas. As suas necessidades imediatas traduzem-se e são mais fortes e permanentes dos que os governos e os profetas da desgraça de cada época e que tendem a gerar o desespero.
Para sobreviver a toda a esta carga explosiva e desgastante, resta-lhes a sua capacidade de agarrar o único antídoto que se lhes conhece, a enorme capacidade infindável de renovação de uma esperança a que nunca renunciam.



Joao Carlos Soares
(cont......)

sábado, março 10, 2007

Da preplexidade às Ilusões Perdidas


I Parte



Na época em que vivemos, políticos e intelectuais continuam a insistir na retórica pela retórica, quando a esperança se confronta diariamente com o medo, dando aso ao crescimento do cepticismo, a resignação ou até a preplexidade dos actores, que somos todos nós.
Talvez porque estejam demasiadamente obcecados com os mistérios da governação, postados numa primeira fila da plateia da vida, numa peça da qual são protagonistas, e que por isso mesmo sejam os primeiros a ficarem espantados com o péssimo espectáculo dessa mesma política.
Sócrates é observado pela direita, que contra os mais obstinados, vai conseguindo levar por diante algumas reformas, suportado pela garantia e segurança de uma governabilidade maioritária, mesmo que para isso tenha de entrar em conflito com espaços da sociedade, que numa primeira instância, até lhe serviu como almofada eleitoral, a média burguesia.
A própria esquerda começou a deitar as unhas de fora e, com alguma preplexidade, à medida que o tempo vai passando, argumenta no seu modo tão peculiar de arregimentação de massas, tentando demonstrar que as promessas eleitorais vão caíndo no vazio da rotina e do discurso populista e governamental.

Municiando os seus ataques através dos órgão representativos dos trabalhadores, os sindicatos e respectivas centrais sindicais, acusando o governo de usar práticas e conduta neoliberal, apelidando e denunciando este tipo de políticas, como uma continuidade das politicas aplicadas nos anteriores governos do PSD, as quais visam unica e exclusivamente afrontar e por em causa os direitos dos trabalhadores.
A preplexidade desta forma de governar, tem levado os próprios seguidores e apoiantes de Sócrates, a assumirem posições antagónicas a algumas dessas decisões, como tem acontecido nas áreas da saúde e educação, da qual os Presidentes de Câmara Socialistas bem têm deixado claro, passando do período de boas graças para a crítica aberta e o confronto directo com o governo e a maioria da direcção partidária.
Os resultados têm sido visíveis e são conhecidos através da denúncia de falta de diálogo e prepotência da maioria governamental e seus ministros, provocando e tendendo a provocar a divisão da base social de apoio partidário, o qual se fez reflectir passados poucos meses, olhando-se para os resultados nas eleições autárquicas, onde essa franja de apoio mostrou o deu desencanto e admoestou a maiora de forma inequívoca, proporcionando uma derrota ao PS nas urnas com consequências que se fizeram sentir por todo o País.
Esta atitude governativa de Sócrates, é utilizada pelos mais cépticos como força retro-motriz, que em vez de se alimentar da receptividade e energias emanadas da governação socialista na relação com a sociedade civil, enfraquece e deixa cair as bandeiras de mudança e compromissos, provocando desconfiança e perda de identidade.
Diante disto, a tarefa de uma esquerda interna que vinha a disputar posições políticas no Partido, enquanto este actua despudoradamente como correia de transmissão do governo, poder-se-á considerar quase como uma tarefa inacessível e hercúlea.
A falta de esperança leva à desilusão, no entanto, não deixa de ser notável que tanto os perplexos quanto os que perderam suas ilusões confundam as críticas pertinentes com cobranças equivocadas. Há os saudosistas que criticam o PS por ter negado as origens do socialismo.
Imaginam que o partido renunciou ao espírito revolucionário de esquerda, reafirmando apelos a um socialismo sem definição, sintetizado em soluções políticas mais próximas da social-democracia, expressando uma retórica e apelando para o consenso interno, adaptando-se ao momento nas emanações que vierem do governo, não permitindo sublevações esquerdistas, esquartejando e reduzindo as tendências internas.
Para muitos, a eleição de Sócrates representava expectativa e esperança, mas começam agora a perguntar se terá valido a pena os anos dedicados à militância. É compreensível. Afinal, são vidas que se consumiram em reuniões e atividades partidárias na defesa intransigente de causas e projectos.
O crescimento do aparato partidário e a sua estatização, a acomodação interna de conveniências aos jogos eleitorais, transformam o partido numa máquina trituradora, anulando qualquer voz dissonante e abafando todo ou qualquer discurso crítico, absorvendo-o e minimizando o seu impacto pela desvalorização do seu conteúdo, reduzindo essa intervenção à participação controlada e encenada dos congressos e convenções.
Os críticos, como parte da máquina partidária estatizada, acabam por moderar ou anular os seus discursos ou divergências, perante necessidades internas concretas, impostas pelas disputas internas de processos eleitorais mais ou menos negociados.
Numa primeira análise, o erro não está em Sócrates nem no seu Governo, o erro está esse sim, na avaliação da sua postura política interna, negada na sua própria trajectória partidária.


(cont....)


Joao Carlos Soares

quinta-feira, março 08, 2007

08 de Março - Dia Internacional da Mulher

A todas as mulheres


Que amanhã continue a ser sempre o teu dia