sábado, setembro 22, 2007

Consciência Pública.



Com o decorrer dos anos, tem-se vindo a convencer as pessoas da existência de factores que estão por detrás das habituais referências na corrida ao poder, quer sejam no campo económico, político, militar e religioso, os quais incluem igualmente o poder atribuído aos mídia e à opinião pública.
Estas referências do quotidiano, em virtude de não deixarem indícios das constantes subjacentes, escondem geralmente tanto ou pouco mais do que revelam ou podem deixar transparecer.
Devemos a todo o custo identificar e tornar visíveis as fontes de poder dissimuladas, quer na personalidade dos seus agentes, quer na organização do modelo de sociedade imposta, tal como tentar a todo o custo expor os instrumentos com que o poder instalado se exerce, coage e é coagido.
Antes de mais, é preciso tentar entender-se o que faz correr as pessoas atrás do poder, quais as intenções que as levam a procurá-lo, bem como da forma e estado de espírito como o assunto deverá ser abordado.
Tal como com o que diz respeito ao poder em geral, a finalidade pela qual é procurado, são de certa forma amplamente entendidas mas muitas das vezes, senão sempre, muito rara e explicitamente expressas. Indivíduos e grupos abeiram-se e cativam o poder para desenvolverem os seus próprios interesses, incluindo, nomeada e exclusivamente, os seus próprios interesses pecuniários, valores pessoais e sociais, descurando a defesa e valorização do bem público.
O político procura o apoio dos seus eleitores formulando e reformulando promessas encima de promessas, muitas vezes como forma de submissão dos seus eleitores às suas necessidades, por vezes sem qualquer tipo de intenção no seu cumprimento, mas simplesmente como forma de se manterem no poder.
Se estiver estreitamente confinado aos interesses de um indivíduo, diz-se que o poder é procurado com fins egoístas; no entanto se o reflexo e percepção desse interesse for extensivo a um número muito mais vasto de pessoas, os envolvidos são considerados como alguém politicamente inspirada, lideres, mesmo que se fiquem por uma mascarada forma de defesa dos interesses colectivos.
Todos sabemos e reconhecemos, infelizmente, que as intenções que levam por vezes à procura do poder são muitas vezes falsas, intencional e habilidosamente escondidas pelos seus actores.
A falência de estratégias e objectivos sociais nas políticas partidárias, têm conduzido os partidos na procura de apoios influentes nas áreas económicas, os quais mais tarde apresentam à sociedade como benfeitores públicos, apontando-os hipocritamente como agentes diligentes na sociedade e amigos dos pobres.
Em todas as sociedades o exercício do poder continua a ser considerado profundamente apreciado e apetecível, pois os rituais que o mesmo proporciona aos seus agentes, faustos e pretensiosos jantares e banquetes, lugar privilegiado nos desfiles, multidões de admiradores e discursos aplaudidos, são como que uma celebração principesca de posse do poder.
Tanto no contexto como no exercício do poder, resulta numa vaidade como sensação de valor auto accionado, aspecto debilitante da existência humana que a fragiliza e faz correr actualmente tanto perigo, não só pelos serviços que presta aos interesses pessoais, valores ou percepções sociais, mas também para benefício próprio, pelas recompensas materiais e emocionais inerentes à sua posse e exercício.
Porém, enquanto que a procura do poder pelo poder não é admissível, a realidade, como sempre, deverá fazer parte da consciência pública.

João Carlos Soares

terça-feira, setembro 04, 2007

Participar........, pensando Global


Para uma participação política mais evidente, torna-se necessário, ou existe como que uma urgência, um jogo de sobrevivência e vida, de esperanças e de grandes desgostos.
Resulta daí uma tendência naqueles que desejam restituir algum sentido e algum vigor a uma política da qual muitas pessoas fogem, para utilizarem abordagens esquivas, elaboradas e mais localizadas. Contudo, é grande o risco de que, face à monotonia da vida democrática, apareçam cada vez mais atitudes anti-políticas, populistas, nacionalistas, racistas e autoritárias.
Falar-se em termos gerais de défice político da sociedade, é um erro; devemos, isso sim, reflectir sobre a mutação contemporânea a que o agente político se encontra sujeito, o qual se nos apresenta e surge numa primeira instância com o aspecto de uma crise, a começar pela crise da sua própria identidade e representatividade.
Não falando dos bloqueios e das disfunções que começam a afectar alguns sistemas políticos, uns mais do que outros, resultado do processo de globalização em curso, ou devido à sua estrutura ou por razões mais conjunturais, submete-se esse mesmo sistema político sacudindo-o e obrigado-o a transformar-se e adaptar-se por evoluções que provêm e resultam, umas das alterações no interior da nossa sociedade, outras provenientes e externas a essa mesma sociedade.
Do ponto de vista interno, o sistema deve aprender por si, ou reaprender a enfrentar as questões sociais, os dramas provocados pela crescente pobreza dos povos, da exclusão, dos filhos sem pais, da falta de segurança, das injustiças e das desigualdades crescentes.
Tudo isto exige que sejam tomadas medidas voluntariosas, por forma a garantir, num futuro próximo, o tratamento dos imensos desafios culturais que dizem respeito à vida e à morte, aborto/eutanásia, à procriação, à família, às relações entre sexos e responder de forma construtiva e formativa, ao surgimento de entidades colectivas étnicas, com as suas memórias colectivas, as suas expectativas de reconhecimento, direitos e obrigações.
Do ponto de vista externo, é necessário encarar e saber resistir com estoicismo e bravura às pressões que são exercidas cada vez com mais intensidade a partir do exterior, o que obriga os sistemas políticos a adaptarem-se às lógicas brutais do capitalismo financeiro e do comércio sem fronteiras, ou ao fluxo migratório, que provoca, sem qualquer dúvida nos países de acolhimento desses fluxos, tendências para a etnicização da vida colectiva da sociedade receptora, aumento das tensões sociais, a exacerbação do racismo, da xenofobia e, muitas vezes, o aumento da violência, o extremismo e consequentemente o aproveitamento político-partidário transformado em atitudes de puro e mediático populismo.
Os actores políticos, neste quadro de globalização, devem aprender e pensar igualmente de uma forma global, inventando e criando raciocínios que os conduzam a propostas que lhes permitam, de certa maneira, ultrapassando as fronteiras a que geograficamente e culturalmente continuam sujeitos, projectando-se e divulgando o seu país no mundo inteiro, sem deixarem nem delegarem essa responsabilidade apenas aos supostos especialistas das relações internacionais.
Mas se se torna possível falar de mutação, e não apenas de crise, porque razão existe um forte sentimento de défice político nos seus actores?
A resposta a esta interrogação, bem como a clarificação desses mesmos actores, só com grande dificuldade a conseguimos discernir, face à componente esquerda direita, que resiste como factor diferenciado no status-quo de uma sociedade predominantemente redutora como a nossa.
O défice político, só deixa de ser um problema das sociedades que, nunca tenham conhecido uma organização onde a ideologia e os princípios se regem por projectos, princípios de igualdade e de articulação das exigências sociais com o Estado, e esse de certeza que não será um problema para a direita mas sim para esquerda, que tem que fazer um esforço constante para evoluir, mantendo-se fiel na defesa e resolução dos desafios da nossa época, abdicando até, se assim for necessário do estado-providência, hipotecando perante os seus apaniguados os princípios e os conceitos que têm suportado ao longo dos tempos a sua postura perante os mais carenciados.
A revitalização ou a recriação em larga escala da social-democracia, esgotada e condenada em certos momentos da nossa história, torna-se imprescindível e necessária, a fim de que possam ser propostas novas formas realistas de solidariedade, renovando-se as instituições e abrindo-se novas expectativas, sociais e culturais, diferentes ou pelo menos oxigenadas, daquelas que polulam na contemporaniedade dos nossos tempos, num mundo de trabalho industrial protegido e da função pública, ou similar, mundo sobre o qual ela ainda hoje se apoia com demasiada e excessiva força.


João Carlos Soares

quinta-feira, agosto 09, 2007

Ser-se politicamente correcto, ou a razão prática das coisas


Olhar e não querer ver, para além de ser uma atitude pouco recomendável, principalmente por parte de pessoas que não tendo responsabilidades directas na gestão de um município, aspiram a essa honrosa distinção, mas que e com as suas posições politicamente correctas, se esquecem da realidade dos factos e escondem a verdade dos acontecimentos.
Torna-se irresponsável esse protagonismo, ainda mais quando, sem olhar a meios, colocam em causa e contestam sem qualquer tipo de fundamentação credível, decisões levadas a cabo após demoradas, preocupadas e descomprometidas medidas, no sentido de se encontrarem soluções que repusessem os interesses dos cidadãos e do concelho acima de qualquer outro interesse, evitando a todo o custo alimentar e sustentar posições oportunistas, fazendo da política um domínio de opções contraditórias, remetendo não somente para opiniões e contributos, mas também para realidades e mundos opostos.
Exactamente pelo que referi, se torna cada vez mais latente aos olhos do cidadão comum, o desequilibro conflictual que cada vez mais se faz sentir na sociedade que temos construído, onde não existe senão uma única realidade que não nos permite outra escolha ou opinião, dependendo do lado em que nos encontramos, ou do partido ou tendência política que representamos.
Na verdade, as opções e consequentemente as decisões assumidas, são sempre criticáveis, contudo as mesmas são susceptíveis de avaliação e critérios a que tenham sido sujeitas, sendo as respostas adaptadas à realidade incontornável de uma gestão corrente, dependente fundamentalmente da realidade do mundo em que vivemos.
Na base da limitação e condicionalismos de qualquer decisão, é quase impossível, em contrapartida, calcular e discernir o equilíbrio certo entre o possível e o impossível, não devendo por isso usar-se como argumento de arremesso político numa tarefa simples de adaptação à dura realidade da vida.
A autoridade da decisão, encontra-se ainda que legitimada, por um lado, pela virtude da escolha dos cidadãos, por outro pela sua capacidade de optar pelas melhores soluções, perante os problemas colocados por esses mesmos cidadãos.
O reconhecimento dessas soluções derivam do conhecimento do estado objectivo das coisas, que é e deve ser assunto do saber especializado e não de escolhas ou decisões populistas.
A progressão de atitudes alicerçadas em movimentos populistas, aumentam os índices de instabilidade cívica que persistem em mobilizar-se, dando provas de uma crescente prova de mediocridade política, quando não da sua corrupção, em contra ponto à paixão democrática que tanto incomoda o capricho daqueles que pretendem transformar a função dos eleitos, simplesmente pelo desejo de que a política nada mais signifique do que uma simples escolha entre eleitos substituíveis..
O populismo, designação cómoda sob a qual se dissimula a contradição exacerbada entre legitimidade popular e legitimidade sábia, dificultam cada vez mais uma governação com realismo, que não se acomoda nem verga a supostas manifestações de democracia.

João Carlos Soares

sábado, julho 28, 2007

Pensar ..... Sentir ...... Acreditar.


O Populismo e a tendência para o autoritarismo, para além de se considerar como um défice político numa democracia participativa, estão directamente ligados ao comportamento da sociedade perante a incapacidade de gerir e apresentar soluções para os problemas sociais, resultantes do desequilíbrio, falta de confiança e da fragilidade da estrutura no próprio sistema.
A tendência para a procura incessante de culpados e factos que conduzem qualquer sistema para o autoritarismo, desvia e conduz o pensamento dos cidadãos, para análises e atitudes que em nada contribuem para as correcções necessárias e indispensáveis, no modo e na forma como a população na defesa dos interesses e direitos consignados pela constituição, possam de forma coerente e consistente, exigir aos seus representantes a concretização de decisões e opções políticas sociais, no interesse e defesa dos mais desprotegidos.
A descapitalização participativa dos cidadãos nas grandes decisões de estratégia, eleições, referendos, etc..., favorecem e abrem caminho a dinâmicas fundamentalistas, umas de esquerda outras de direita, as quais conduzem inevitávelmente qualquer sociedade para momentos de crise política, o que não significa necessáriamente crise sócio-económica. O certo, é que uma conduz à outra, até como forma de justificar muitas vezes, aquilo que a própria razão não consegue explicar, servindo como um excelente alibi, para qualquer governo justificar intervenções que inevitavelmente conduzem ao aumento de impostos, cortes a nível da sustentabilidade social, como sejam o exemplo da saúde, educação, etc..etc..., para não falar no condicionamento ao acesso ao emprego e estrangulamento à pluralidade e liberdade de expressão.
Todos estes factores, bem como os discursos de ocasião, pouco credíveis dos nossos representantes, reflectem o défice social e político sentido pela população relativamente aos problemas da globalização e à dinâmica económica que a sustenta, desprezando as lógicas sociais dissociando-as dos processos políticos, e não considerando os critérios que induzem essas decisões, desprezando o nível de vida, a pobreza, a esperança de vida de cada um.
O fio que une toda uma débil estrutura social, fica por vezes deveras esticado para a tensão a que se encontra sujeito, e o inevitável acontece, rompe. Esse facto, mesmo considerado por alguns como inevitável numa sociedade competitiva, produz de imediato efeitos, a que alguns acharão necessários, mas que de certa maneira contribuem para um cada vez maior desequilibrio, desconforto, falta de confiança e insegurança.
Contudo, não poderá nem deverá servir como razão para todo o tipo de procedimentos numa sociedade onde se pretende, acima de tudo, preservar e consolidar os valores da solidariedade, evitando o declínio a dispersão e a capacidade de decisão a ela associada. Porém a crise nas instituições torna-se evidente quando a sua capacidade de decisão é posta em causa, pelo que se torna necessário e imprescindível que com a frontalidade, a verdade, a transparência, e a seriedade dos elementos intervenientes, se faça de uma forma positiva, construtiva e participativa, sem cinismo, demagogia nem qualquer outro tipo de hipocrisia.
Sei que se torna por vezes difícil aceitar regras, acatar decisões, quando essas decisões resultam, na grande maioria das vezes, na concretização de procedimentos e acções, as quais condicionadas por interpostos interesses, nem sempre vão de encontro ao interesse daqueles a quem essas decisões se destinam.
Exige-se por isso, bom senso e intelgência aos actores, condição fundamental para qualquer decisão que implique transformações na comunidade e possa conduzir a situações desconfortáveis, evitando-se atitudes irreflectidas, egocêntricas e precipitadas, criando-se e capitalizando-se cenários virtuais, onde predominam como factores o desconhecimento e ignorância das permissas e dos factos, os quais irão contribuir para a conflituosidade, falta de confiança e o descrédito naquilo em que acreditamos.
Uma visão de democracia representativa, assente e fundamentada apenas em factores ideológicos, seria , por isso mesmo, irremediavelmente uma forma catastrofista e impotente para nos levar a aceitar a sua autoridade.
Por vezes, em nome do saber e da suposta exclusiva competência, apresentam-se como pretensos representantes do povo, encarregando-se de estimular com o seu discurso e as controvérsias do seu conteúdo, a radicalização das suas posições.
João Carlos Soares

segunda-feira, julho 09, 2007

Opinião Pública - Contornos democráticos


Como refiro e realço no post anterior, não se pode imputar às dificuldades estruturais ou conjunturais dos sistemas políticos, a única e exclusiva razão para a actual crise de representação política instalada na nossa sociedade.
Essa crise resulta também da vida social, institucional e cultural, bem como de lógicas externas, algumas transnacionais ou até supranacionais. Significa isto na prática, a dependência dos povos que se sujeitam e são confrontados constantemente pelos condicionalismos dos acordos resultantes da globalização.
A crise da representação é, antes de tudo, fruto de uma crise da própria sociedade, ligada e identificada por processos de desestruturação dos laços sociais, os quais resultam na exclusão e precariedade cada vez maior de extractos inteiros da população mais desfavorecida e carenciada.
Quando se fala no défice do actor político, antes de mais, fala-se e referimo-nos ao défice social, o prolongamento ou o eco da falta dos direitos sociais e das injustiças que recaem com maior incidência sobre as camadas populares.
O fim dos regimes autoritários e a passagem para sistemas abertos e democráticos, não impedem a violência, o tráfico de influências ou o surgimento de grupos organizados, que vêm substituir-se às relações sociais.
O crescimento das taxas de criminalidade aumentam e os governos são incapazes de enfrentar as redes de crime organizado, resultando daí o delapidar do sistema democrático através da existência cada vez maior de carências do sistema político e da sua equidade, as quais se encontram associadas à decomposição da vida social, e também à ruptura que surge como resultado das frustrações sociais, por um lado, e da oferta política, por outro. Essa crise social é bem patente nas diferentes classes sociais descaracterizadas que vivem nos nossos centros urbanos.
Esta crise é quase sempre acompanhada pela miséria dos mais desprotegidos, pela ausência de vida pública transparente e pela perda das formas tradicionais de solidariedade.
Em democracia, a crise política é alimentada por uma eventual crise social, mesmo quando existem um elevado nível de direitos cívicos e de cidadania consignados na constituição. E é assim porque aquilo a que os cidadãos são particularmente sensíveis é à precariedade das condições de vida de alguns deles. Os direitos cívicos, por mais importantes que sejam, não acabam contudo com a pobreza e a miséria, o desemprego, a exclusão social, a marginalidade e o abandono.
Termos como “para que quero eu a democracia, se a miséria e a fome continuam...” fundamentam-se efectivamente na insegurança criada pelo desequilíbrio e precariedade sociais, bem como na falta de credibilidade e sustentabilidade do sistema político, representando por isso mesmo num risco considerável para a democracia, verificando-se ou dando a entender, que ela não resolve as suas principais dificuldades, criando um sentimento de repulsa para com o sistema democrático, constituindo-se até como um obstáculo à conquista de soluções práticas e justas.
Assim, algumas pessoas procuram satisfazer os seus sentimentos de insegurança na privatização da política e fecham-se em guetos destinados a ricos ou a classes médias superiores. Em simultâneo, este tipo de posições pode levar a opinião pública a tornar-se permeável à ideia de um governo autoritário como forma de garantir e assegurar o desenvolvimento económico à custa das liberdades entretanto conquistadas, e face à incapacidade da justiça e polícia, os que se sentem desprezados, abandonados ou maltratados podem vir a mostrar tendência para se encarregarem eles próprios daquilo que os poderes públicos já não conseguem fazer, a justiça popular.
Desta forma, a insegurança social, as dificuldades que acompanham a flexibilidade de trabalho, o emprego clandestino ou ilegal utilizando a mão de obra vinda dos países de leste, a economia sem regras, a queda dos salários reais e a pobreza constituem por isso mesmo, os maiores desafios que a política democrática terá que enfrentar no futuro.


João Carlos Soares

sábado, junho 16, 2007

Opinião Pública - Obrigado Dr. Mário Soares


Das lógicas à prática...........;

Existem enormes diferenças ou barreiras as quais podemos considerar como paradoxos referenciados, que separam uma simples democracia de eleitores de uma democracia de cidadãos, que mantêm e consideram o voto como elemento fundamental, inquestionável e aglutinador de vontades, defendendo e exigindo que esse direito continue a marcar e a fazer a diferença nos regimes democráticos.
Havendo por isso um progresso democrático considerável nas sociedades ocidentais, o respeito pelo direito universal do direito ao voto, a correcção por todos realçada e aceite na concretização dos processos eleitorais, transmite uma confiança nos processos e conceitos de direito e igualdade, proporcionando o acesso alargado ao emprego, e acima de tudo, respeitando e fazendo respeitar os mais elementares valores de cidadania.
Os partidos políticos passam por uma fase de crise, exactamente pela falha de representatividade no momento em que, não somente a democracia trilhando o seu caminho e avançando se consolida, mas ainda o jogo político se transforma tendo como referência a acção de movimentos cívicos, mostrando que existe, a um tempo, perda de confiança nos partidos ou até bloqueamentos institucionais, e a outro tempo uma maior abertura desse mesmo jogo político a toda a sociedade.
Este é, sem sombra de dúvida, o resultado de que de facto o nível dos direitos políticos cresce e alarga-se, ao mesmo tempo que os partidos políticos se mostram cada vez mais impotentes para resolver e apresentar orientações programáticas para solucionar a questões sociais, de emprego, qualidade de vida, desigualdades, etc, .
É necessário que os dirigentes políticos se aproximem das bases, auscultem as classes desfavorecidas, voltando a ouvir o povo, por forma a articularem nos seus programas e na sua actuação enquanto poder, medidas eficazes para um equilíbrio cada vez mais desejável e necessário, para uma estabilidade no sucesso económico, progresso social e democratização do estado .
A crise da representação política não tem, nem poderá ter, como única origem e desculpa, as dificuldades estruturais ou conjunturais do sistema político. Esta crise resulta igualmente da vida social, institucional e cultural do próprio estado.
Se não tiverem capacidade para se aproximar do povo, para se identificarem com as suas necessidades e dificuldades, transformar-se-ão inevitavelmente numa ilha com um sistema democrático instituído, mas rodeada por um oceano de autoritarismo, onde os direitos dos cidadãos e a imprensa se consideram livres, mas pouco mais!.

Como tive pena de não ter podido estar ontem em Setúbal, para aplaudir de pé aquele Senhor que ainda consegue transmitir e fazer escutar a vontade do povo, que um dia o recebeu em lágrimas de alegria.
Começava a duvidar das minhas opções e conceitos para uma sociedade justa e equilibrada.
Fiquei mais descansado, afinal não sou eu que me estou a afastar dos conceitos que nos devem orientar nos caminhos da igualdade e justiça social, ao encontro de uma população cada vez mais desencantada com a intervenção dos seus representantes.

Obrigado Dr. Mário Soares
João Carlos Soares

sábado, junho 09, 2007

Opinião Pública - Continuação






(.......Continuação)


Em concreto, o que acontece na sociedade na relação entre representantes e representados, afastando o poder político da sociedade que o sustenta, é a distância e até mesmo a oposição entre os eleitos e o povo que os considera como corrompidos, pautando-se os comportamentos por uma ausência e insensibilidade às suas expectativas, não podendo esse comportamento ser necessariamente ou simplesmente explicado pelas origens sociais ou culturais dos eleitores e eleitos.
È uma fácil mas incorrecta e descontextualizada explicação, atribuir ou afirmar que a corrupção é uma exclusividade ou monopólio apenas dos políticos educados, pertencentes a meios e ambientes mais ou menos abastados.
A corrupção encontra-se infelizmente disseminada na política, abrangendo políticos originários de todas as esferas sociais sem excepção.
Como não poderia deixar de ser, a opinião pública utiliza expressões particularmente violentas para criticar os políticos, sempre que se apliquem a líderes de nomeada.
Estas elites, quase sempre identificadas com movimentos e organizações de reconhecido peso na sociedade, afrontam a credibilidade das instituições que representam, e concorrem para alimentar a repulsa contra a classe política, aos olhos de quem os elege.
Começa, assim, a definir-se um primeiro aspecto desta reflexão. Se, como se percebe, existe défice do político é porque, antes de outro tipo de considerações que se possam fazer, a distância entre eleitos e população continua a crescer, levando-nos a acreditar que essa barreira conduz inevitavelmente a um mal estar para com os eleitos, e caso nada venha a ser feito para inverter esta situação, poderemos a breve trecho vir a ser confrontados com uma rotura precipitada que colocará em causa a própria democracia.
O populismo, o extremismo, a aceitação do nepotismo, a procura de um líder que possa colocar um travão nesta avalanche, de forma a mudar e alterar o rumo da situação, a intolerância, o confronto ideológico entre os cidadãos e o seu afastamento das elites políticas, não constituem e poderá até por esse facto começar a ser considerado como um facto normal e necessário, deixando de ser considerado como uma novidade inesperada e intolerável na actualidade.
Esta crise de representação não poderá, nem deverá, significar o declínio de todo o espaço político, construído e defendido por várias gerações.
Os debates sobre alguns desafios políticos são ricos e densos, fazendo com que a sua complexidade e incidência saiam por vezes minimizados e secundarizados, em detrimento de algumas propostas populistas, onde a emoção da decisão e da sua influência, mesmo eivados de inconvenientes naturais, ofuscam e são elemento depauperativo da verdadeira representação política.
O reconhecimento da existência de défice democrático no político, são a prova de que os próprios sistemas políticos se desadaptaram das realidades, não acompanharam a evolução do pensamento humano, envelhecendo de forma sistemática e sem regras.
Cada vez mais a velha militância partidária se esfuma numa militância de interesses, oportunista e pontual, reduzindo-se o seu manacial de quadros efectivos, o que leva a uma quebra cada vez maior na capacidade de constituição de grandes forças populares, ameaçando consequentemente por isso mesmo o funcionamento das instâncias democráticas.
As campanhas eleitorais qualquer dia não passarão mais do que de slogans publicitários produzidos e difundidos pelos media, onde a vertente internet, passará a ter provavelmente a curto prazo, um papel importante, senão indispensável, prejudicando e afastando ainda mais o contacto directo de militantes e cidadãos, representantes e representados, sobrepondo-se por essa ordem de ideias, a comunicação política ao conteúdo da mensagem, aumentando o custo das campanhas e abrindo as portas a um negócio em expansão.
O financiamento para os partidos está garantido pelos fundos públicos, contribuição involuntária dos cidadãos através dos impostos que pagam ao estado, muito pouco pela quotização dos seus militantes, e depreende-se que o resto será suportado por pessoas e grupos que contribuirão voluntariamente.
Destes factos resulta uma tendência, especialmente naqueles que apostam em restituir algum sentido e algum vigor a uma política da qual muitas pessoas fogem, para utilizar abordagens mais localizadas.
No entanto, começa a ser de grande risco de que, senão dramático face à monotonia da vivência democrática, comecem a aparecer atitudes anti-políticas/populistas, nacionalistas, racistas e autoritárias.

Lutar contra a corrupção, é uma prova de liderança, acima de suspeitas, de críticas e de acusações.


João Carlos Soares

quinta-feira, junho 07, 2007

Opinião Pública - Verdade e Consequência



Será possível alguma vez, ou nos próximos tempos, reconciliar as pessoas com os seus actores políticos?



A sociedade, tem sofrido nos últimos tempos, uma acelerada transformação, muita das vezes menos bem conseguida, ao ponto de levar os cidadãos a distanciarem-se da política, intervindo cada vez menos na vida pública e consequentemente nas grandes decisões locais e para o país.
O desencanto provocado na população, resultante de um desempenho pouco inteligente e incompetente dos seus representantes, fazem com que algumas decisões transformem a confiança dessa mesma população, em dúvidas e incapazes de se fazerem entender e compreender pelo povo que os elege.
Neste contexto, apresenta-se no futuro como grande desafio para os políticos, aproximarem-se dos cidadãos que lhes dão razão de existir, adaptando-se em simultâneo, às novas obrigações e ensejos colocados pela globalização.
O problema surge numa primeira instância, na degradação de relações entre os representantes eleitos e os seus eleitores, prova disso é a abstracção dos primeiros perante os segundos, ou a falta de interesse, com o que pensam deles os que os elegem.
Neste caso, este afastamento cria uma crise de identidade, de quem representa, e de quem é representado.
A classe política, granjeou um estatuto social nesta sociedade, esquecendo-se que esse status lhes é devido por aqueles que os elegeram e em quem debitaram as suas esperanças, mesmo que esse afastamento não se possa considerar premeditado, provoca de imediato uma diminuição de consideração e estima, acalentando de imediato revolta e desconfiança, pois sentem-se traídos.
A hostilidade e o desprezo com que a população reage em relação aos actores políticos, variando esta atitude com os meios sociais e culturais em que se inserem, traduzem-se infelizmente na abstenção e votos nulos nos diversos processos eleitorais, aos quais são chamados a pronunciar-se.
A atitude crítica dos portugueses tem vindo nos últimos anos a crescer consideravelmente, tendo em conta e não esquecendo que essa mesma atitude é resultante de um nível de educação que vem crescendo em simultâneo, tornando-os muito mais exigentes, sem alterarem no entanto a sua participação na vida política.
Face à volumetria de casos que nos últimos tempos têm preenchido infelizmente os noticiários nos media, começa a espalhar-se a ideia, criando a convicção nos menos informados, de que os políticos, sem excepção, actuam simplesmente em função dos seus próprios interesses, descurando tudo o que à sua volta acontece, tomando única e exclusivamente atenção aos problemas que os afectem.
Por outro lado, há quem manifeste a sua revolta, na forma como os políticos, utilizando uma linguagem de certa maneira opaca, obtusa e rendilhada, falando muito e dizendo pouco, transformam a sua forma de comunicar, que deveria ser simples e concisa, numa plataforma de adjectivos complicados e incompreensíveis.
Na maior parte do tempo, o empenhamento da classe política, traduz-se e resulta de conflitos internos no seio dos partidos e da classe a que pertencem, ou então no desejo de enriquecerem, de obter benesses pessoais, relegando para segundo plano os objectivos de interesse geral, a qual deveria ser a sua única prioridade.
Essa começa a ser a razão pela qual se torna cada vez mais difícil, senão inconciliável, os partidos conseguirem mobilizar pessoas que tenham projectos e ideias válidas.

Deixaram de compreender as necessidades do povo, que é no fim de contas o valor acrescentado da sua visibilidade e existência, e deitam por terra as esperanças que em si são depositadas para a resolução dos problemas da qual a sociedade se encontra enferma.



Esperemos que quando acordarem, não seja tarde demais.





João Carlos Soares

sábado, junho 02, 2007

A " contenção salarial " - Que se apregôa



Como entendo não entender certas coisas, aqui vos deixo, para aqueles a quem este artigo tenha passado despercebido.


Ao mesmo tempo que, segundo números da Comissão Europeia, o poder de compra dos trabalhadores portugueses registou, em 2006, a maior descida dos últimos 22 anos, a CMVM anunciou que, entre 2000 e 2005, os vencimentos dos administradores das empresas cotadas em bolsa duplicaram (e nas empresas do PSI 20 mais que triplicaram!).

Isto é, enquanto pagam aos seus trabalhadores dos mais baixos salários da Europa a 25 (e todos os dias reclamam, sob a batuta do governador do Banco de Portugal, por "contenção salarial" e "flexibilidade"), esses administradores duplicam, ou mais que triplicam, os próprios vencimentos, vampirizando os accionistas e metendo ao bolso qualquer coisa como 23,9% (!) dos lucros das empresas.

Recorde-se que o Estado é accionista maioritário ou de referência em muitas dessas empresas, como a GALP, a EDP, a AdP, a REN ou a PT, cujas administrações albergam "boys" e "girls" vindos directamente da política partidária (cada um atribuindo-se a si mesmo, em média, 3,5 milhões de euros por ano!).

Se isto não é um ultraje, talvez os governos que elegemos (e o actual é, presumivelmente, socialista) nos possam explicar o que é um ultraje.

O mais certo, porém, é que se calem e continuem a pedir "sacrifícios" aos portugueses.

A que portugueses?


(Manuel Pina , Jornal de Notícias, 10 Maio 2007.)

sábado, maio 26, 2007

Basta de Hipocrisia - O Barreiro merece melhor



Reconhecer nas memórias a credibilidade e confiança no futuro, para dar e garantir a dignidade que o Barreiro e os barreirenses merecem.






Passamos a citar:

“...O ministério de António Mexia continua sem esclarecer o que se passa com os catamarãs, nem quais as medidas preventivas em novos dias de Tejo revolto.


Entretanto, sem justificação ou estudos, anunciou uma solução absurda e uma opção errada que penalizam gravemente o Barreiro. Em vez de retomar os trabalhos sobre a terceira travessia do Tejo ferro-rodoviária no corredor Barreiro-Chelas, anunciou a passagem do TGV pela ponte 25 de Abril e um túnel rodoviário entre Algés e a Trafaria.


O túnel Algés.Trafaria, velho sonho de Isaltino Morais, é um erro de estratégia de transportes e de ordenamento do território, criando uma rua para trazer os lisboetas à praia, densificando a zona já mais sobrecarregada da Península de Setúbal, sem libertar tráfego no eixo central e promovendo ainda mais a utilização de transporte individual. Esperemos que Mexia não mexa neste assunto durante muito mais tempo para que os erros não sejam tão irreversíveis como os de Ferreira do Amaral ”

(declarações de Eduardo Cabrita em 02 de Novembro de 2004)


__________________________ & __________________________


"O Distrito de Setúbal é um distrito com particular relevância no cômputo nacional, mas assume particular importância na Área Metropolitana de Lisboa é, aliás, um pólo de centralidade no desenvolvimento integrado e sustentável desta área geográfica.

Pelas suas características económicas e sociais, pelo desenvolvimento que assumiu nos últimos anos, não pode agora ser esquecido, como o foi durante anos de reinado cavaquista. O PSD, igual a si próprio, tem agora uma atitude irresponsável face a esta região do país (esta ideia foi assumida, também, pelo próprio líder distrital do PSD de Setúbal), fazendo crer que a sul do Tejo nada importa!

Concentremo-nos apenas num exemplo do que tem sido a política do PSD nestes dez meses de Governação, um exemplo de enorme importância para o distrito de Setúbal: a terceira travessia do Tejo Barreiro-Chelas. Perguntar-me-ão, os leitores, qual a importância deste projecto quando o desemprego sobe mais que a média nacional no Distrito de Setúbal, nos últimos dez meses. Mas a verdade é que a não realização deste projecto é o reflexo do abandono a que a nossa região ficou vetada com este Governo.

O Partido Socialista assumiu, sempre, a necessidade de construir uma terceira travessia do Tejo, que ligasse Barreiro e Chelas. Fundamental, tanto no plano do escoamento de tráfego da Ponte 25 de Abril, como no plano económico, porquanto a ligação à margem norte do Tejo, por esta via, potenciará não só o desenvolvimento dos concelhos do Barreiro e da Moita, mas atrairá para o Distrito de Setúbal um maior investimento. Isto é, criará as condições adequadas a uma maior fixação do sector económico nesta região e, por consequência, mais emprego e maior permanência das pessoas nas suas terras não tendo que se deslocar para trabalhar em Lisboa.

É, assim, com grande espanto, que assistimos ao Governo do PSD retirar do PIDDAC a verba inscrita para os estudos de viabilidade desta nova travessia do Tejo e extinguir o Grupo de Missão, criado pelo Partido Socialista, para proceder aos respectivos estudos, afirmando o Ministro Valente de Oliveira, que esta obra não é uma prioridade para o Governo do PSD.

Mas, pasme-se!!! Fomos surpreendidos pelas declarações do Professor Nunes da Silva, consultor e responsável, no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Península de Setúbal, para a área das acessibilidades, afirmando que não reconhece, hoje, a importância desta ligação Barreiro-Chelas! À boa maneira cavaquista de outros tempos, reconhece que esta travessia existirá, mas não sabe quando, afinal o Professor Nunes da Silva não era, há uns meses, um dos grandes impulsionadores desta grande obra? Não considerava que seria um investimento imprescindível para o Distrito de Setúbal, na lógica de ser um distrito com enormes potencialidades na Área Metropolitana de Lisboa? O que o fez mudar de opinião e juntar-se ao imobilismo do Governo do PSD?

A não construção desta terceira travessia do Tejo Barreiro-Chelas trará consequências nefastas para o Distrito de Setúbal, abandonando uma estratégia integrada de desenvolvimento para a Área Metropolitana de Lisboa e amputando a sua maior proximidade com a margem norte do Tejo e consequentes recuperações ribeirinhas, tão necessárias, nestas zonas.

A actividade política não pode ser um jogo ao sabor dos ventos, mas tem que ser exercida com responsabilidade, verdade e coerência. O Partido Socialista assume as suas responsabilidades e os compromissos que firmou com os eleitores, assim, continuaremos a lutar para que a Terceira Travessia do Tejo Barreiro-Chelas seja uma realidade e que se reconheça ao Distrito de Setúbal a importância devida no todo nacional.

A política do imobilismo do Governo do PSD merece o nosso total repúdio!"

(declarações de Ana Catarina Mendes em 24 de Fevereiro de 2003)

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Meus senhores, por favor entendam-se. As vossas declarações e decisões enquanto poder instituído, têm que ter alguma coerência. Não acham?
Mudam-se os tempos e infelizmente também se mudam as vontades.
Assim sendo, cada vez mais a atenção dos cidadãos e movimentos cívicos, em particular, deverá incidir e ter uma prioridade;

  • Exigir o cumprimento na concretização dos interesses das regiões e das populações, contrariando assim um crescente clientelismo bem como a forma leviana como nos partidos, após conquistado e instalados no poder, abdicando das promessas e ilusões usadas com sofisma, nas bem urdidas e dispendiosas campanhas eleitorais, mudam de opinião e critérios, na mais descarada e promiscua impunidade institucional.

  • A resposta deverá e terá que ser dada com veemência, mostrando aos actores representativos da vontade dos eleitores, que não os defraudem, e pelo contrário, abdicando das suas conveniências e comodidades partidárias, assumam e não reneguem aos seus compromissos, respeitando a memória das suas próprias convicções.

João Carlos Soares